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Dia 5 de julho de 2023, é o dia 497 da invasão. Mais um episódio de "Guerra Traduzida". Vamos traduzir a imprensa da Rússia, é um trabalho do jornalista, como já aqui anunciado, Rui Casanova, com a colaboração da Larissa Tovmazian. Rui, boa tarde.
Boa tarde.
A Rússia volta a acusar a Ucrânia de estar a preparar um ataque à central nuclear de Zaporíjia.
"Kiev quer explodir a central nuclear de Zaporíjia". É assim que começa um artigo do jornal KP, que cita um cientista político russo que alerta para essa mesma possibilidade. Nos últimos dias, ambas as partes têm trocado acusações sobre um eventual ataque àquela que é a maior central nuclear da Europa. Esta acusação volta agora a ser notícia. A Rússia acusa a Ucrânia de preparar um ataque à central nuclear de Zaporíjia e a Ucrânia também acusa a Rússia de tentar atacar esta infraestrutura. A mesma fonte citada pelo jornal KP adianta que as Forças Armadas da Ucrânia vão tentar atacar a central usando armas de precisão de longo alcance, assim como drones de tipo kamikaze.
Entretanto, já há, Rui, uma reação do Kremlin.
Dmitry Peskov afirma que estão a ser tomadas todas as medidas para evitar aquilo que descreve como uma possível sabotagem de Kiev nesta central nuclear de Zaporíjia. Alerta que há uma séria ameaça de sabotagem do lado de Kiev, cujas consequências, alerta Dmitry Peskov, podem ser catastróficas. São declarações do porta-voz do Kremlin em reação a este possível ataque, aqui apontado pela Rússia à Ucrânia, na habitual comunicação diária que Dmitry Peskov faz. É aqui citado também pelo jornal KP e, de resto, este vai ser também um tema em destaque no próximo episódio de "Guerra Traduzida".
Vamos agora tentar perceber o que se está a passar no terreno. Quais são, Rui, as últimas movimentações de acordo com a imprensa estatal russa?
Destaque para a aldeia de Kleshcheevka, na República Popular de Donetsk, que a Rússia afirma que continua sob o controle das forças de Moscou. É o que diz Yan Gagin, assessor do chefe interino da República Popular de Donetsk, aqui citado pela agência estatal RIA. Recorda que em janeiro o Ministério da Defesa da Rússia tinha informado que esta aldeia de Kleshcheevka, na República Popular de Donetsk, tinha sido controlada por voluntários de destacamentos de assalto com o apoio de aviões e mísseis do lado da Rússia. E agora há este novo ponto de situação, afirma a Rússia, que esta aldeia na República Popular de Donetsk continua sob controle das forças de Moscou.
E com o calendário a correr, o porta-voz do Kremlin voltou hoje a falar do acordo de cereais.
Que está quase a terminar, expira a 17 de julho, daí essa tua expressão, o calendário a correr, e o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirma que neste momento não há razão para prolongar este acordo de cereais. Ao mesmo tempo, destaca que ainda há tempo para o Ocidente implementar as partes do acordo reivindicadas pela Rússia. De acordo com Peskov, a Rússia vai anunciar a decisão sobre este acordo de cereais em tempo útil. Até agora, afirma Peskov, uma parte do acordo que diz respeito à Rússia não foi cumprida, daí este descontentamento com a Rússia neste acordo que foi assinado no verão do ano passado pela Rússia e pela Ucrânia e, como costumamos destacar, com a mediação da Turquia e da ONU. Foi recentemente prolongado, termina a 17 de julho. Vamos ver o que sai daqui, este braço de ferro entre aspas entre Rússia e Ocidente.
E vamos terminar, como é hábito, com a imprensa livre da Rússia, que destaca uma notícia que está a ter impacto em todo o mundo. O presidente chinês avisou pessoalmente Putin contra o uso das armas nucleares na Ucrânia.
A notícia é avançada pelo Financial Times esta quarta-feira, que cita responsáveis chineses e ocidentais, e acrescenta ainda que desde aí as autoridades de Pequim se têm vangloriado em privado deste mérito. E quando digo desde aí, falo desde março deste ano, altura em que Xi Jinping, o presidente chinês, viajou até Moscou para uma visita oficial ao presidente Vladimir Putin. E foi neste momento que Xi Jinping advertiu pessoalmente o presidente russo contra o uso de armas nucleares na Ucrânia. De acordo com o Financial Times, a China tem-se manifestado repetidamente contra o uso de armas nucleares em Kiev, mas este aviso feito pessoalmente e em privado ao presidente russo dará esperança ao Ocidente de que a postura de Pequim seja a mesma à porta fechada e de que as ameaças feitas pelo presidente chinês tenham sido suficientes para demover, de fato, Vladimir Putin. Entretanto, há também uma reação novamente pela voz do porta-voz do Kremlin. Dmitry Peskov fala em ficção, nega esta notícia do Financial Times. Vamos falar novamente desta mesma notícia já a seguir, no próximo episódio de "Guerra Traduzida".
Fica por aqui a "Guerra Traduzida" versão Rússia. Já a seguir vamos traduzir a guerra do lado ucraniano.