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A Guerra Traduzida na Rádio Observador, programa em que trazemos os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana todos os dias. Temos conosco a jornalista Diana Rosa. Diana, bem-vinda mais uma vez.

Bem-vindo também, André.

Hoje começas pela imprensa russa e com um artigo que explica o funcionamento da mala nuclear que Vladimir Putin tem andado a testar. O que é isto da mala nuclear?

Sim, vamos dar especial atenção a este tema neste programa. É literalmente uma mala preta quadrada, tem alguns botões, como se deve imaginar. Tem também um sistema de comunicação que permite perceber ameaças e ativar alertas de retaliação a ataques, mas não só.

Parece aqueles gadgets do James Bond, do agente 007.

É muito parecido. É uma mala muito simples, tem ali alguns botões que eu já vou passar aqui a explicar. O que eu explico aqui faz parte de um artigo publicado hoje no Komsomolskaya Pravda, que diz que quanto mais ferve a relação entre a Rússia e a NATO, mais frequente se torna o uso da palavra nuclear nos discursos militares. Atualmente, há nove países no mundo que possuem armas nucleares, acumulam um total de 13 mil ogivas, 5 mil pertencem à Rússia, quase o mesmo para os Estados Unidos.

Então e esta mala nuclear russa, Diana, já sabemos, tem botões, tem um aspecto normal de uma mala. Tem um nome?

Chama-se Cheget, que é em homenagem ao pico de uma montanha russa. O próprio sistema de controle tem o nome Kazbek, pesa cerca de 10 quilos. Esta mala, como já disse, é preta, é blindada. Este ano a Cheget completou 40 anos. Nunca falhou, diz o artigo, e também nunca foi preciso ser usada, felizmente, obviamente. Quando se abre a mala, que parece uma mala de negócios, vemos um botão verde que recomenda ações, um botão branco para fazer o reset e um botão azul que diz confirmar. Há ainda três botões laranja com números para fazer a comunicação com outros proprietários das mesmas malas ou, digamos, com a tríade nuclear, a Marinha, a Força Aérea e as Forças de Mísseis Terrestres. Na Rússia, a estação de alerta de ataque com mísseis detecta o tempo de lançamento de um míssil inimigo, calcula a trajetória desse equipamento e a área de impacto e transfere todos estes dados para a mala. Em poucos minutos, surge um alerta para um ataque de retaliação. O ok, em caso de retaliação, é dado pelo presidente Vladimir Putin numa ação coordenada com as mesmas malas nucleares do Ministério da Defesa e do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

E Diana, se até há pouco tempo a Rússia se comprometia a usar as armas nucleares só como um ataque de retaliação, isto agora mudou um pouco.

Agora, Vladimir Putin e o Conselho de Segurança alargaram as possibilidades de ataque. A partir do momento em que a Rússia tenha informações fiáveis sobre um lançamento massivo de armas de ataque aeroespacial contra o país, a resposta nuclear é ativada. Isto inclui ataques de aeronaves estratégicas e táticas, mísseis de cruzeiro, drones e mísseis hipersônicos.

E diz este artigo também que Putin tem feito testes para confirmar que está tudo pronto, está tudo a postos com esta mala nuclear.

Sim, fontes próximas do Kremlin dizem ao Komsomolskaya Pravda que o presidente russo leva este assunto muito a sério, por isso treina regularmente o uso da mala e passa todos os testes dos instrutores. E se a Ucrânia atacar a Rússia em profundidade com armas de longo alcance, Moscovo diz que entra automaticamente em ação e passo a citar: "Uma espécie de foguete de comando subirá das profundezas secretas para o espaço, o que dará às Forças Nucleares Estratégicas da Rússia a ordem para atacar o agressor". Ainda assim, a Rússia diz ter a esperança de que isso nunca seja preciso. Este é um artigo extenso que faz hoje destaque, repito, no Komsomolskaya Pravda.

E Diana, temos ainda tempo para falar sobre os ataques ucranianos a Kursk, na Rússia.

O Ministério da Defesa russo afirma que os sistemas de defesa aérea destruíram quatro drones ucranianos sobre a região ocupada. Este ataque ocorreu por volta das 11h, é o que adianta a agência Ria Novosti, a mesma agência que cita o governador de Kursk, que afirma que foi ainda destruído um míssil ucraniano. Um jornalista da Ria que está em Kursk testemunhou o ataque e relata que uma casa privada foi atingida e completamente destruída num incêndio que deflagrou de seguida, momento que foi, de resto, captado em vídeo.

Foram os destaques da imprensa russa, com especial atenção para esta mala nuclear de Vladimir Putin. Nós voltamos já a seguir com o que dizem os jornais ucranianos.