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Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos analisar a imprensa russa deste dia 20 de Janeiro. Um trabalho hoje da jornalista Inês Batista. Dispensamos o nosso habitual Miguel Cordeiro. Um trabalho feito em colaboração com a Larissa Tovmasian, natural da Rússia. Inês, boa tarde. E vamos começar esta Guerra Traduzida com a notícia que dá conta da libertação de quem, Inês?

Krechchatniyvka. Acho que é assim que se diz. É uma aldeia situada na região de Donetsk. A Ria Novosti cita as autoridades da República Popular de Donetsk para avançar com a notícia e afirma que o fundador do grupo Wagner já tinha dito que a aldeia estava sob o controle das forças russas. Yevgeny Prigozhin descreveu a aldeia como um subúrbio importante da cidade de Bakhmut. A agência de notícias estatal russa fala de batalhas ferozes nos subúrbios da cidade e afirma que nos últimos dias os militares russos têm avançado constantemente nessa zona de Donetsk. A Ria Novosti destaca também a importância da libertação de Soledar na batalha por Bakhmut, porque é assim que é possível cortar o envio de bens necessários às tropas ucranianas.

E o secretário de imprensa do Kremlin afirma que o conflito na Ucrânia se está a desenvolver numa espiral ascendente.

"We see growing indirect and sometimes direct involvement of NATO countries in the conflict."

Declarações de Dmitry Peskov que estão a ser difundidas pela Vesti. Diz que há um crescente envolvimento indireto e às vezes direto dos países da NATO neste conflito. Aponta para declarações que indicam o domínio absoluto da vontade política de continuar o crescimento desse envolvimento. Vemos um compromisso com uma ilusão dramática sobre a possibilidade de a Ucrânia ter algum sucesso no campo de batalha, são as palavras de Peskov. Nestas declarações, o porta-voz fala também de um delírio dramático da comunidade ocidental que, avisa, vai levar a arrependimentos e aponta que tudo isto leva a uma escalada de tensão. Para reduzir o nível desta escalada, diz o secretário de imprensa do Kremlin, é preciso ouvir as preocupações da Rússia. É preciso rebobinar a fita até ao ano passado, quando a Rússia se ofereceu para discutir na mesa de negociações, quando a Rússia foi absolutamente rejeitada, são as palavras de Peskov, que acusa os países ocidentais de enganar Moscovo, enganar o povo de Donbas e tentar prepará-los para um destino mais terrível que a Rússia impediu e que não permitiu.

Falamos agora sobre eleições, Inês, porque o jornal RBC faz título com dificuldades na votação em países hostis.

A presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia é quem faz esse alerta. Isto porque já estão a ser preparadas as eleições presidenciais de 2024 e as regionais, que deverão acontecer em setembro de 2023. O RBC cita a presidente da Comissão, Ella Pamfilova, acho que estou a dizer bem, para avançar que vai ser difícil levar a cabo as votações nos países hostis à Rússia por causa das sanções ao país, do encerramento de consulados, da expulsão de diplomatas. A presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia assegura, no entanto, que nos estados onde haverá oportunidade de votar, vão ser criadas todas as condições para que os eleitores o possam fazer e adianta também que a Comissão Eleitoral se está a preparar para eleições nas novas regiões da Rússia, nas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk, bem como nas regiões de Kherson e Zaporizhzhia. As eleições vão ser realizadas num único dia, em setembro. Estão marcadas para 10 de setembro. Prevê-se a eleição de 20 governadores em eleições diretas, mais cinco indiretas, além de deputados de 20 assembleias legislativas nestas eleições regionais das novas regiões russas. O RBC cita fontes da administração presidencial para avançar que há planos para nomear ex-participantes da operação especial, a guerra na Ucrânia, é assim que a Rússia se refere a esta guerra, bem como voluntários e voluntárias que trabalhavam no Donbas nas eleições.

E agora uma notícia do portal independente Meduza. O diretor da CIA esteve secretamente em Kiev para dar conta a Zelensky de planos militares da Rússia.

O jornal cita o jornal norte-americano Washington Post para avançar com a notícia. No final da semana passada, o diretor da CIA, William Burns, terá feito uma visita secreta a Kiev, onde se encontrou com o presidente ucraniano e com oficiais das secretas da Ucrânia. A Meduza aponta que na reunião, Burns informou Zelensky sobre as expectativas em relação aos planos militares da Rússia nas próximas semanas e nos próximos meses. Para Zelensky, a principal questão da reunião foi durante quanto tempo a Ucrânia poderia contar com a ajuda militar dos Estados Unidos e do Ocidente, depois de os republicanos terem obtido a maioria na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O diretor da CIA reconheceu que será mais difícil conseguir ajuda, mas no final da reunião, escreve a Meduza, Zelensky e os assessores do presidente ficaram com a impressão de que o apoio a Kiev do governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, continua forte e vai haver financiamento suficiente para a Ucrânia, pelo menos até julho ou agosto. Kiev está agora menos confiante de que o Congresso dos Estados Unidos vá, no entanto, aprovar outro pacote multimilionário de ajuda militar para a Ucrânia.

E é assim que terminamos esta Guerra Traduzida com análise à imprensa russa.