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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Diana Rosa, boa noite.

Boa noite, Marta.

Começamos pela imprensa de Kiev. A Ucrânia assume a iniciativa militar no terreno, depois de a Rússia ter perdido território pela primeira vez em dois anos. A iniciativa estratégica no campo de batalha mudou a favor da Ucrânia, de acordo com análises publicadas pelo Ukrainska Pravda e pela Ukrinform.

Sim, relatórios baseados em mapas do Instituto para o Estudo da Guerra revelam que as forças russas registaram uma perda territorial líquida de 113 km² nos últimos 30 dias, sinalizando o fracasso da ofensiva russa de primavera. A contraofensiva ucraniana tem sido alimentada pela eficácia de ataques de drones de médio alcance contra a logística russa e também pela interrupção do uso ilegal dos terminais Starlink pelo exército de Moscovo. Além disso, as baixas russas, estimadas em 35 mil soldados por mês, ultrapassam agora o ritmo a que o Kremlin consegue recrutar novos efectivos, criando janelas de oportunidade que Kiev está a explorar com sucesso. O comando militar ucraniano sublinha que, embora a situação continue difícil em sectores como Pokrovsk, a capacidade russa de realizar avanços significativos parece ter estagnado perante a resiliência das defesas ucranianas, que estão reforçadas.

A Alemanha e a Ucrânia têm uma nova parceria para a produção de armas de ataque em profundidade. O Ministério da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, realizou hoje uma visita surpresa a Kiev para formalizar a expansão da cooperação industrial da defesa entre os dois países.

Sim, Marta, o foco principal da nova parceria é o desenvolvimento e produção conjunta de sistemas de armas de ataque em profundidade, especificamente drones de longo alcance, que são capazes de atingir infraestruturas críticas russas a grandes distâncias da frente de batalha. Pistorius afirmou que Berlim pretende combinar a tecnologia de ponta alemã com a experiência única de campo de batalha dos engenheiros ucranianos, utilizando a plataforma de inovação, a Brave One, para acelerar a entrega destes sistemas. A iniciativa tem como objetivo combater as lacunas da capacidade da NATO em armas de longo alcance e garantir que a Ucrânia possua meios de dissuasão autónomos a longo prazo. Além dos drones, a Alemanha confirmou o financiamento de centenas de mísseis para sistemas Patriot e a entrega de novos lançadores IRIS-T, reforçando a protecção do espaço aéreo ucraniano contra a ameaça contínua de mísseis balísticos e drones kamikaze da Rússia.

A chefe da diplomacia europeia considera que Vladimir Putin nunca esteve tão fraco. No entanto, acredita que ainda é cedo para falar em negociações entre a Rússia e o bloco dos 27.

Em conferência de imprensa, no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, em Bruxelas, Kaja Kallas foi questionada sobre como é que viu as declarações de Vladimir Putin, que no sábado passado afirmou que a guerra na Ucrânia está a chegar ao fim. A diplomata afirma que a leitura geral é de que Putin nunca esteve numa posição tão frágil. Lembra que as forças russas estão a perder muitas vidas no terreno. Há um descontentamento crescente na sociedade russa. É por isso que estão a desligar a internet, por exemplo, para que as pessoas não consigam ver as notícias reais. É o que lembra Kaja Kallas, que, no entanto, deixa por perceber como é que esse contacto entre Rússia e Europa vai acabar por ser feito ou se vai acabar por ser feito.

A União Europeia impôs hoje sanções a 16 cidadãos e sete entidades russas pelo sequestro de crianças ucranianas. Estão acusados de violarem o direito internacional e tentarem comprometer a preservação de gerações futuras.

As sanções foram aprovadas durante a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, no mesmo dia em que se realiza na capital belga uma reunião da Coligação Internacional para o regresso das crianças ucranianas. A decisão visa os responsáveis por deportações sistemáticas e ilegais, transferência e assimilação forçada, incluindo doutrinação e educação militarizada de menores ucranianos, bem como pela sua adopção ilegal e transferência para a Federação Russa. O Conselho da União Europeia destacou que, desde o início da guerra na Ucrânia, estima-se que a Rússia tenha deportado quase 20,5 mil crianças ucranianas. Salienta que isso constitui uma violação grave do direito internacional e dos direitos fundamentais das crianças. Essas deportações visam também apagar a identidade ucraniana e comprometer a preservação das gerações futuras, uma vez que é ensinado às crianças a cultura e identidade russa.

Zelensky está no centro do maior escândalo de corrupção do seu mandato. Transcrições reveladas pelo jornal Ukrainska Pravda sugerem o envolvimento do presidente ucraniano e do seu círculo íntimo no desvio de cerca de 100 milhões da gigante estatal de energia nuclear.

As gravações realizadas no verão de 2025 detalham o financiamento ilegal de um condomínio de luxo em Kozhin, o Project Dynasty, destinado à elite do poder em Kiev. Entre os nomes citados nas conversas está o empresário Timur Mindich, a produtora Kvartal 95, que discute a construção de moradias para o ex-primeiro-ministro Shmyhal e para o ex-chefe de gabinete Andrii Yermak, assim como para uma figura tratada pelo diminutivo Vova. Nas fitas é revelado que o empreiteiro terá abandonado a obra da casa de Zelensky porque o presidente não pagava salários há dois meses. As repercussões políticas foram imediatas. Andrii Yermak apresentou a demissão e vários envolvidos, incluindo Mindich, fugiram para Israel, onde aguardam processo de extradição. O caso atinge ainda o ministro da Defesa, Rustem Umerov, que aparece nas gravações a discutir contratos militares com a empresa Firepoint, também suspeita de corrupção. Embora o envolvimento direto de Zelensky não esteja formalmente provado, o escândalo rebenta num momento crítico e ameaça qualquer tentativa de recandidatura no pós-guerra. A revelação de que o presidente poderá ter tido conhecimento de desvios massivos de dinheiro para fins privados abala a confiança dos aliados e surge numa altura em que cresce o alarme em Kiev sobre as garantias futuras de segurança.

Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.