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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" para acompanhar a situação de guerra no Médio Oriente. Eu sou o Miguel Gato, hoje a edição é com o Carlos Pedro. Olá, Carlos.
Boa tarde, Miguel.
Voltamos a olhar para mais um episódio de contradições entre norte-americanos e iranianos. Donald Trump disse que hoje começaria uma nova ronda de discussão entre os dois países, mas Teerão diz que isso não é bem verdade, não está a haver negociações.
Sim, foi a bordo do seu Air Force One que Trump anunciou um novo encontro para discutir o conflito com o Irão e foi também a bordo do avião presidencial que o líder da Casa Branca deu conta de um acordo alcançado entre as duas partes para o estreito de Ormuz.
Estávamos completamente preparados para avançar nesse momento. Ia ser um ataque massivo. Tínhamos tudo pronto, mas quando os nossos aliados nos pediram para cancelar, ficamos a pensar: "Bem, vamos ver". E a razão pela qual o pediram é porque acreditam que há um acordo, há um acordo sobre Ormuz e depois haverá um acordo sobre a questão nuclear ou, se preferirem, sobre a desnuclearização do Irão. Eu chamo-lhe a desnuclearização do Irão.
Donald Trump a dizer que quanto à questão nuclear, isso terá de ficar para depois. O presidente dos Estados Unidos disse ainda que voltou atrás na ideia de atacar Teerão na última noite. Em causa alegados pedidos dos aliados árabes que evitaram, diz Trump, o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial. Certo é que o Irão já veio contradizer o presidente dos Estados Unidos. Os meios de comunicação do Médio Oriente destacam as declarações de Esmail Baghaei, o porta-voz da diplomacia iraniana, diz que o país não está em negociações com Washington, está, isso sim, em negociações com Omã.
E em causa nestas negociações com Omã está a passagem pelo estreito de Ormuz.
Exatamente, mas aqui com diferenças também para o que foi veiculado por Donald Trump. Ora o Irão diz que o acordo alcançado com Omã não é para já suficiente para reabrir o estreito de Ormuz, isto enquanto os norte-americanos continuarem com a agressão no Médio Oriente. Ainda assim, é deixada a garantia de que Irão e Omã continuam a discutir uma via de navegação segura em Ormuz.
Vamos ao jornal Iran International, dá destaque à janela diplomática que se abriu este fim de semana na guerra.
Sim, e para isso terá contribuído o ataque cancelado contra o Irão. Este meio de comunicação iraniano diz que Trump cancelou o ataque depois de perceber que decorre a bom ritmo as negociações entre Teerão e Omã, isto apesar de nada ter sido de facto alcançado.
Mas Carlos, Trump terá apresentado este fim de semana outra proposta para a reabertura de Ormuz.
Sim, que é basicamente um pedido para o retomar das negociações entre os dois países. A proposta reabriria o estreito de Ormuz e também interromperia os ataques em toda a região, incluindo os ataques de milícias apoiadas pelo Irão no Iraque contra países do Golfo Pérsico e a Jordânia, disse a fonte oficial da Casa Branca, a Associated Press. Em troca, Washington encerraria o bloqueio naval e permitiria também que Teerão exportasse o próprio petróleo, conforme o acordo provisório de cessar-fogo. Certo é que o Irão tem preferido ouvir Omã.
E a verdade é que os aliados dos Estados Unidos têm um papel importante na mediação deste conflito.
Sim, daí Trump ter mencionado os pedidos dos aliados árabes para que houvesse um cessar das hostilidades. Arábia Saudita, Qatar e Jordânia têm apelado à diplomacia por medo de ser desencadeada uma escalada regional mais ampla e assim danificar instalações petrolíferas nos estados do Golfo Pérsico. Ainda assim, há outros países que insistem noutra via menos pacífica. É o caso dos Emirados Árabes Unidos, que, diz o Wall Street Journal, têm pressionado Donald Trump a tomar medidas mais decisivas contra o Irão. Abu Dhabi diz que a Guarda Revolucionária Islâmica não vai ceder até que os Estados Unidos intensifiquem o conflito.
E Carlos, falamos agora da cooperação China-Irão. A imprensa iraniana diz que a ajuda de Pequim tem diminuído a superioridade aérea dos Estados Unidos.
Tudo por causa dos MANPADS, sistemas portáteis de defesa aérea que a China possui e que o Irão já começou a garantir. Inclusive, terá sido graças a este tipo de munições que um caça F-15 norte-americano foi abatido no sudoeste do Irão. Estas armas chinesas são relativamente baratas e podem tornar as futuras campanhas aéreas dos Estados Unidos e também de Israel mais perigosas e caras, diz o Iran International. O Irão já foi acusado de fornecer MANPADS a grupos armados como os Houthis e o Hezbollah, o que aumenta também o risco constante de estes mísseis portáteis representarem uma ameaça também à aviação civil em todo o mundo. A China tem negado o envio deste tipo de armas ao Irão.
Ponto final no episódio de hoje da "Guerra Traduzida" sobre o conflito no Irão. Hoje a edição foi com o jornalista Carlos Pedro.