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Começa agora mais uma edição da Guerra Traduzida, mais um episódio especial para acompanhar a situação no Irão. Nos próximos minutos passamos em revista os jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. A edição de hoje é do jornalista Carlos Pedro. Olá, Carlos.

Olá, Miguel.

Carlos, o conflito acontece no Médio Oriente, mas nos últimos dias o foco esteve na China com o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. É com isso que vamos começar este episódio de hoje e com um dado curioso: Trump partiu rumo aos Estados Unidos sem que no avião tivesse entrado um único objeto chinês.

A informação foi relatada pela repórter Emily Goodin, do New York Post, a bordo do Air Force One. A jornalista escreve que todos os membros da delegação norte-americana deitaram num caixote do lixo todos os objetos que lhe tinham sido entregues por chineses. Falamos de crachás e pins que foram dados aos norte-americanos para que se identificassem durante a cimeira. Também os telemóveis utilizados pelo staff da Casa Branca foram aparelhos para utilização apenas durante aquele evento. Por esta altura, também estarão no lixo.

Falamos desta cimeira entre Donald Trump e Xi Jinping, porque os dois líderes discutiram o conflito no Irão.

E os dois concordam numa coisa: o Irão não deve ter acesso a uma arma nuclear, ou melhor, em duas coisas. Para além disso, também o estreito de Ormuz tem que ser aberto, defendem os dois países. Ainda assim, o encontro terminou sem ser acordada nenhuma ajuda em concreto para terminar com o conflito. A China divulgou, por meio do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país, um comunicado no qual esclarece um pouco a posição oficial do país. Diz que a guerra nunca deveria ter acontecido e que não tem nenhuma razão para continuar. A China apoia, por isso, os esforços para a obtenção de um acordo de paz.

Mas, Carlos, os analistas citados pela agência Reuters duvidam desse esforço chinês.

Sobretudo devido ao valor do Irão para Pequim, como um contrapeso estratégico para os Estados Unidos, já que a China é o principal país importador do petróleo iraniano e um parceiro importante de Teerão. Ainda assim, de acordo com as declarações de Donald Trump à Fox News, a China vai mesmo comprar petróleo norte-americano, sem que isso signifique algum compromisso específico da China com o fim do conflito no Médio Oriente, porque esse compromisso, de facto, não há. Dizer ainda que desde a China, Trump voltou a deixar um recado ao Irão, diz que não será paciente por muito mais tempo.

Na imprensa iraniana, o ministro dos Negócios Estrangeiros do país destaca o papel do BRICS na segurança do Golfo Pérsico.

Foi durante uma reunião com o homólogo russo, Abbas Araqchi e Sergei Lavrov discutiram o atual estado das relações entre Irão e Rússia, os desenvolvimentos regionais e ainda a cooperação multilateral. O Irão enfatiza a importância de expandir a cooperação regional e internacional, incluindo os 11 países do mercado emergente. As duas partes destacaram também o potencial e o papel construtivo destes países, dos BRICS, na segurança coletiva do Golfo Pérsico. Noutras declarações, o chefe da diplomacia iraniana duvidou da seriedade dos Estados Unidos nestas negociações. Assume o impasse com os norte-americanos acerca da forma como se deve ou não lidar com o urânio enriquecido.

A fechar com uma notícia da Bloomberg, os Emirados Árabes Unidos terão tentado convencer outros Estados do Golfo a atacar o Irão em conjunto no início da guerra.

É o que diz um relatório citado pela Bloomberg. De acordo com este site de notícias, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, conversou ao telefone com outros líderes da região, incluindo o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, defendendo uma campanha conjunta. No entanto, os homólogos da região do Golfo terão recusado esta sugestão. Esta resposta pode explicar também as recentes rupturas entre os Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo, incluindo a decisão do país no mês passado de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. A Bloomberg informa também, citando fontes familiarizadas com o assunto, que a Arábia Saudita atacou o Irão em março, mas logo depois mudou de posição e passou a apoiar os esforços de mediação liderados pelo Paquistão.

É o ponto final em mais uma edição da Guerra Traduzida sobre o conflito no Médio Oriente, desta vez com a edição do jornalista Carlos Pedro.