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Guerra traduzida na Rádio Observador. Estamos no dia 460 da invasão. Hoje vamos começar com a imprensa da Rússia. É um trabalho do jornalista Rui Casanova, feito em estreita colaboração com a Larissa Tovmazian. Rui, boa tarde. Quais os destaques da imprensa estatal russa desta segunda-feira?
Boa tarde, Miguel. Começamos com Vladimir Putin. O presidente russo assinou uma lei que permite a realização de eleições em regiões onde a lei marcial foi introduzida. O documento foi publicado esta manhã no portal de informação jurídica do Kremlin. De acordo com esta nova lei, a realização de eleições e referendos nos territórios durante a lei marcial vai ser possível após um acordo com a Comissão Eleitoral Central da Federação Russa, o Ministério da Defesa e o Serviço Federal de Segurança da Rússia, portanto, vários organismos interligados nesta questão. É uma notícia em destaque no jornal estatal russo KP.
Seguimos com os ataques da última noite em Kiev outra vez, Rui.
Sim, a capital ucraniana esteve debaixo de novos bombardeamentos russos esta madrugada. É uma notícia em destaque na agência estatal RIA. Não é muito habitual a imprensa estatal dar este tipo de notícias de ataques da Rússia à Ucrânia, mas por vezes acontece, é o caso. A agência estatal RIA cita o autarca de Kiev, que escreveu no Telegram, passo a citar: "Explosões na cidade, em zonas centrais, fiquem em segurança". Não há, para já, ainda informações oficiais sobre vítimas ou danos. Certo é que a imprensa estatal russa está a dar destaque a estes bombardeamentos da última noite da Rússia a Kiev.
Estes ataques também estão em destaque no canal S Motrin. É assim que se pronuncia?
Sim, mais um canal estatal russo que escreve que Kiev sofreu na última noite o mais poderoso ataque de drones desde o início da operação militar especial. O S Motrin cita o chefe da administração militar de Kiev, Sergei Popko. É novamente curioso o fato de a imprensa estatal russa estar a citar autoridades ucranianas para dar destaque a estes ataques e é oferecida aqui uma justificação por parte da imprensa estatal russa para estes ataques. Tanto o canal S Motrin como a Agência RIA escrevem que a Rússia começou a infligir estes ataques massivos contra alvos ucranianos em 10 de outubro do ano passado. Isto a propósito do ataque terrorista da Ucrânia à ponte da Crimeia. A imprensa estatal russa a dar uma justificação para o porquê de a Rússia estar a atacar a Ucrânia. Ou seja, para a imprensa estatal russa, estes ataques não duram desde o início da guerra, mas sim desde outubro, quando, de acordo com Moscovo, a Ucrânia atacou esta ponte na Crimeia.
A imprensa estatal russa, Rui, que já aqui referiste e que também não passa ao lado das eleições turcas.
Sim, o Conselho Eleitoral da Turquia confirmou a vitória de Recep Erdoğan à segunda volta das eleições presidenciais, que decorreram ontem à noite. Recep Erdoğan foi reeleito com 52% dos votos e inicia agora um inédito terceiro mandato. A agência estatal russa RIA falou com uma fonte da administração do líder turco, que afirma que Erdoğan vai continuar a tentar resolver o conflito na Ucrânia. Desde o início da guerra que a Turquia tem servido como mediador. Já serviu como mediador no acordo de exportação de cereais, o acordo assinado entre Ucrânia e Rússia com mediação da Turquia e da ONU. Agora, após esta reeleição de Recep Erdoğan, fonte da administração do líder turco afirma à Agência RIA que o tema da Ucrânia e o tema da mediação turca vai continuar a ser uma prioridade na política externa da Turquia. Esta fonte afirma mesmo que Erdoğan é talvez o único líder mundial que mantém uma relação de confiança tanto com o líder da Rússia como com o líder da Ucrânia. E afirma que o acordo de cereais vai continuar a ser uma prioridade para Recep Erdoğan. A imprensa estatal russa a dar destaque às eleições na Turquia, mas claro, também para o lado de Moscovo.
E já é habitual, Rui, vamos fechar com a imprensa livre da Rússia.
Sim, com destaque para o canal Medusa, que traz uma notícia que indica que o Ministério da Administração Interna da Rússia colocou o senador norte-americano Lindsey Graham na lista de procurados de Moscovo, de acordo com o Código Penal da Federação Russa. A 28 de maio, ontem, o chefe do Comitê de Investigação da Federação Russa tinha ordenado um processo criminal contra Lindsey Graham. Em causa, de acordo com Moscovo, estão declarações russofóbicas deste senador norte-americano, que agora é alvo desta penalização, entre aspas, foi colocado na lista de procurados da Rússia. É uma notícia em destaque no canal independente Medusa.
E é com esta notícia que fechamos este episódio. Já a seguir, Guerra Traduzida, versão Ucrânia.