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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o jornalista Martim Madeira. Martim, boa noite. Começamos pela imprensa ucraniana. Os enviados de Donald Trump preparam uma visita a Kiev nos próximos dias.

Boa noite. Este é um dos principais destaques do dia no jornal The Kyiv Independent. O presidente Volodymyr Zelensky revelou que os diplomatas Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados especiais de Donald Trump, estão a planear deslocar-se a Kiev muito em breve. Esta deslocação estratégica está a ser coordenada em paralelo com uma outra viagem que os enviados também pretendem realizar, que é a Moscovo, para terem reuniões. Para as autoridades ucranianas, esta aproximação é de extrema importância para apresentar diretamente os planos e preocupações à nova equipa de administração americana, tendendo a assegurar que o apoio militar e financeiro se mantenha firme.

Martim, Zelensky decidiu demitir os vice-chefes das secretas e das informações militares após um tiroteio em Kiev.

Segundo avança hoje o jornal Ukrayinska Pravda, os secretários adjuntos do Serviço de Cibersegurança da Ucrânia, o SBU, e do organismo de informações militares, o GUR, vão ser formalmente destituídos dos seus cargos por ordem presidencial. Esta decisão de Zelensky é uma consequência direta de um grave e vergonhoso incidente, como escreve o jornal, ocorrido na capital, onde agentes destas duas instituições se envolveram numa discussão que depois acabou num tiroteio na via pública, provocando três feridos. O presidente ucraniano exigiu de imediato a abertura de um inquérito rigoroso para apurar todas as responsabilidades sobre o caso. Para as chefias políticas em Kiev, este conflito interno entre forças de segurança é intolerável num momento em que o país exige coesão máxima para enfrentar a ofensiva russa.

E seguimos com o primeiro-ministro ucraniano, que faz uma apresentação sobre o estado das finanças públicas ucranianas.

O jornal The New Voice of Ukraine relata hoje que a última intervenção do primeiro-ministro Serhii Korentskyi perante os deputados caiu como um verdadeiro banho de água fria sobre a liderança política de Kiev, é o que escreve o The New Voice of Ukraine. Korentskyi apresentou um cenário económico realista e preocupante, alertando que a ajuda financeira internacional e os fundos atuais não são suficientes para cobrir o déficit orçamental do Estado ucraniano, que tem vindo a crescer. O governo está agora a tentar acelerar a aprovação de uma nova legislação fiscal e aduaneira, que é uma condição obrigatória para garantir o desbloqueio de novos pacotes de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, do FMI. Sem estas reformas fiscais imediatas, a Ucrânia corre o risco sério de perder milhares de milhões de dólares em financiamentos cruciais para manter a máquina do Estado e a defesa militar em funcionamento.

E esta quinta-feira, um ataque russo com drones atingiu uma fábrica da Coca-Cola na região de Kiev.

De acordo com as informações publicadas pelo jornal The Kyiv Independent, as forças russas realizaram um ataque com drones que atingiu diretamente as instalações de uma fábrica de engarrafamento da Coca-Cola nos arredores de Kiev. A incursão provocou ferimentos em pelo menos nove pessoas, incluindo seis profissionais de saúde, que se encontravam de serviço no local e que tiveram de ser hospitalizados. Este bombardeamento marca o oitavo dia consecutivo de ataques aéreos russos contra a região da capital ucraniana, mantendo sempre a população civil sob um alerta constante. As autoridades ucranianas continuam a denunciar que estas ações russas visam deliberadamente enfraquecer a atividade económica do país e perturbar o normal funcionamento das redes de abastecimento.

E falando de ataques russos, a Rússia ataca instalações de extração de gás e petróleo da estatal Naftogaz.

Como adianta o jornal Ukrayinska Pravda, as forças russas realizaram uma série de bombardeamentos direcionados contra empresas e instalações de extração de recursos da companhia estatal ucraniana petrolífera Naftogaz. A administração da Naftogaz confirmou a ocorrência destes ataques e admitiu que se registaram danos materiais significativos nas estruturas de produção. Embora as equipas de emergência e a segurança tenham agido com rapidez para mitigar os impactos, esta ação insere-se numa estratégia russa mais ampla de fustigar as fontes de energia ucranianas, uma pressão que o governo de Kiev tenta combater ao apelar aos aliados pelo fornecimento urgente de mais baterias e mísseis intercetores para os sistemas de defesa aérea Patriot.

E são estes os principais destaques de hoje da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com os destaques dos jornais russos.