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Guerra traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Diana Rosa, boa noite.

Boa noite, Matilde.

Começas pelos jornais da Rússia. A Europa caminha rapidamente para uma guerra com a Rússia, é o que afirma o representante permanente de Moscovo na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

Dmitry Polyanskiy afirma que muitos países europeus tornaram-se bases de retaguarda para as Forças Armadas Ucranianas. Diz que ao apoiar as manifestações da ideologia nazi na Ucrânia, a Europa caminha rapidamente para um conflito militar com Moscovo. A narrativa deste diplomata vai mais longe. Polyanskiy diz que ao flertar com neonazis ucranianos e apoiá-los, os europeus estão a semear as sementes de um conflito e se essas raízes se criarem, a diplomacia não vai ser capaz de resolver o problema. Acrescenta Polyanskiy que a Europa está a tentar minar todas as iniciativas de paz realistas, injectar armas no regime de Kiev, aumentar a presença militar perto das fronteiras da Rússia e persuadir o público europeu de que uma guerra com Moscovo é inevitável.

A censura estatal russa agiu rapidamente para ocultar indicadores graves da crise económica interna que começa a afectar as empresas e os orçamentos regionais.

Segundo os dados oficiais divulgados pela Agência Nacional de Estatísticas, a Rosstat, os salários em atraso na Rússia quase duplicaram em termos homólogos, atingindo o montante recorde de 2.900 milhões de rublos. Embora os jornais proeminentes como oKomsomolskaya Pravda e o Kommersant tenham publicado inicialmente notícias sobre este pico alarmante de 35% em apenas um mês, as peças foram silenciosamente removidas das páginas da internet. Foi revelado que as agências estatais TASS e RIA receberam instruções expressas das autoridades para ignorar de forma absoluta estes dados financeiros desfavoráveis. O aumento exponencial destas dívidas expõe as profundas fendas estruturais causadas pelo esforço financeiro de guerra, forçando o Kremlin a intensificar o controle e a censura sobre toda e qualquer informação de âmbito macroeconómico.

As agências de notícias estatais russas, incluindo a TASS e a RIA Novosti, reduziram também de forma drástica a cobertura mediática sobre o presidente Vladimir Putin desde o início de 2026.

De acordo com levantamentos de órgãos de investigação independentes, as menções ao líder russo nos canais oficiais caíram para menos de metade em comparação com o ano passado. Esta quebra abrupta de exposição pública começou logo depois do anúncio de um alegado ataque de drones ucranianos contra a residência presidencial em Valdai, no final do ano passado. Fontes ligadas ao Kremlin revelam que Putin está profundamente preocupado com a sua segurança pessoal, tendo praticamente cessado todas as deslocações internacionais e viagens para fora da região de Moscovo. Atualmente, o presidente russo passa semanas inteiras isolado em bunkers altamente fortificados e actualizados, situados na província de Krasnodar, sob protecção extremamente apertada do Serviço de Protecção Federal, o que sinaliza o seu extremo isolamento físico e político.

A guerra traduzida volta já a seguir para a segunda parte com o que diz a imprensa da Ucrânia.