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Começa agora mais um episódio da Guerra Traduzida para acompanhar o conflito no Irão. Hoje novamente com o jornalista Carlos Pedro. Eu sou o Miguel Gato. Carlos, boa tarde.
Boa tarde, Miguel.
Carlos, o conflito entre Estados Unidos e o Irão completa hoje meio ano, seis meses, e os principais objetivos de Washington continuam por cumprir.
Sim, neste caso, o objetivo de eliminar o programa nuclear iraniano ou provocar uma mudança de regime em Teerão. O que fica para já deste conflito é uma crise energética mundial com consequências à escala global no custo de vida das populações e um Médio Oriente ainda mais instável. Fica também na retina o dilema político de Donald Trump a meses das eleições intercalares de novembro, com destaque para a operação Fúria Épica, anunciada por Trump no final de fevereiro, quando os Estados Unidos, em conjunto com Israel, lançaram ataques aéreos em grande escala contra instalações militares nucleares e também dirigentes iranianos.
À cabeça, a morte do líder supremo Ali Khamenei, que deixou o país de luto durante mais de um mês e, a partir daí, altos e baixos.
Washington justificou a intervenção com a necessidade de impedir o Irão de adquirir uma arma nuclear, depois de negociações em Omã terem fracassado perante a recusa de Teerão em abdicar do enriquecimento de urânio. Trump apresentou inicialmente a operação como rápida e decisiva. Em março, o presidente dos Estados Unidos dizia que estava quase concluída. Em abril, proclamava uma vitória total e depois, em maio, comunicava ao Congresso o fim das hostilidades diretas. Não se confirmaram, mas Trump anunciou, ou foi anunciando, vários acordos ou cortes que Teerão negava ou que acabavam por não se concretizar. Em junho, deu-se um novo entendimento, mas menos de um mês depois recomeçavam as hostilidades. A batalha tornou-se mais econômica e energética do que bélica, criando dificuldades para os navios que transportam petróleo pelo estreito de Ormuz, bloqueado tanto pelo Irão como pelos Estados Unidos. Com os entraves no canal, por onde passava cerca de 20% do petróleo e gás consumido em todo o mundo, os preços do barril do petróleo dispararam e continuam a oscilar entre subidas e descidas ligeiras. Já mais recentemente, Trump anunciou a Operação Pátria Econômico contra o Irão. O objetivo? Impor sanções a todos os que façam negócios com o regime de Teerão.
Seguimos olhando para o quadro geral deste conflito. Ao longo dos últimos seis meses, os analistas consultados pela Al Jazeera duvidam da queda do regime iraniano, Carlos.
Sim, não é uma hipótese muito forte para estes analistas, mas sim a ideia de que este conflito vai, de facto, prolongar-se por um período de estagnação e desgaste. O artigo assinado pelo repórter Simon Spickman Cordell destaca a crescente tensão entre os rebeldes houthis do Iêmen e a Arábia Saudita. Destaca também a estagnação de potências rivais como Índia e China e a forma como o Médio Oriente é constituído por alianças em constante mudança. Destaque recente para o acordo de defesa assinado entre Turquia, Paquistão e Arábia Saudita. Os especialistas consultados pela Al Jazeera apontam para o primeiro de muitos pactos militares deste tipo assinados na região.
Vamos seguir com declarações do presidente dos Estados Unidos, que continua a dizer que o estreito de Ormuz está aberto.
Trump diz que o estupor, em referência ao canal de Ormuz, está aberto. É a palavra utilizada pelo líder da Casa Branca em declarações à Axios. Trump diz também que a resposta iraniana tem sido muito branda e também o exército norte-americano diz que o estreito de Ormuz está livre de minas e aberto. Ainda assim, as forças armadas norte-americanas alertam que as circunstâncias das operações são desafiantes e perigosas.
Já o Irão, Carlos, diz querer retomar a diplomacia com os Estados Unidos, mas sem pressão.
É o que diz o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi. Afirma que não é impossível retomar o caminho diplomático com os Estados Unidos, mas defende que isso depende de Washington compreender que a pressão não funciona. Numa publicação na rede social X, Araqchi defendeu que os Estados Unidos devem construir confiança, falar com respeito, reconhecer os direitos dos iranianos e cumprir os compromissos firmados. O Irão diz mesmo que a pressão econômica dos norte-americanos é terrorismo de Estado e um crime contra a humanidade. Em comunicado, a diplomacia de Teerão pede a intervenção da comunidade internacional, incluindo das Nações Unidas, para tomarem ações contra a pressão econômica dos Estados Unidos.
Fechamos a Guerra Traduzida, especial Irão desta sexta-feira, hoje com as mais recentes da guerra e também com um balanço dos últimos seis meses do conflito entre Estados Unidos e o Irão. A edição de hoje esteve a cargo do Carlos Pedro.