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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida", uma edição dedicada à guerra no Irão. Vamos passar em revista alguns dos principais jornais do Médio Oriente e também dos Estados Unidos. A edição de hoje é do Carlos Pedro. Carlos, vamos começar com uma manchete do New York Times, que levanta uma preocupação quanto aos estoques de armas que estão a começar a esgotar-se.

E é fácil perceber por quê. Aqui em causa está a guerra com o Irão no Médio Oriente, que tem exigido muito do ponto de vista militar aos Estados Unidos. A reportagem assinada pelos jornalistas Eric Schmitt e Jonathan Swan, do New York Times, aponta para mais de mil mísseis de longo alcance, que estavam inicialmente projetados para uma eventual guerra com a China, mas que foram utilizados nas últimas semanas. Este balanço refere ainda que foram disparados mais de mil mísseis Tomahawk, 10 vezes mais do que a quantidade comprada anualmente pelos Estados Unidos, e ainda mais de 1200 mísseis de interseção Patriot, aqui com um custo que supera os US$ 4 milhões por cada míssil.

A verdade é que este conflito tem deixado os estoques com níveis muito baixos, o que tem motivado, por consequência, alguma apreensão do Departamento de Defesa e também do Congresso norte-americano.

Sobretudo porque a Casa Branca foi obrigada a enviar diversos tipos de munições para o Médio Oriente a partir de comandos regionais estabelecidos na Ásia e mesmo na Europa, o que deixa estes comandos regionais menos protegidos contra eventuais ataques de países como Rússia ou China. As autoridades do Pentágono recusam-se a estimar o custo do conflito até o momento, mas dois grupos independentes afirmam que a despesa é exorbitante, entre os US$ 28 e os US$ 35 mil milhões, ou pouco menos de US$ 1 bilhão por dia.

Seguimos com a Al Jazeera. Donald Trump não definiu nenhum prazo para o cessar-fogo com o Irão, mas há pelo menos uma data limite que deve fazer preocupar o presidente norte-americano. Carlos, a pergunta é: qual é essa data limite?

Tem até ao dia 1 de maio, ou seja, até sexta-feira da próxima semana, para obter a aprovação da chamada Lei dos Poderes de Guerra por parte do Congresso norte-americano. Trata-se de uma lei federal que limita a capacidade do presidente norte-americano de destacar forças armadas para conflitos fora do país sem o consentimento do Congresso. Ou seja, Trump terá de receber essa autorização por parte do Senado e da Câmara dos Representantes se quiser continuar esta guerra com o Irão. Recordo que já este mês o Senado dos Estados Unidos rejeitou uma resolução proposta pelo Partido Democrata que impediria Trump de ordenar novos ataques contra Teerão.

No entanto, Carlos, essa lei, nota a Al Jazeera, já foi ignorada pelos antecessores de Donald Trump.

Sim, aliás, na prática, desde 1973, os presidentes dos Estados Unidos têm passado por cima desta resolução. Bill Clinton, por exemplo, autorizou diversas operações militares na década de 90, no Iraque e na Somália, e em 99, o mesmo Clinton enviou forças americanas para a antiga Jugoslávia devido à limpeza étnica de albaneses kosovares pelos sérvios, sem obter a aprovação do Congresso. Também durante a campanha militar dos Estados Unidos na Líbia, entre março e junho de 2011, o governo de Barack Obama argumentou que a missão não se enquadrava na definição legal de hostilidades, de acordo com a resolução sobre poderes de guerra, ignorando, pois claro, também a aprovação do Congresso. A pergunta que se impõe nesta altura é: pode ou não Donald Trump contornar a aprovação do Congresso? E a resposta é sim, através da autorização para o uso da força militar, que fornece outra base legal para a continuidade das operações em Teerão. Digamos que concede ao presidente norte-americano o poder para usar a força a fim de atingir fins ou objetivos específicos. Aliás, este mecanismo já foi utilizado pelo próprio Donald Trump em 2020, no assassinato do general iraniano Qassem Soleimani.

Ainda na imprensa do Médio Oriente, a agência Tasnim destaca a mensagem do Aiatola do Irão, Mostaba Khamenei.

Tem sido pouco interventivo publicamente o líder supremo do Irão. Sabe-se que está ferido, mas consciente, diz Teerão. Ontem, Mostaba Khamenei recorreu ao X para assinalar a solidariedade sem precedentes do povo iraniano, que diz estar a frustrar os objetivos dos inimigos que tentam minar o Irão. O líder supremo iraniano chama a atenção também para uma guerra psicológica promovida por Washington. Na quinta-feira, os três chefes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Irão emitiram uma resposta conjunta ao presidente dos Estados Unidos, denunciando as declarações de Donald Trump sobre as divisões entre extremistas e moderados no Irão como provocações injustificadas.

E a fechar esta "Guerra Traduzida", vamos espreitar para a imprensa libanesa com a ajuda, Carlos, do jornal Naharnet.

Que cita uma notícia da Associated Press que aponta para uma divisão de opiniões em Israel acerca do cessar-fogo com o Líbano. Ontem, Donald Trump anunciou o prolongamento do interregno das hostilidades por mais três semanas. No entanto, moradores de Jerusalém e Tel Aviv, diz o jornal Naharnet, expressam opiniões diversas sobre essas negociações entre Israel e o Líbano. Há quem apele à diplomacia, distinguir o Líbano do Hezbollah, e há quem seja mais cético, principalmente em relação ao papel do grupo militar apoiado pelo Irão.

Tudo contado nesta edição da "Guerra Traduzida" especial Irão, que regressa na próxima semana.