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Dia 8 de maio de 2023, o dia 439 da invasão russa à Ucrânia. Mais um episódio de "Guerra Traduzida". Vamos começar com a imprensa russa, um trabalho do jornalista Rui Casanova, que tem, como sempre, a colaboração de Larissa Tovmazian. Boa tarde, Rui.

Boa tarde.

E hoje o destaque, ou grande destaque nos jornais russos, é a celebração do 9 de Maio.

Sim, boa tarde. Toda a imprensa de Moscovo tem hoje informações sobre este dia, o dia 9 de maio, Dia da Vitória, as grandes celebrações em que a Rússia assinala a vitória sobre a Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial. Foi há 78 anos, em 1945, uma data que é conhecida na Rússia como a Grande Guerra Patriótica. Ora, o Dia da Vitória Aliada sobre os nazistas é comemorado no Ocidente esta segunda-feira, 8 de maio, na Rússia um dia depois, ou seja, amanhã, 9 de maio. É sempre assinalado este dia na Rússia, em Moscovo, com paradas militares e também discursos patrióticos, neste caso de Vladimir Putin.

E na véspera do Dia da Vitória russo, Vladimir Putin dá os parabéns a vários países.

Sim, países aliados da Rússia, como por exemplo o Turcomenistão, Uzbequistão ou Moldávia. Numa mensagem publicada esta manhã no site do Kremlin, o presidente russo afirma que é dever moral de todos estes países preservar as tradições de amizade entre eles. Isto para não permitir, diz Putin, que a verdade histórica sobre a Grande Guerra Patriótica seja distorcida. É uma notícia em destaque no jornal "Izvestia".

E do outro lado, Volodymyr Zelensky pretende alterar a data deste Dia da Vitória.

Sim, o presidente ucraniano submeteu ao Parlamento Ucraniano uma proposta de lei para que o Dia da Vitória passe a ser celebrado na Ucrânia a 8 de maio, como fazem os países ocidentais, e não a 9 de maio, como faz a Rússia. Portanto, aqui Volodymyr Zelensky a tentar distanciar-se de Moscovo. Esta é uma notícia em destaque no jornal estatal "KP", mas também na imprensa independente russa, como o canal Meduza. Vai ser uma notícia em destaque mais tarde no episódio "Guerra Traduzida" versão Ucrânia. Já lá vamos. Volodymyr Zelensky faz este anúncio numa mensagem publicada no Telegram. Sublinha que foi a 8 de maio que o acordo de rendição entrou em vigor, embora na União Soviética só tenha sido celebrado no dia seguinte, uma tradição que se manteve em todos os países do espaço pós-soviético. O presidente Volodymyr Zelensky assinou ainda um decreto que estabelece o Dia da Europa na Ucrânia como um dia celebrado a 9 de maio, uma data que já é assinalada no Ocidente. Um feriado internacional de paz e unidade nos países da União Europeia também na Ucrânia, é o que defende o presidente Volodymyr Zelensky, que assim, resumindo, tenta distanciar-se da Rússia e aproximar-se da União Europeia.

E depois destas declarações do presidente da Ucrânia, a Rússia reagiu, e com críticas.

Sim, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia descreve o presidente ucraniano como o Judas do século XXI. É a expressão utilizada por Maria Zakharova, citada pelo jornal russo "KP". Para a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o presidente ucraniano está a trair os antepassados ao tentar inverter as datas destas celebrações. Passo a citar as declarações de Maria Zakharova: "O que poderia ser pior do que um inimigo, um traidor? Aqui está Volodymyr Zelensky, a nova encarnação de Judas no século XXI". É a reação da porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, depois de Volodymyr Zelensky anunciar a substituição do Dia da Grande Vitória pelo Dia da Europa a 9 de maio, ou seja, amanhã.

E entretanto, a presidente da Comissão Europeia vai a Kiev precisamente amanhã e já tem reunião agendada com Zelensky.

A data é simbólica. Como já dissemos, o dia 9 de maio é o Dia da Europa no Ocidente. Foi esta a data escolhida por Ursula von der Leyen para fazer a quinta visita à Ucrânia. Kiev vai encontrar-se com Volodymyr Zelensky. Já na Rússia, amanhã é o dia 9 de maio, um dia habitualmente utilizado por Vladimir Putin para galvanizar o apoio popular, habitualmente com grandes paradas e discursos patrióticos. É neste contexto que Ursula von der Leyen vai a Kiev. O anúncio foi feito esta manhã em Bruxelas por um porta-voz da Comissão Europeia, que afirma que o objetivo desta nova visita de Ursula von der Leyen à Ucrânia é reafirmar o apoio inabalável dos 27 a Kiev.

E no terreno, a guerra e os ataques continuam. O presidente da Câmara da capital ucraniana afirma que ontem à noite a cidade sofreu o maior ataque desde o início da invasão.

São declarações de Vitali Klitschko, o autarca de Kiev, à televisão ucraniana e declarações aqui citadas pela agência russa RIA. O autarca fala num ataque massivo, o maior desde o início da guerra. Esta notícia da agência estatal russa RIA tem muito pouca informação, diz apenas que ontem à noite a imprensa ucraniana falava em explosões fortes em diferentes cidades e regiões, incluindo Kiev.

Este vai ser um tema em destaque no próximo episódio da "Guerra Traduzida", versão Ucrânia.