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"Guerra Traduzida", trabalho do jornalista João Filipe Cruz, com colaboração de Larissa Tovmazian, numa análise à imprensa russa deste dia 25 de setembro. Sendo que, João, para começar, a imprensa russa dá hoje destaque a uma porta deixada em aberto por eventuais entrevistas de Vladimir Putin a órgãos de comunicação social do Ocidente.
É uma porta aberta pelo porta-voz do Kremlin. Apesar de prever essa possibilidade, Dmitry Peskov, na habitual ronda pela imprensa diária, descarta que isso aconteça no imediato, porque, por agora, os mídia ocidentais não concebem o ponto de vista do presidente russo sobre os vários temas que acontecem no mundo. Isto é a frase ipsiss verbis do porta-voz do líder do Kremlin. Ainda assim, o momento para uma entrevista, incluindo a jornais ou jornalistas norte-americanos, virá. Peskov insiste que os países ocidentais estão demasiado mergulhados na propaganda de ódio a Moscovo e, neste caso, hoje, no dia 25 de setembro, esta segunda-feira, o porta-voz do Kremlin foi especificamente questionado sobre se Putin podia vir a ser entrevistado pelo jornalista norte-americano Tucker Carlson, e Peskov responde logo: "E por que Tucker Carlson?" Porque este antigo jornalista e apresentador da Fox News alegou numa entrevista recente a um jornal suíço que foi impedido pelo governo norte-americano de entrevistar por variadíssimas vezes. Ele diz mesmo que tentou várias vezes e foi impedido por Washington de entrevistar Vladimir Putin. Há esta porta aberta para eventuais entrevistas ao líder do Kremlin por parte de órgãos ocidentais, logo se verá.
Vamos ver o que é que acontece. Do terreno, chega a notícia de que foram destruídos drones ucranianos na região russa de Belgorod.
Dois drones que sobrevoavam esta região a norte de Kharkiv. A informação foi avançada pelo Ministério Russo de Defesa, aqui citado pela rádio pública Kommersant Pravda. Aconteceu já durante esta tarde de segunda-feira. O Kremlin acrescenta que um outro drone foi abatido sobre o Mar Negro e ainda em Belgorod, o governador da região adianta que houve um bombardeamento que feriu uma pessoa. Aconteceu na cidade de Shebekino, que é muito próxima da fronteira com a Ucrânia. A explosão deu-se numa estrada, teve impacto nos vidros de um carro onde seguia essa pessoa que ficou ferida, que recusou ser hospitalizada. Isto de acordo com Vyacheslav Gladkov, o governador de Belgorod, citado também pelo KP.
Da imprensa russa chega também a notícia de que a Ucrânia recebeu tanques britânicos não totalmente equipados.
E a notícia é da revista Forbes, que foi citada também pela Kommersant Pravda. O Reino Unido enviou Challengers 2 sem parte da armadura da frente, não encontro outra expressão senão esta. E esta falta torna-os, à partida, alvos fáceis para os sistemas antitanques russos. De acordo com o autor do artigo, é estranho que o Reino Unido tenha cedido estes veículos de combate nessas condições, com um ponto fraco na dianteira, que foi claro explorado pelas forças russas, particularmente durante a ofensiva de verão da Ucrânia. O Kommersant Pravda recorda ainda que Kiev dispensou, por assim dizer, ou deixou de usar, melhor dizendo, um lote de tanques alemães Leopard 1 A5 porque estavam, e estou a citar, "em más condições para combate".
A imprensa russa traz também hoje um apanhado de alguns artistas críticos do Kremlin que fugiram do país.
E o título, Miguel, da Agência Estatal Ria Novosti é curioso, porque no fundo pergunta porque não se afogam. É este mesmo o título. E depois faz o tal apanhado de algumas personalidades que saíram ou fugiram da Rússia e diz como estão hoje, como estão a viver hoje. A lista é encabeçada pelo ator Alexei Panin, que está na lista dos procurados do Ministério da Administração Interna desde maio. Foi detido recentemente na Estónia por desacatos, o ator ter-se-á envolvido numa rixa de bar. Tentou entrar em casas enquanto estava embriagado e a Ria Novosti, a agência estatal, recorda que Panin não é estranho a polémicas e já tinha inclusivamente estado envolvido numa rixa em pleno voo e expressou por múltiplas vezes alguma ambiguidade quanto à vitória da União Soviética na Grande Guerra. A agência prossegue e dá outros exemplos do ator Anatoly Bely e da cantora de ópera Anna Netrebko, que viram algumas atuações no estrangeiro canceladas. Também o comediante Maxim Galkin, que terá dificuldades em manter espetáculos no Cazaquistão, embora os faça, e teve também um espetáculo cancelado na Estónia.
Para terminar, vamos à imprensa independente da Rússia, que hoje destaca um aviso do Conselho da Federação Russa a uma senadora que viajou para um país NATO sem autorização.
E aqui convém relembrarmos que está vigente na Rússia há algum tempo a necessidade de não só os senadores, mas também os deputados da Duma, terem que pedir autorização para se deslocarem a um país se não for em trabalho essa viagem. E hoje esta notícia vem em destaque, de facto, no independente Meduza. Trata-se de Lyudmila Narusova, que se deslocou para Istambul, na Turquia, um país NATO. Antes de regressar à Rússia, passou ainda pela cidade francesa de Nice e de acordo com o Comitê de Regras e Organização das Atividades Parlamentares desse Conselho da Federação Russa, estas viagens não foram coordenadas com o presidente do Senado. Narusova, de acordo com o Meduza, recusou prestar esclarecimentos à agência estatal Ria Novosti com o argumento de que não comenta falsas notícias e de acordo com uma outra agência estatal também citada pelo Meduza, neste caso a TASS, esta não é a primeira viagem polêmica desta senadora, que esteve em Espanha no início de agosto. A filha de Narusova publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que estava em Marbella com a mãe e Narusova apareceu de facto nas imagens em fundo. Por sua vez, a senadora disse depois que estava em São Petersburgo e não em Espanha nessa altura.
Notícia de fecho nesta revista de imprensa russa.