Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos todos os dias os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Eu sou o Miguel Cordeiro, estou com a Diana Rosa. Diana, boa noite.
Boa noite, Miguel.
Vamos começar pelos jornais da Rússia e com o alegado mal-estar entre Sergei Lavrov e Vladimir Putin. O Kremlin viu-se obrigado a pronunciar-se depois de notícias que deram conta de um atrito entre os dois.
Sim, há títulos dos jornais russos que questionam mesmo, e passo a citar: "Lavrov caiu em desgraça com Putin". E por quê? Porque há especulações de que a diplomacia do ministro russo dos Negócios Estrangeiros teria levado ao cancelamento das negociações de paz entre a Rússia e os Estados Unidos. Quem é que falou para desmentir tudo isto? O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, garante que não há nenhum fundo de verdade nesses relatos. As suspeitas começaram depois de Lavrov ter estado ausente de uma importante reunião do Kremlin nesta semana, da qual normalmente iria participar, e Putin escolheu outra pessoa para participar numa cúpula do G20 na África do Sul, ainda este mês. Há duas semanas que o Ministério dos Negócios Estrangeiros não divulga a agenda oficial do ministro. Dmitry Peskov diz que Sergei Lavrov vai continuar, certamente, a exercer o cargo, apesar destes sinais, e são vários. Os relatos de que Putin estava insatisfeito com o desempenho de Lavrov surgiram depois do presidente dos Estados Unidos ter cancelado, de forma abrupta, a reunião planeada com o líder russo em Budapeste no mês passado. Ia também participar Viktor Orbán. A imprensa afirma que o encontro foi cancelado depois de uma conversa tensa entre Lavrov e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acrescentando que os dois funcionários ficaram impressionados com a intransigência de Lavrov. Há também artigos que adiantam que o ministro russo está claramente cansado, que parece achar que tem coisas melhores pra fazer do que se encontrar ou dialogar com os Estados Unidos, independente do que o presidente Putin queira. Outro sinal, Lavrov já não vai liderar a delegação russa na próxima cúpula do G20. Como disse, é uma função que vai ser desempenhada por Maxim Oreshkin, vice-chefe da administração presidencial. O jornal "Kommersant" diz que o ministro perdeu o apoio de Putin e parece ser, neste momento, o elo mais fraco.
Entretanto, a Rússia critica o que diz serem sinais contraditórios dos Estados Unidos da América sobre testes nucleares e pede clarificação da posição que Washington defende relativamente a essas armas.
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, notou que os sinais saídos dos Estados Unidos levantam preocupações legítimas um pouco por todo o mundo e acusa os norte-americanos de serem controversos. Zakharova garantiu que as agências russas estão a acompanhar as ações dos Estados Unidos e de outros países na esfera nuclear, é o que diz a agência TASS. Alertou ainda que uma aposta nuclear norte-americana vai criar uma dinâmica negativa e vai provocar ações de outros países, incluindo a Rússia. Já na semana passada, o presidente norte-americano ordenou que o exército retomasse o processo para testar armas nucleares. Em resposta, o homólogo russo reuniu o Conselho de Segurança e anunciou que o país vai iniciar preparativos para testes nucleares em larga escala.
E os esforços para resolver o conflito na Ucrânia estagnaram devido à retância de Kyiv, é o que diz o Kremlin.
Dmitry Peskov também afirmou que atualmente não existe absolutamente nenhuma confiança entre a Rússia e a Ucrânia. Diz que o problema de Kiev é seguir o caminho político e diplomático às provocações europeias. Peskov, em nome do Kremlin, considera que o Ocidente está interessado em manter as hostilidades e até mesmo os Estados Unidos, depois do enviado norte-americano Steve Witkoff ter dito que se trata de um conflito difícil de resolver. O representante norte-americano lamenta ainda que não existe essa confiança entre as duas partes, Rússia e Ucrânia, uma ideia que é corroborada pelo Kremlin. Peskov diz que não há qualquer margem pra isso.
Moscovo e Kyiv acordaram um cessar-fogo localizado, neste caso, para reparar a central nuclear de Zaporizhzhia.
O objetivo é evitar um eventual acidente nuclear, claro está. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Nuclear diz ter mediado os esforços do cessar-fogo local, que está sob controle das tropas russas desde 2022, quando começou a guerra. O acordo, que permitiu hoje o início das operações de desminagem e outros preparativos junto a uma das linhas elétricas, cortada há seis meses, foi alcançado duas semanas depois de o fornecimento energético à central ter sido restaurado. Eu lembro que as instalações estiveram às escuras durante um mês. De acordo com a Agência Internacional, os trabalhos de reparação vão arrancar amanhã, com o objetivo de voltar a conectar a linha à central nos próximos dias, o que dará à instalação o acesso a duas linhas de fornecimento elétrico, depois de ter sido reparada em outubro, a linha Dniprovska.
São os destaques da imprensa russa.