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Guerra traduzida na Rádio Observador. Analisamos todos os dias os destaques da imprensa russa e ucraniana sobre a invasão e hoje vamos começar com a imprensa da Rússia. O João Filipe Cruz já aqui está, o autor deste trabalho. João, boa tarde.
Boa tarde, Miguel.
Contaste, como sempre, com a preciosa colaboração da Larissa Tovmazian. João, Vladimir Putin falou e o que disse que Moscovo está a defender a história, cultura e língua russa.
Incluindo no Donbass e na Nova Rússia, que é também conhecida como a União das Repúblicas Populares. Foi um projeto para uma confederação entre a autoproclamada República Popular de Donetsk e a República Popular de Luhansk, no leste da Ucrânia, e foi num discurso na reunião com os novos membros da Câmara Pública da Rússia. Citado pelo jornal estatal Izvestia, o líder do Kremlin deixou claro que está a defender os valores morais, a história, a cultura e a língua, o que inclui a ajuda que está a ser dada, diz Putin, aos irmãos que há no Donbass e na Nova Rússia. Putin deu ainda os parabéns aos russos na véspera de mais um Dia da Unidade Nacional, um feriado com grande significado, assegurou o presidente russo, que acrescenta que em vários momentos da história, a unidade do povo foi fulcral para o desenvolvimento do país.
As forças russas destruíram, entretanto, 10 aeronaves militares das forças de Kiev em território ucraniano. Isto só na última semana.
São contas do Ministério Russo da Defesa, estão em destaque na rádio estatal Kommersant. Um helicóptero ucraniano também foi abatido e nota ainda para a destruição de hangars de treino de aviação ucranianos, fábricas de drones e ainda de militares mercenários. Ou seja, foram mortos militares que não ucranianos, mercenários. Ainda de acordo com este balanço do Ministério da Defesa da Rússia. No total, foram 15 ataques conjuntos de alta precisão.
Na imprensa russa, destaque ainda para os danos no aeroporto de Makhachkala depois dos protestos de sábado.
Em que milhares de pessoas invadiram o aeroporto num protesto pró-Palestina, a propósito da chegada de um voo proveniente de Israel a esta cidade russa. O comitê que investigou este caso, citado pelo jornal estatal RBC, estima que a multidão tenha provocado danos de centenas de milhões de rublos, e que é importante referir que 100 milhões de rublos correspondem a mais ou menos 1 milhão de euros. O comitê continua a trabalhar para aprofundar o valor exato dos estragos e acrescentou que mais de 20 suspeitos foram identificados e as autoridades nesse dia, no sábado, interrogaram dezenas de pessoas que estiveram nesse protesto no aeroporto.
E a Rússia deixou de ser informada por Israel sobre os ataques na Síria.
É uma notícia em destaque também no jornal estatal RBC, que neste caso cita a agência Bloomberg. As forças israelitas estão a bombardear alvos em território sírio, alvos que consideram estar relacionados com o Irão e também com o Hezbollah, e nem sempre as autoridades de Tel Aviv avisam o Kremlin sobre estes ataques, o que acontecia antes. E também adensa as já difíceis relações entre Israel e a Rússia. O jornal RBC acrescenta também que já questionou os Ministérios Russos da Defesa e dos Negócios Estrangeiros e está à espera de resposta.
Abrimos agora espaço, como é habitual, aos mais independentes russos. Hoje com uma entrevista a um candidato presidencial ucraniano.
E é importante começarmos por dizer que as eleições estão em dúvida, estão envoltas em dúvidas, estão marcadas pra março, mas ninguém sabe se vão acontecer de facto, por razões óbvias. A Ucrânia está em guerra. Quem já tomou a dianteira nesta corrida, ou pelo menos tomou o primeiro passo pra se assumir um candidato, foi Alexei Arestovych. É um dos mais reconhecidos políticos ucranianos durante a guerra. Foi entrevistado pelo portal independente russo Meduza. É uma entrevista extensa em que Arestovych explica que é imperativo que as eleições acabem por acontecer, porque o ano que vem, 2024, é um ano de eleições importantes em aliados e também nos inimigos. Há presidenciais russas, há presidenciais norte-americanas e há também eleições no Parlamento Europeu. E por isso, este candidato presidencial ucraniano entende que se não acontecerem as eleições na Ucrânia, o poder não pode ser legitimado e isso representa, claro, um risco. Arestovych explica também por que é que abandonou a equipe de conselheiros de Zelensky. Ele esteve lá, integrou-a desde o início. Refere que percebeu que estava a ser vigiado e escutado. Não só ele, mas também pessoas da ala de pensamentos deste candidato às presidenciais ucranianas. E também é importante, Miguel, referir que no último ano, Arestovych assumiu-se como um dos rostos principais da oposição a Volodymyr Zelensky. Chegou a dada altura a dizer que um míssil russo podia ter atingido um prédio em Dnieper, porque foi abatido pelas forças ucranianas, portanto, desviou a rota, e estas posições que foi assumindo foram muitas vezes por muitos ucranianos consideradas pró-Rússia.
E é com essas posições que fechamos esta guerra traduzida. Já a seguir olhamos para a imprensa ucraniana.