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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa, hoje com edição da jornalista Diana Rosa. Olá, Diana.

Bom dia, António.

Olá. Vais começar então pelos jornais da Rússia. Vladimir Putin está disponível para negociar com a Europa sobre o conflito e sobre a segurança europeia.

O jornal russo Izvestia indica que o porta-voz do Kremlin afirma que a arquitetura de defesa do continente é impossível sem a participação dos países europeus. De acordo com Moscovo, as discussões que têm surgido na Europa sobre a possibilidade de um mediador são vistas como sinal positivo. Já houve vários mediadores indicados, um dos últimos Angela Merkel, antiga chanceler alemã. E isto acontece numa altura em que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia vão discutir a forma de abordar eventuais negociações com a Rússia, um encontro que está marcado para amanhã.

E a Rússia exactamente ameaça suspender ou rescindir o histórico acordo energético de cooperação de 2013, que garante à Arménia o fornecimento isento de taxas alfandegárias, de gás natural, produtos petrolíferos e diamantes brutos. Em causa está a aproximação deste país à União Europeia.

A confirmação da pressão diplomática foi dada pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, detalhando que a embaixada russa em Erevan entregou uma carta oficial do ministro da Energia para formalizar a intenção de Moscovo em rever o acordo. Esta retaliação surge em resposta directa à aproximação da Arménia à União Europeia, numa altura em que o país se prepara para eleições legislativas. O primeiro-ministro arménio respondeu prontamente às ameaças, considerando ilógico que a Rússia tente intimidar o país com a perspectiva de preços de energia elevados. Pashinyan enfatizou que a eventual integração europeia vai trazer um volume financeiro significativamente maior, capaz de mitigar os custos energéticos adicionais.

E seguimos com a notícia de uma cidadã moscovita que foi condenada a três anos de prisão por ter partilhado um vídeo humorístico com bolo de Páscoa.

Sim, a repressão interna na Rússia, António, continua a intensificar-se com o caso de Ksenia Belousova, uma mulher de 27 anos que foi condenada pelo Tribunal de Lefortovo. Publicou no Instagram um vídeo humorístico onde utilizou um kulich, o tradicional bolo de Páscoa ortodoxo, para servir de base a um cachimbo de água oriental. Foi uma brincadeira. Na gravação, entretanto eliminada, a jovem brincava dizendo que o próprio Cristo ressuscitaria com aquele preparado. O tribunal considerou esta atitude muito grave, uma grave ofensa aos sentimentos religiosos. O juiz de Moscovo optou por acumular esta nova condenação com uma anterior pena suspensa por posse de estupefacientes, o que obrigou a jovem a cumprir pena de prisão efetiva. O caso ilustra o rigor implacável da censura russa, uma vez que o pai de Belousova, por exemplo, é um reputado oficial da polícia e o irmão é até um militar condecorado que está a combater na Ucrânia.

E Diana, Vladimir Putin promulgou o perdão de dívidas financeiras para novos recrutas militares.

O presidente russo assinou um decreto-lei de incentivo militar desenhado para amortizar as pesadas perdas humanas, sem recorrer a mobilizações forçadas em massa. A nova lei perdoa até 140 mil dólares em dívidas pessoais acumuladas para que os cidadãos que optem por assinar novos acordos de serviço militar com as Forças Armadas russas possam então ingressar sem dívidas. Este perdão, que abrange também os respetivos cônjuges, constitui uma agressiva medida financeira do Kremlin para aliciar novos combatentes voluntários, num período em que a economia doméstica russa se encontra sob forte tensão. Ao amortizar as dívidas dos recrutas, o Kremlin procura focar os esforços de alistamento junto de classes populares endividadas. A estratégia surge numa conjuntura crítica, em que o exército de Moscovo regista baixas pesadas e que o Ocidente estima em dezenas de milhares de soldados mortos ou gravemente feridos mensalmente na frente ucraniana, exigindo, obviamente, uma renovação contínua de forças.

São estes então os destaques dos meios de comunicação russos. A Guerra Traduzida volta já a seguir para a segunda parte. Vamos saber o que é que diz a imprensa ucraniana.