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Começa agora mais um episódio da Guerra Traduzida, edição especial Irão. Vamos saber o que dizem os jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. A edição hoje é do Carlos Pedro e vamos começar por olhar pra Al Jazeera. O portal destaca que a China vai beneficiando da guerra por demonstrar que é diferente dos Estados Unidos.

Em causa a posição diferente de parte a parte, a Al Jazeera nota uma posição mais ponderada do lado de Pequim, numa reportagem em destaque no site. Analistas consideram que a China está a ter uma abordagem diferente para passar a imagem da superpotência mais responsável do mundo, preferindo ficar nos bastidores em detrimento de estar no centro das atenções. Gedalia Avterman, líder do programa de política Ásia e Israel, do Instituto Aba Ebren para Diplomacia e Negócios Estrangeiros, é um destes especialistas que considera que a China é, até ver, o grande vitorioso desta guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão.

E sobre o estreito de Ormuz, a China é perentória: deve ser aberta à passagem normal.

Até porque é algo que serve os interesses comuns dos países da região e da comunidade internacional. É uma abordagem pragmática adotada por Pequim, que contrasta com a agressividade de Donald Trump. De acordo com a Comissão Econômica e de Segurança dos Estados Unidos, a China é o maior parceiro comercial do Irão, compra até 90% do petróleo iraniano e em 2021 assinou um acordo de parceria estratégica abrangente de 25 anos com Teerão.

Mas as boas relações da China no Médio Oriente não ficam por aqui, Carlos.

E a Al Jazeera chama a atenção para este fato, realçando que nos últimos 10 anos, Pequim cultivou boas relações com Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos. Aliás, a China espera e deseja a paz e a estabilidade do Médio Oriente, particularmente ao redor do estreito de Ormuz, porque diz Chang Ching, um investigador da Sociedade de Estudos Estratégicos em Taipei, no Taiwan, diz que a paz é boa para os negócios enquanto a guerra não.

Continuamos a falar do Irão, mas agora o destaque vai para o Times of Israel. O jornal alega que o regime iraniano estará dividido sobre os termos para o fim da guerra.

Fruto, sobretudo, das dúvidas criadas à volta do regime após a morte do aiatolá Ali Khamenei. A grande vitória do regime foi a própria sobrevivência do regime após a morte de Khamenei. São 54 dias de guerra, sendo que o aiatolá morreu logo no primeiro dia de ataques. As dúvidas quanto ao papel do novo líder supremo, Mostaba Khamenei, são várias, inclusive face ao estado de saúde do próprio, já que ainda não apareceu em público desde que assumiu a liderança do país e permanece um mistério a forma como dará ou não ordens aos restantes líderes do país. Esta análise do Times of Israel refere que o Irão está abertamente empenhado em destruir Israel, financia e arma grupos terroristas, incluindo o Hamas e o Hezbollah, que compartilham precisamente o objetivo de acabar com Tel Aviv. A mesma reportagem aponta ainda ao Irão o fato de o país manter um programa nuclear clandestino. Dizer ainda que no centro do poder iraniano está agora um órgão semelhante a um Conselho Supremo de Segurança Nacional, que inclui os principais funcionários civis e militares do Irão. Mohammed Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e veterano influente com fortes contactos em todos os lados do país, emergiu como uma figura pública e o principal negociador com os Estados Unidos, conta também o Times of Israel.

E seguimos com um comunicado da Guarda Revolucionária Islâmica, citado pela agência de notícias Tasnim.

Faz anos, este grupo militar que se descreve como a poderosa força popular pronta pra alcançar grandes conquistas contra um inimigo agressivo e não confiável, aqui numa referência aos Estados Unidos e a Israel, é um comunicado de partilha de orgulho, basicamente, sobre a recente guerra no país. O grupo militar saúda os ataques com mísseis e drones, que dizem ter deixado as forças israelitas e norte-americanas pressionadas e enfraquecidas. O texto sublinha ainda que a Guarda Revolucionária Islâmica permanece no mais alto nível de prontidão e determinação para continuar a luta. Alerta que qualquer novo ato de agressão será respondido com ações imediatas, decisivas e esmagadoras, incluindo ataques que descrevem como golpes inimagináveis contra os inimigos na região.

E a fechar, Carlos, rápido olhar sobre o Líbano, que vive ecos da guerra civil.

É o que destaca uma reportagem da agência Reuters desde Beirute. A fuga dos milhares de libaneses do país desde a invasão a sul pelo exército israelita e a crescente tensão no país tem levado a população de volta pra década de 70, quando eclodiu a guerra civil no país. A Reuters aponta para uma profunda inimizade entre o Hezbollah e a oposição interna no Líbano, o que estará a colocar a sociedade libanesa à beira do colapso. Esta reportagem aborda ainda o anúncio de cessar-fogo na semana passada. Sublinha um alívio, mas nota que ficam questões cruciais por responder, nomeadamente o problema da presença israelita no sul do Líbano.