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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com José Rafael Lopes. Eu sou a Rita Camarneiro e vamos começar pela imprensa russa, que faz o rescaldo de mais um ataque ucraniano com o uso de drones.
Um grande ataque de drones contra várias regiões da Rússia. É dessa forma que é descrito na imprensa do país. Segundo o Ministério da Defesa russo, citado pelos principais meios de comunicação, durante a noite foram abatidos quase 400 drones ucranianos sobre 16 regiões russas. Os mídia destacam a dimensão do ataque e referem que na região de Voronezh morreu um homem depois dos destroços de um drone terem atingido a zona. Outras duas pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas. Já em Rostov, as autoridades dizem ter repelido um ataque com mais de 60 drones perto de Moscovo. A defesa antiaérea abateu 13 aparelhos. O presidente da Câmara de Moscovo diz que desde o início da semana, mais de 200 drones já foram abatidos quando estavam a caminho da capital russa. A imprensa do país noticia ainda danos provocados pelos destroços e incêndios em instalações de armazenamento da Wildberries, que tem sido um dos alvos preferenciais da Ucrânia nos últimos dias.
E ainda sobre a guerra, o Ministério da Defesa russa anunciou novos ataques contra alvos na Ucrânia.
A imprensa russa acompanha também esses novos ataques russos contra a Ucrânia. O Kommersant diz que o Ministério da Defesa informou terem atingido instalações do complexo industrial militar em Kiev e na região de Zaporíjia. Na mesma sequência de notícias, o Ministério da Defesa russo anunciou também um ataque contra uma embarcação de patrulha das forças ucranianas no Mar Negro. A informação é apresentada com base em comunicados do Ministério da Defesa. A operação militar na Ucrânia, o termo utilizado pela Rússia para a guerra, continua assim entre os principais temas das notícias nesta terça-feira nos meios de comunicação russos, juntamente com a informação sobre ataques de drones contra território russo. Já falamos deles aqui na "Guerra Traduzida". A Agência TASS tem também um artigo sobre a evolução da operação militar. Entre os destaques da cobertura diária, fala em avanços russos em território ucraniano.
E a libertação de um cidadão norte-americano está em destaque na Rússia.
Trata-se de Robert Gilman, antigo fuzileiro norte-americano condenado na Rússia. A TASS noticia que Vladimir Putin concordou com a libertação de Gilman por razões humanitárias. A imprensa russa diz que não houve uma troca por um cidadão russo, mas que Gilman foi libertado após um pedido direto de Donald Trump a Vladimir Putin. A notícia é também destacada pelo Kommersant, que refere que o Departamento de Estado norte-americano confirmou a libertação de Gilman. Há ainda notícias que dão conta de que este ex-fuzileiro foi libertado para poder receber tratamento nos Estados Unidos, embora não exista um único jornal que diga que doença é que está a afetar este antigo fuzileiro norte-americano, Gilman.
José, continuamos a falar de Donald Trump nesta revista, pelo que diz a imprensa russa.
Com uma notícia do RIA Novosti, que diz que o presidente dos Estados Unidos pode entregar à Ucrânia caças de combate que terão sido comprados pelos Estados Unidos para uso próprio. Citam uma alegada declaração de Donald Trump, onde o líder dos Estados Unidos terá dito que pode mesmo vir a ceder os caças que foram comprados a pensar nas forças militares norte-americanas. Há também uma suposta promessa de ceder mais armamento e munições às forças ucranianas. A imprensa russa admite que há países europeus que podem seguir o exemplo e transferir caças para a Ucrânia, situação que é apontada como uma forma de se intrometerem de forma direta no conflito entre os dois países. A RIA Novosti salienta que o presidente norte-americano não especificou se estava a falar de novos aviões vendidos à Europa, com possibilidade de serem mais tarde transferidos para Kiev, ou de aeronaves que já tenham sido entregues à Ucrânia. Ainda assim, aponta a imprensa russa que essa decisão, caso se confirme, significa um aumento de tensão na guerra.
E fechamos a revista da imprensa russa com o aumento do déficit.
Que chegou a mais de 6000 milhões de rublos, a moeda russa. Segundo os dados preliminares do Ministério das Finanças da Rússia, citados pela Interfax e pela Vedomosti, o orçamento russo registou entre janeiro e julho um déficit de mais de 6000 milhões de rublos. Equivale a 2,8% do PIB, o Produto Interno Bruto da Rússia. O déficit previsto na lei do orçamento para todo o ano é de perto de 4000 milhões. O Ministério das Finanças explica que o valor elevado do déficit está relacionado sobretudo com o financiamento antecipado das despesas. As receitas orçamentais aumentaram 8,8% face ao mesmo período do ano passado. Já as receitas não relacionadas com petróleo e gás aumentaram, enquanto as receitas de petróleo e gás diminuíram quase 17%. Em nenhum momento neste artigo é referido o impacto da guerra ou das sanções do Ocidente que estão a ser aplicadas à Rússia.
Está feita a "Guerra Traduzida" versão Rússia. Voltamos a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.