Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.

Boa noite, Beatriz.

Começamos com a imprensa da Ucrânia. A Rússia avançou na cidade de Huliaipole, em Zaporizhzhia. As forças ucranianas retiram-se.

A Rússia continua, Beatriz, a avançar ao longo da linha da frente. A própria Ucrânia admite isso mesmo. Na região de Zaporizhzhia, as forças russas tentam agora controlar totalmente a zona urbana com recurso a grupos de infantaria. É o que avançou a Ukrayinska Pravda, que cita o grupo de monitorização de guerra DeepState. "O inimigo", diz este grupo, "continua a tomar a cidade, enviando pequenos grupos de infantaria para ações de assalto". De acordo com o DeepState, os avanços russos acabaram por forçar os combatentes das Forças de Defesa da Ucrânia a abandonar as respectivas posições. Com a parte leste da cidade já tomada pelas forças russas, os combatentes prosseguem na zona oeste. Huliaipole, Beatriz, tinha cerca de 13 mil habitantes antes do início da guerra.

E Diana, a Ucrânia só consegue assegurar dois terços do consumo de electricidade do país.

Por causa dos ataques que a Rússia tem levado a cabo contra a infraestrutura energética. De acordo com o presidente da Ucrânia, a capacidade do sistema eléctrico é de 11 GW, enquanto o consumo da Ucrânia ronda os 18 GW. São realizados trabalhos de reparação depois de cada ataque. Não tem sido fácil, porque têm sido muitos ataques e há muitos dias, de forma consecutiva, que a Ucrânia tem tido várias regiões, nomeadamente Kiev, parcialmente às escuras. Tem havido um grande número de equipas a fazer reparação, mas não podem fazer tudo sozinhas, é um trabalho complexo. É o que diz também Volodymyr Zelensky, citado pela Ukrayinska Pravda, acrescentando que mesmo a capacidade de importação de electricidade foi afectada pelos ataques russos contra as centrais eléctricas da Ucrânia.

E, entretanto, uma delegação ucraniana vai viajar para os Estados Unidos para continuar as negociações sobre garantias de segurança.

E é já nos próximos dias, Beatriz. Para dar continuidade às negociações com os responsáveis norte-americanos, escreve o Kyiv Independent, que cita também Volodymyr Zelensky. A delegação inclui Rustem Umerov, o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, Kyrylo Budanov, que é chefe do gabinete de Zelensky, e David Arakhamia, líder parlamentar do partido Servo do Povo, partido de Volodymyr Zelensky. Nas negociações, a Ucrânia espera obter mais esclarecimentos sobre documentos que elaborou em conjunto com os Estados Unidos e sobre a resposta da Rússia a todo esse trabalho diplomático. Zelensky defende que é preciso finalizar os documentos sobre as garantias de segurança e a reconstrução da Ucrânia. Acrescenta que, se houver consenso em torno destes temas, poderão ser assinados estes acordos no Fórum Económico Mundial, que vai decorrer em Davos, na Suíça, na próxima semana.

E mais de metade dos ucranianos apoia um referendo sobre um acordo de paz com a Rússia.

É o que indica o Kyiv Independent. De acordo com o inquérito levado a cabo pelo Instituto Nacional de Sociologia de Kiev, 55% dos ucranianos apoiam essa ideia de realizar um referendo sobre o tema, 14% mostram-se indecisos e 32% rejeitam essa possibilidade. Em meados de dezembro, o presidente ucraniano afirmava que qualquer cedência de território tinha que ser decidida pelo povo. No entanto, sob a lei marcial que se mantém em vigor há quase quatro anos, não é possível a realização de eleições nem de referendos. Deixa-me só acrescentar aqui, Beatriz, que temos visto ao longo destes quatro anos de guerra várias sondagens, vários estudos relativamente a qual seria a permeabilidade da sociedade ucraniana para realizar um referendo, para pensar se eventualmente poderia ser ou não atribuída uma parte territorial à Rússia. E tem estado a subir o número de pessoas que acolhe essa possibilidade em prol do fim da guerra. As pessoas estão cansadas, no fundo, é isso.

E fica por aqui a primeira parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com a imprensa russa.