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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa, hoje com a edição da jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.

Boa noite, António.

Vais então começar pela imprensa da Rússia. Moscovo e a China chegaram a um consenso sobre o gasoduto Power of Siberia 2.

Anunciou esta quarta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. O Power of Siberia trata-se de um plano para um gasoduto que liga os terrenos de extração de gás natural da Sibéria às regiões do interior da China e que deverá transportar até 50 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano para a China. Peskov afirma que, apesar de haver ainda algumas nuances a resolver, já existe um entendimento sobre o traçado do gasoduto e o método de construção. O acordo esteve parado durante anos devido a desacordos sobre o preço, mas no início desta semana a imprensa internacional indicou que a imprensa russa Gazprom e a China National Petroleum Corporation tinham assinado um acordo preliminar. Passando pela Mongólia, a partir dos campos de gás de Yamal, na Rússia, o volume transportado pelo gasoduto vai corresponder a cerca de 12% do consumo total de gás da China, de acordo com as estimativas.

E as refinarias de petróleo na região central da Rússia foram forçadas a suspender totalmente as operações ou a reduzir drasticamente a produção de combustível. Isto depois de uma onda de ataques com drones nas últimas duas semanas.

Uma notícia do Moscow Times. A Rússia já proibiu as exportações de gasolina até ao dia 31 de julho, enquanto a Ucrânia intensifica os ataques contra as instalações de energia em todo o país, numa tentativa de privar o Kremlin dos lucros inesperados provenientes da subida dos preços do petróleo. O número de refinarias atingidas por drones ucranianos duplicou desde o início do ano. Diversas e importantes refinarias na região central da Rússia, um polo refino crucial que abastece o mercado interno e contribui com uma parcela substancial das exportações de combustível, praticamente paralisaram as atividades este mês. Entre as grandes refinarias visadas estavam as unidades de Kirishi, Moscovo, Nizhny Novgorod, Ryazan e Yaroslavl.

E seguimos com uma notícia que relata que o Serviço de Informações Estrangeiras da Rússia afirma que os militares ucranianos planeiam usar o território da Letónia como base de lançamento para ataques contínuos com drones contra a Rússia.

Uma alegação que as autoridades do país báltico rejeitaram prontamente. Em comunicado, o SVR acusou o governo da Letónia de concordar em permitir que a Ucrânia disparasse drones de dentro do país, apesar dos temores de se tornar um alvo da retaliação de Moscovo. Afirma a agência que a russofobia primitiva das atuais governantes da Letónia provou ser mais forte do que a sua capacidade de pensamento crítico ou senso de autopreservação. O Serviço de Vigilância da Rússia afirmou que as tropas da unidade de drones ucraniana já haviam sido enviadas para cinco bases militares da Letónia. Numa ameaça velada, a agência afirmou que a localização dos centros de tomada de decisão da Letónia é bem conhecida pela Rússia e que a adesão à NATO não vai proteger os cúmplices de terroristas de uma justa retaliação. Estou aqui a citar. Em resposta, a ministra da Letónia dos Negócios Estrangeiros acusa o SVR de conduzir uma campanha de desinformação, garante que a Rússia está novamente a mentir.

E Diana, os gastos confidenciais da Rússia aumentaram para valores pós-soviéticos.

O orçamento federal de Moscovo regista um aumento drástico nas despesas confidenciais de segurança e defesa, impulsionado pelo elevado custo do esforço militar na guerra contra a Ucrânia. De acordo com os dados do Instituto Gaidar, as despesas secretas do orçamento dispararam para 28,6% em 2025, quase que duplicou face aos 15,1% registados em 2021, antes do início da ofensiva. Paralelamente, no plano comercial e energético, o diretor do Departamento de Cooperação Económica do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia alertou à Ria Novosti que Moscovo vai definir os fornecimentos de gás natural à Europa estritamente em função dos seus próprios interesses geopolíticos e económicos em cada cenário específico. O responsável critica o que diz ser a hipocrisia de certos líderes europeus que declararam rejeitar os hidrocarbonetos de Moscovo, mas continuam a tentar adquiri-los de forma indireta, sugerindo uma possível recusa no fornecimento.

São então estas algumas das notícias que estão nos meios de comunicação russos hoje. Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa da Ucrânia.