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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, dia 16 de junho de 2023, é o dia 478 da invasão. Vamos olhar pra imprensa russa. Este é um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, em colaboração com Larissa Tovmazian. João, começamos com uma garantia do governador pró-russo de Kherson, que diz que qualquer tentativa de invasão por parte dos ucranianos vai falhar.
Está mesmo condenada a isso. É a expressão que usa Volodymyr Saldo, citado pela rádio estatal russa Kommersant Pravda. Nessas declarações, o governador plantado por Moscovo em Kherson assegura também que a situação na linha da frente desta região está sob controle das tropas afetas à Rússia. Saldo acrescenta que as águas da barragem de Kakhovka já regressaram também ao rio Dnepr.
E é em Luhansk que as tropas russas desativaram uma bomba de uma tonelada.
Uma notícia em destaque no jornal estatal Vesti, que explica que a operação decorreu depois de uma informação que foi recebida pelos serviços secretos russos, que ajudaram a detectar este engenho escondido pelas Forças Armadas da Ucrânia. De acordo com as forças russas, a bomba era composta por 40 sacos de 25 quilos de nitrato, uma caixa de dinamite e também um detonador. No mesmo local, e de acordo com a guarda russa, foram também encontrados uniformes militares ucranianos.
E passamos pras notícias relacionadas com os aliados da Ucrânia, porque à Rússia chega a preocupação norte-americana com a eficiência das táticas utilizadas pelas forças de Moscovo.
É uma informação partilhada pela agência estatal russa Ria Novosti, que neste caso cita um artigo de um colunista do New York Times, Andrew Kramer. Nesse artigo, este colunista cita a opinião de um especialista do Instituto para o Estudo da Política Externa. Esse especialista defende que as Forças Armadas ucranianas estão a perder demasiados homens e equipamento devido a esta estratégia russa. Essa estratégia tem como propósito causar estragos a unidades ucranianas e recuar a tempo de não ter grandes perdas. No fundo, é chegar, destruir, ir embora. Logo, os russos estão a tentar destruir dessa forma o máximo de equipamento ucraniano antes que os ucranianos consigam lá chegar. E de acordo com este observador norte-americano, a Ucrânia corre efetivamente o risco de perder demasiados soldados recém-treinados e também demasiado equipamento militar se a tática russa continuar a surtir efeitos. Este artigo da Ria relembra também as palavras de Vladimir Putin aquando do começo desta contraofensiva ucraniana, e lembra que o líder do Kremlin garantiu que as perdas da Ucrânia iam ser catastróficas.
E a Alemanha não tem mais verbas pra ajudar a Ucrânia.
É uma informação avançada pelo ministro alemão das Finanças, que faz eco na imprensa de Moscovo e, no caso, na agência estatal russa Ria Novosti, que cita um jornal alemão, o Welt. Christian Lindner refere que devido aos cortes impostos no orçamento do Estado alemão, o país está impossibilitado de fazer contribuições adicionais para o orçamento da União Europeia, orçamento esse que serve também, de alguma forma, para apoiar ou continuar a apoiar a Ucrânia. A agência russa escreve também que, de acordo com a Comissão Europeia, este orçamento a longo prazo da União está esticado até o limite, também devido à ajuda fornecida a Kiev. Ao mesmo tempo, a Ria nota que o Ocidente não tem intenções, ainda assim, de abandonar o apoio à Ucrânia e relembra palavras recentes do líder da diplomacia da União, Josep Borrell, que referiu a necessidade de capacitar os ucranianos de armas mais modernas.
Como é habitual, João, terminamos com os órgãos independentes russos, onde encontramos uma notícia que iremos também analisar na versão ucraniana da "Guerra Traduzida", e que está relacionada com o ataque russo a Kiev, e que obrigou uma delegação africana a procurar abrigo.
Os sinais ou as sirenes de alerta de ataque aéreo soaram pouco depois das 9:00, hora em Lisboa, em Portugal continental. Terminado esse alerta, começaram a surgir as primeiras notícias do rescaldo desse ataque. De acordo com a Força Aérea ucraniana, foram abatidos seis mísseis Kinzhal e outros seis mísseis cruzeiro Kalibre, e também dois drones. De acordo com o autarca de Kiev, não há danos a registrar depois do ataque na capital, na cidade de Kiev. Klitschko esclareceu que as explosões foram ouvidas no distrito de Podilskyi e estão relacionadas essencialmente com o trabalho de defesa da Força Aérea. As informações foram avançadas através do Telegram, pelos canais oficiais de Kiev. E durante este ataque, nesta manhã de sexta-feira, houve necessidade da comitiva da delegação de paz africana de se abrigar. Estava agendado, ou está agendado um acordo com o presidente Volodymyr Zelensky, os líderes africanos, e aqui o portal independente Meduza cita a agência Reuters, que tem um correspondente no local, e que diz que foram transportados pra um hotel, onde se refugiaram num abrigo antiaéreo. Entre eles estavam o presidente da África do Sul, o primeiro-ministro do Egito e também os líderes da Zâmbia e das Ilhas Comores, que fazem parte da mesma delegação que deverá reunir-se com Vladimir Putin amanhã, sábado.
E é com esta notícia que fechamos este episódio da "Guerra Traduzida". Já seguido vamos à Ucrânia.