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Na Rádio Observador passamos agora em revista a imprensa da Rússia. "Guerra Traduzida", dia 726 dessa invasão russa à Ucrânia. Jornalista Rui Casanova, explica-nos o que está hoje a marcar a atualidade na Rússia. Rui, para começar, tens em destaque um alerta da Rússia, que avisa que a Ucrânia está a utilizar substâncias tóxicas para levar a cabo ataques terroristas.
É um alerta que chega através do Ministério da Defesa da Rússia. O tenente general Igor Kirillov afirma que as Forças Armadas ucranianas utilizam substâncias tóxicas não apenas durante operações militares, mas também para realizar ataques terroristas. Citado pela agência estatal TASS, este tenente-general do Ministério da Defesa da Rússia dá exemplos. Diz, por exemplo, que a 9 de agosto de 2022, o governador da região de Kherson foi hospitalizado com sinais de envenenamento. Além disso, mais recentemente, no dia 5 de dezembro de 2023, o chefe da República Popular de Lugansk foi envenenado também com compostos químicos. Esta fonte, citada aqui pela TASS, diz que há outros casos e afirma que as investigações continuam. Não há reação da Ucrânia a esta acusação. De resto, não é a primeira vez que a Rússia faz acusações deste gênero de que a Ucrânia utiliza substâncias tóxicas para levar a cabo ataques terroristas. É a notícia que faz manchete a esta hora na agência estatal TASS.
E a imprensa estatal russa continua também a dar destaque à conquista de Avdiivka.
Sim, a conquista de Avdiivka, ao cabo de mais de quatro meses, está a ser visto como o maior ganho da Rússia e a maior conquista em território ucraniano desde a captura de Bakhmut, em maio do ano passado. O canal KP faz manchete com esta informação e divulga a imagem que circulou durante todo o fim de semana, nas últimas horas, de soldados russos a trocarem a bandeira ucraniana pela bandeira russa num edifício. O canal KP fala numa conquista importante e simbólica, é logo a primeira frase deste artigo. O canal KP escreve ainda o seguinte parágrafo, destaco aqui, vou citar: "As Forças Armadas Ucranianas tiveram 10 anos para preparar Avdiivka para a defesa, mas entrou em colapso em apenas alguns dias". É desta forma que a imprensa estatal russa dá destaque e noticia a conquista de Avdiivka, uma importante cidade ucraniana, pelas tropas russas ao fim de quatro meses de ataques constantes. De resto, fomos destacando isso mesmo aqui na "Guerra Traduzida" ao longo dos últimos meses.
Passamos para o jornal RBK, que dá destaque a novas declarações do porta-voz do Kremlin sobre a morte de Navalny.
A morte de Alexei Navalny continua muito em destaque na imprensa estatal russa desta segunda-feira, nomeadamente o jornal RBK Russia, que tem uma série de artigos e notícias sobre a morte do principal opositor russo. Desta vez, o porta-voz do Kremlin condena declarações de políticos ocidentais sobre a morte de Alexei Navalny. Afirma Dmitry Peskov que, tendo em conta que há poucas informações, é absolutamente inadmissível fazer declarações grosseiras. É assim que descreve Dmitry Peskov a reação de vários países ocidentais à morte de Alexei Navalny. Isto porque vários líderes ocidentais têm acusado Vladimir Putin de ser o responsável pela morte do principal opositor da Rússia. Agora, Dmitry Peskov, o porta-voz do Kremlin, citado aqui pelo RBK, critica essas mesmas declarações. Quanto à investigação sobre as circunstâncias em torno da morte de Alexei Navalny, Dmitry Peskov diz que essas investigações continuam e que de momento não há mais informações. Questionado por uma jornalista sobre quando é que o corpo, os restos mortais de Alexei Navalny vão ser devolvidos à família, Dmitry Peskov afirma que não sabe, porque essa não é uma questão que diga respeito à administração presidencial da Rússia.
Passamos então para o canal independente Meduza, que também continua a dar muito destaque à morte de Alexei Navalny.
Sim, à semelhança de sexta-feira, quando foi noticiada a morte do principal opositor da Rússia, hoje o canal independente Meduza continua a ter várias notícias e artigos em destaque sobre Alexei Navalny e nas últimas horas destaque foco principal para um vídeo divulgado pela mulher do principal opositor russo, Yulia Navalnaya. Afirma que vai continuar o trabalho do marido e não tem dúvidas, a Rússia é responsável por esta morte. Vamos aqui ouvir um pouco das declarações de Yulia Navalnaya. Estamos aqui a ouvir em fundo Yulia Navalnaya, viúva de Alexei Navalny, diz que vai continuar o trabalho do marido com o objetivo de construir uma Rússia livre. Volta também a acusar as autoridades russas de estarem por trás da morte do marido e dá mais detalhes. Afirma que o Kremlin utilizou Novichok, um agente nervoso utilizado pelos serviços secretos russos de que Navalny já tinha sido vítima em 2020, quando foi envenenado. Agora afirma Yulia Navalnaya que as tropas russas voltaram a utilizar este químico para matar o marido, mas afirma o legado de Alexei Navalny vai prevalecer e a própria Yulia Navalnaya vai continuar esse trabalho com o objetivo de construir uma Rússia livre. É uma notícia em destaque no canal livre e independente russo Meduza.
E é com esta notícia que terminamos esta edição de "Guerra Traduzida".