Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Nos próximos minutos falamos sobre as principais notícias que estão em destaque na imprensa russa. Hoje, com o jornalista Martim Madeira. Martim, no lado russo, tribunal sobre Zelensky. A Rússia prepara julgamentos dos líderes ucranianos.

O jornal Komsomolskaya Pravda dá grande destaque àquilo a que chama de tribunal sobre Zelensky. É o título desta manchete do jornal russo. Segundo este jornal, as autoridades russas já condenaram mais de 1100 militares ucranianos e preparam agora processos contra a cúpula política em Kiev, rotulando-os mesmo de criminosos de guerra. Trata-se de uma ofensiva de propaganda interna para justificar a continuação desta invasão. No mesmo jornal, o conhecido correspondente de guerra Alexander Kots ridiculariza o novo pacote de sanções da União Europeia, que proíbe, por exemplo, vistos a soldados russos. Kots afirma, num tom de ameaça, que se o soldado russo quiser ir a algum lado, não vai precisar de visto, sugerindo que os tanques russos não param em fronteiras diplomáticas. Esta retórica de desafio e de justiça própria é o que domina os títulos de Moscovo no dia de hoje.

E o Kremlin rejeita plano de paz europeu e endurece a posição na ONU.

A agência estatal russa TASS destaca uma posição inflexível de Moscovo nas Nações Unidas. O embaixador Vasily Nebenzya classificou como uma desgraça absoluta as discussões sobre a paz nos moldes propostos pelo que a Rússia chama de Ocidente, afirmando que não existem negociações reais em curso. O The New Voice of Ukraine confirma que o Kremlin deu sinais claros de que vai rejeitar qualquer condição europeia para um cessar-fogo que não aceite o controle russo sobre os territórios ocupados. E a agência russa TASS reforça ainda que a Rússia exige a retirada total das armas nucleares norte-americanas da Europa como uma condição para a estabilidade regional. Esta postura de tudo ou nada mostra que Moscovo está preparada para um conflito mais prolongado, ignorando assim as pressões diplomáticas internacionais. É o que dizem os jornais russos.

E é Moscovo que admite também a falta de gasolina e obriga empresas a pagar a própria defesa, uma admissão rara que domina o jornal The Moscow Times.

O Ministério de Energia russo reconheceu hoje que os ataques de drones ucranianos estão a fazer alguma falta de combustível em várias regiões do país. Foi criada uma equipa de intervenção para tentar estabilizar o setor, mas a solução do Kremlin é mais drástica. De acordo com o The New Voice of Ukraine, as empresas privadas russas, como as refinarias, estão agora obrigadas a financiar as próprias redes de proteção e defesas antiaéreas. O The Moscow Times acrescenta também que as petrolíferas russas estão a receber subsídios bilionários do Estado para compensar as interrupções na refinação, enquanto também a Bielorrússia começou a enviar alguns carregamentos de emergência de gasolina para tapar buracos no abastecimento interno russo.

Martim, um carro-bomba matou um oficial militar nos arredores de Moscovo.

O jornal The Moscow Times relata com detalhe um atentado que abalou a tranquilidade de Balashikha, nos arredores da capital russa. Um carro-bomba explodiu esta madrugada numa zona residencial reservada apenas a militares e matou o condutor do veículo. Esta pode já ser a quarta morte de um oficial de alta patente perto de Moscovo desde o início da guerra, o que levanta algumas questões sobre a falha dos serviços de segurança russos, como o FSB. Embora as autoridades russas tentem manter o controle da narrativa, o jornal ucraniano The Kyiv Independent cita relatórios que indicam que o ataque ocorreu perto de onde outros oficiais russos e desertores ucranianos foram assassinados anteriormente, reforçando uma ideia de que a guerra de sabotagem chegou definitivamente ao coração do país, da Rússia.

E ainda, a Bolsa de Moscovo afunda para o valor mais baixo em oito meses.

Os mercados financeiros estão a dar alguns sinais de pânico. Segundo a análise do The Moscow Times, o índice MOEX da Bolsa de Moscovo caiu hoje para os níveis mais baixos desde outubro do ano passado, acumulando assim 14 semanas seguidas de perdas, uma sequência negativa pior do que a registrada na crise de 2008. Analistas citados pelo jornal explicam que o pessimismo se deve ao fim das esperanças de um acordo de paz rápido e ao impacto das novas sanções. O jornal ucraniano The Kyiv Independent nota também que o petróleo russo Ural voltou a ser vendido com descontos significativos nos mercados asiáticos, o que significa que o Kremlin está a receber muito menos dinheiro para financiar, o que o jornal ucraniano diz ser a sua máquina de guerra, do que o previsto no orçamento estatal russo.

Está feita a edição de hoje da "Guerra Traduzida", hoje com a curadoria do jornalista Martim Madeira. Fica disponível, como sempre, em podcast.