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Guerra traduzida na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Diana, boa noite.

Boa noite, Beatriz.

Começamos pelos jornais russos. Moscovo definiu requisitos para o próximo candidato a secretário-geral da ONU, que vai substituir António Guterres, cujo mandato que termina no dia 31 de dezembro.

O Kremlin espera que o futuro secretário-geral siga rigorosamente a carta da organização e se abstenha de, passo a citar: "minar a natureza intergovernamental da ONU". Numa entrevista à TASS, Kirill Logvinov, o director do Departamento de Organizações Internacionais do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros, diz que Moscovo está a analisar os candidatos e as respectivas abordagens em relação a questões internacionais. É um processo necessário para restaurar o prestígio da organização, diz a Rússia, acrescenta o responsável, que a ONU tem sido monopolizada por ocidentais, com a maioria dos cargos de alto escalão preenchida por representantes de países pequenos. O diplomata sublinha que a Rússia vai dar especial atenção às posições dos candidatos sobre a guerra na Ucrânia. Espera que o futuro chefe da ONU tenha em conta as preocupações russas. A Assembleia Geral número 80 vai começar as reuniões com os candidatos ao cargo no final de abril, com a selecção prevista para o final de julho.

E Diana, a Rússia admite uma quebra nas receitas de petróleo e de gás.

É o que reconhece a própria presidência. Em causa, as sanções às empresas de Moscovo por causa da invasão da Ucrânia há quatro anos. No entanto, o porta-voz do Kremlin diz que esta diminuição das receitas é parcialmente compensada por um aumento das receitas não relacionadas com esses sectores. Dmitry Peskov afirma que a estabilidade da economia russa está absolutamente garantida. O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, indica que as receitas do sector energético vão representar menos de 20% do orçamento para este ano.

A Rússia e a Ucrânia procederam a mais uma troca de corpos de soldados.

Moscovo entregou os restos mortais de mil soldados ucranianos a Kiev, é o que adianta o conselheiro do Kremlin, Vladimir Medinsky, em troca dos corpos de 35 soldados russos recebidos por Moscovo. Medinsky actuou como chefe das negociações de paz, publicou uma imagem no Telegram de trabalhadores de macacão branco a retirar um saco para cadáveres da traseira de uma carrinha refrigerada. O local da troca não foi revelado, normalmente é perto da fronteira entre os dois países. Certo é que o quartel-general da Ucrânia para o tratamento de prisioneiros de guerra acabou por confirmar a iniciativa de repatriamento e agradeceu à Cruz Vermelha Internacional. A mais recente troca ocorre depois das autoridades ucranianas, russas e norte-americanas se terem reunido na Suíça, na semana passada, como parte das negociações de paz.

E ainda, Diana, a Rússia está a planear bloquear o Telegram em abril.

Por causa, Beatriz, de alegações de que a aplicação serve de refúgio para criminosos e está a ser usada por serviços de informações estrangeiras como ferramenta de guerra híbrida contra o país. Duas fontes próximas ao Kremlin disseram ao canal de notícias RBC que a decisão de bloquear a plataforma é definitiva e até já foi comunicada às operadoras de comunicações. O FSB está a investigar o fundador do Telegram, Pavel Durov, por alegações de terrorismo. Na Rússia, o Telegram tem cerca de 90 milhões de utilizadores. Tornou-se uma ferramenta crucial para a liberdade de expressão no ambiente mediático rigidamente controlado. A Rússia até já tentou, sem sucesso, bloquear a plataforma em 2018, depois em 2020. Uma fonte anónima diz à RBC que o Telegram vai continuar disponível para os soldados russos que lutem na Ucrânia, caso as autoridades decidam bloquear completamente a rede social.

A primeira parte da guerra traduzida chega ao fim. Voltamos já a seguir com o que diz a imprensa ucraniana.