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5 de abril, terça-feira, mais um episódio de "Guerra Traduzida", com destaque para a imprensa russa e sempre com a ajuda da Larissa Tovmazian. Bem-vinda, Larissa.
Olá.
Hoje continuamos com notícias com diferentes figuras russas a negar ou a desmentir aquilo que aconteceu em Bucha, a situação que está em destaque por toda a imprensa a nível internacional. Está também na imprensa russa e hoje com vários artigos na imprensa estatal, com essas diferentes figuras russas a tentar desmentir aquilo que terá acontecido. Começamos por uma notícia que dá conta de declarações do representante da Duma, Vyacheslav Volodin. Disse bem?
Quase, sim.
Lá temos. Diz que são uma provocação as imagens divulgadas do que aconteceu em Bucha.
Sim, começamos hoje com esta notícia outra vez sobre a cidade de Bucha, mas nada de novo. Os russos continuam a insistir e a dizer que nada têm a ver com os acontecimentos na cidade. Dizem que se trata de uma provocação com o objetivo de prejudicar a imagem da Federação Russa, e isto é dito precisamente pelo Vyacheslav Volodin, porta-voz da Duma. Diz que se trata de uma mera encenação de um espetáculo para o espectador do Ocidente. E cria aqui um paralelismo ao dizer que os encenadores são, claro, Estados Unidos e Bruxelas, Kiev são os atores. Acrescenta ainda que os Estados Unidos já organizaram acontecimentos muito semelhantes, tanto na Jugoslávia como Líbia, Iraque, Síria, entre outros. E depois seguimos também para a Kommersant, mais um jornal estatal.
Que neste caso tem declarações do representante russo na ONU.
Exatamente. Ou seja, a Kommersant avança com a notícia também sobre a cidade, só que o corpo do artigo concentra-se na investigação que está a ser feita para que a verdade seja descoberta, segundo os russos. E aqui, Vasily Nebenzya, o representante da ONU russo, diz que a ocorrência irá ser analisada, mas continuamos a insistir que o exército russo já tinha abandonado Bucha a 30 de março, como eles dizem.
Sim. Há mais artigos sobre isto.
Há, sim.
No Pravda Komsomol temos relatos de um correspondente que esteve nesta cidade e que diz que a história não é bem assim.
Sim, aqui temos o repórter da Pravda Komsomol que revela que os civis foram assassinados, mas não pelos russos, não pelo exército russo, mas pelos neonazis de Botsman. E quem é o Botsman? Trata-se de um neonazi cujo nome verdadeiro é Sergei Karatygin, que em tempos já foi membro da União Nacional da Rússia nos anos 90. Nasceu na cidade de Togliatti, cresceu na Bielorrússia e a partir de 2014 integrou o batalhão de Azov e portanto foi ele e os neonazis que organizaram este terror na cidade de Bucha.
Sim, é o que diz esse correspondente. Ainda na imprensa estatal e neste jornal, no Pravda Komsomol, temos uma entrevista ao diretor do Instituto de Estudos Políticos, Sergei Markov, fala de falsificações em Bucha, diz que o Ocidente está a abrir uma caixa de Pandora.
Exato. E diz também que este assassinato foi inventado para começar o genocídio russo. Aqui já entramos numa tendência que a Rússia tem de apresentar diversas desculpas e dizem que a notícia é falsa, encenada, e que o Ocidente desta forma está a preparar o Holocausto russo. Acrescentam também que depois da versão russa contada pela própria Rússia, o Ocidente continua a aceitar qualquer crime cometido contra a Rússia.
Sim, portanto são várias formas de olhar para aquilo que aconteceu em Bucha, todas pela imprensa estatal. Analisamos aqui, já ontem tivemos a fazer essa análise da forma como os jornais estatais, os meios de comunicação estatais e os independentes abordam esta situação em Bucha. E de facto, os estatais continuam com o discurso de avançar que são mentiras e com declarações também de vários líderes políticos russos a apontar para mentira quanto àquilo que aconteceu em Bucha. Avançamos, Larissa, para uma notícia que está hoje na Meduza, um jornal independente, neste caso, que dá conta de um novo manual que foi distribuído pelas escolas. Já falámos disso logo nos primeiros episódios, que tinha sido distribuído uma espécie de uma sebenta para os professores poderem explicar às crianças que intervenção militar é esta, que situação é esta que está a acontecer na Ucrânia. Agora temos um novo manual para crianças dos 5 aos 11 anos, para que se possa explicar a essas crianças o que são as sanções, por que estão a acontecer, para que servem, como é que se trata deste assunto.
Eu ia dizer isso mesmo, que no primeiro episódio da "Guerra Traduzida" falámos precisamente sobre as sebentas distribuídas aos alunos nas escolas russas, que explicavam o que era a operação especial do ponto de vista russo, claro. E hoje, Meduza avança com uma outra notícia a dizer que os professores terão um outro manual, uma espécie de sebenta destinada para os professores, para que estes possam explicar o potencial que a Rússia tem para combater as consequências econômicas e as sanções. Portanto, cada professor terá de explicar o que é uma sanção, que tipo de sanções existem e obrigatoriamente, o professor terá de salientar o porquê de a Rússia ter sido alvo de tantas sanções nos últimos tempos.
E explicar também que a Rússia tem capacidade para dar resposta a essas sanções Por falar em sanções, temos mais diplomatas expulsos. Acontece em vários países, Suécia, Dinamarca e Espanha. Do dia de hoje, relatos de vários diplomatas expulsos em alguns países europeus e isso está pela imprensa ucraniana, não só na imprensa estatal, mas também na imprensa independente.
Russa.
Russa, sim. Aqui a confusão, mas sim, na imprensa russa, não só na estatal, mas também na independente.
Temos várias notícias que estão a percorrer a imprensa russa, tanto a estatal como a independente. Neste caso, a Vesti e a Mediazona, que é independente, avançaram com a notícia de que Espanha anunciou a expulsão de 25 diplomatas russos, ao passo que a Suécia expulsou apenas três e a Dinamarca expulsa 15 diplomatas russos. E os países dizem que os diplomatas são uma ameaça à segurança do país e, além disso, a Dinamarca acusa também os diplomatas de espionagem.
Já tínhamos falado noutros episódios dessa situação de diplomatas a serem acusados de espionagem nos países europeus. Agora temos novas expulsões e no Russian Today temos já uma reação de Peskov quanto a estas expulsões.
Reação essa que foi publicada há muito pouco tempo, há cerca de uma hora, em que Kremlin, por sua vez, reage e o porta-voz do mesmo, Peskov, diz que estas atitudes dos países supramencionados limitam muito esta relação a longo prazo que a Rússia poderia ter com os países europeus em condições sem precedentes. Portanto, veremos o que resultará daí.
E posicionar-se claro contra essas sanções e contra essas expulsões de diplomatas de diferentes países europeus anunciados durante o dia de hoje. Para fechar, Larissa, temos a história do Roskomnadzor, o Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, Tecnologia e Informação dos Meios de Comunicação Social e dos órgãos de comunicação russos. Basicamente, é o serviço que faz o controle de censura nos meios de comunicação social russos. E hoje o Roskomnadzor diz que quer processar a Wikipédia.
Sim, o Serviço Federal de Controle de Comunicações na Rússia acusa a Wikipédia de uma interpretação anti-russa e exige que a mesma elimine três artigos sobre a guerra. Dizem que a informação que o site fornece às pessoas não corresponde à verdade e que os autores claramente querem manter os seus leitores desinformados, publicando informações falsas. E esta exigência já não é a primeira, porque Roskomnadzor já tinha feito mais um aviso à Wikipédia devido a mais artigos que a Wikipédia foi publicando ao longo destes 41 dias. Neste momento já são cinco e o Roskomnadzor exige a sua retirada.
Portanto, aqui há um processo à Wikipédia por parte deste Serviço Federal de Controle das Comunicações russo, agora a virar-se contra a Wikipédia. É assim que termina mais um episódio da Guerra Traduzida com a ajuda da Larissa Tovmasian.