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É o Som da Guerra traduzida na Rádio Observador. Esta edição é dedicada em exclusiva à guerra no Irão. Vamos, por isso, espreitar os principais jornais do Médio Oriente e também dos Estados Unidos. O meu nome é Teresa Freire, a edição de hoje é do jornalista João Gama. João, para hoje está marcada mais uma ronda de negociações no Paquistão e a dúvida vai permanecer até ao fim: vai o Irão participar ou não?
Sendo que a informação mais recente, Teresa, da emissora estatal de Teerão, dá conta de que ainda nenhuma delegação iraniana partiu em direção a Islamabad, nem uma delegação principal ou uma delegação secundária. Ou seja, não há sinal de que uma equipa esteja a ser preparada para seguir pra capital paquistanesa, onde deveria acontecer hoje mesmo uma nova ronda de negociações de paz.
Este foi um dia de avanços e recuos em relação a esta matéria.
Com muitas fontes a contarem histórias, muitas vezes contraditórias. Por exemplo, a Reuters escreve hoje que o Irão está a analisar, e de forma positiva, a participação nas negociações de paz em Islamabad. É o que adiantou um alto funcionário iraniano a esta agência de notícias, que ressalva que não foi tomada nenhuma decisão para as conversações que podem acontecer já hoje.
Continuamos a ler a Reuters, porque o Paquistão acredita que caso os dois países cheguem a acordo, Donald Trump pode mesmo vir participar nas negociações.
Outra fonte, esta apenas falou com a Reuters sob a condição de anonimato, tem estado envolvida nas negociações entre os dois países. É uma fonte paquistanesa, diz que se houver um acordo entre o Irão e os Estados Unidos, Donald Trump pode vir a participar nas negociações em Islamabad, de forma virtual ou presencial. O governo paquistanês mantém confiança de que vai conseguir sentar à mesma mesa Washington e Teerão. Um alto funcionário do governo de Islamabad adianta que a situação ainda está em aberto e que têm recebido sinais positivos do lado do Irão. O Irão que, durante o dia de ontem, fez saber que ainda não tinha decidido se iria ou não voltar a negociar com os Estados Unidos, por causa precisamente do bloqueio no estreito de Ormuz.
Para já, o que é certo é que será J.D. Vance, o vice-presidente dos Estados Unidos, a liderar as negociações do lado da Casa Branca.
Deve viajar ainda hoje para a capital do Paquistão. Foi o que disseram três fontes da Casa Branca ao jornal Axios. As negociações estão ainda em dúvida, numa altura em que falta um dia para o fim do prazo do cessar-fogo estabelecido por Donald Trump. Donald Trump, que voltou hoje mesmo a escrever na Truth Social, durante a madrugada, para garantir que os Estados Unidos não vão aceitar um acordo de paz a qualquer preço. E enquanto isso, o presidente do Parlamento iraniano aproveitou as horas da noite para sublinhar que Teerão não aceita negociar sob ameaça.
A líder da diplomacia da União Europeia pede uma solução diplomática para o conflito. Admite que o cessar-fogo, que está ainda em vigor, é um cessar-fogo frágil.
Foi o que disse Kaja Kallas à entrada para a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia. Os líderes da diplomacia europeia estiveram reunidos para discutir a suspensão do acordo de associação com Israel. Antes dessa reunião começar, à entrada, no Luxemburgo, a vice-presidente da Comissão Europeia comentou o cessar-fogo e as negociações que estão em vigor para pedir, Kaja Kallas, uma solução negociada entre os Estados Unidos e o Irão.
"Não estamos a ficar à margem. Estamos, na verdade, a trabalhar ativamente com os parceiros regionais, porque partilhamos as mesmas preocupações. Eles conhecem o Irão melhor do que ninguém e têm a capacidade para reforçar a posição dos negociadores à volta da mesa de negociações. É claro que o cessar-fogo é muito frágil, mas a diplomacia deve ter uma oportunidade. Por isso, espero que o cessar-fogo seja também prolongado até que haja uma solução diplomática".
Kaja Kallas, à chegada ao Centro Europeu de Convenções, no Luxemburgo, antes dessa tal reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.
Falamos agora do estreito de Ormuz, numa altura em que há um bloqueio em vigor, há quem se faça passar pelas autoridades iranianas e a exigir o pagamento de uma portagem.
Para assegurar a passagem pelo estreito que controla um quinto do petróleo mundial. A empresa de segurança marítima Mar Risk alerta para um esquema de mensagens fraudulentas que se tenta aproveitar da agitação que está em vigor no estreito de Ormuz. A empresa grega relata que há falsas mensagens a ser enviadas às empresas que têm embarcações a tentar passar pelo estreito. Em alguns casos, os autores destas mensagens fazem passar-se pelas autoridades iranianas e exigem um pagamento em criptomoedas, como o Bitcoin, para assegurar passagem. Pelo menos uma empresa já terá sido vítima desta fraude. Para contexto, Teresa, há ainda centenas de navios, cerca de 20 mil marinheiros retirados depois do estreito ter sido bloqueado.
E apesar das ameaças dos Estados Unidos, um petroleiro do Irão entrou hoje em águas territoriais do país.
Aconteceu ontem à noite, num comunicado citado pela Al Jazeera. O exército iraniano indicou que este navio atravessou o mar Arábico com o apoio operacional da Marinha de Teerão. Segundo a mesma nota, o petroleiro terá conseguido concluir esta travessia, apesar de múltiplos avisos e ameaças de uma força naval norte-americana que está presente nesta região. A embarcação está agora ancorada num dos portos sul do Irão.
A imprensa israelita destaca as acusações e ameaças do governo de Tel Aviv contra o Irão e também o Hezbollah.
Benjamin Netanyahu diz que Teerão quer planear outro Holocausto contra Israel e os judeus. A afirmação foi feita durante um discurso hoje, numa cerimônia no Monte Herzl, no Cemitério Nacional do país. Na ótica do primeiro-ministro israelita, Israel tem agido de forma decisiva, em conjunto com os Estados Unidos da América, descrito como um grande aliado do país, para desmantelar uma máquina de destruição. É assim que descreve o regime iraniano. Diz Benjamin Netanyahu que Israel conseguiu eliminar uma ameaça existencial imediata e que é essa a essência desta campanha, desta guerra que está a decorrer com o Irão. Garantir, diz Netanyahu, que a vida do povo judeu não volta a ser eliminada.
E o ministro da Defesa de Israel ameaça também o líder do Hezbollah. Israel Katz, um dos ministros mais radicais do governo israelita, quer que o líder do Hezbollah pague com a cabeça os crimes cometidos contra Israel.
Também num discurso hoje, dia em que Israel está a homenagear os soldados que morreram em combate, Israel Katz defendeu que Nayim Qassam irá continuar uma campanha de destruição das comunidades israelitas no Líbano e que vai fazer Israel pagar com a perda de casas e território até que pague, ele próprio, ao perder a cabeça. Insiste o governante que as ações das IDF, das Forças de Defesa de Israel, são para continuar mesmo durante o cessar-fogo que está em vigor entre o Irão e os Estados Unidos da América, enquanto se negoceia o mesmo entre o Líbano e Israel.
E é assim que fechamos a edição de hoje da Guerra Traduzida, edição especial Irão, a cargo do jornalista João Gama. Até amanhã.