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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Estamos no dia 800 da invasão russa da Ucrânia. Vamos, nos próximos minutos, olhar para os destaques da imprensa dos dois lados do conflito. Começamos com os jornais da Ucrânia, num trabalho do jornalista Rui Casanova. E Rui, começamos com um ataque que aconteceu há poucos minutos em Kharkiv e já está em destaque em toda a imprensa ucraniana.
Sim, as tropas russas atacaram Kharkiv com várias bombas ao início desta tarde. De acordo com os primeiros dados das autoridades ucranianas, uma mulher morreu e duas pessoas ficaram feridas. Há prédios totalmente destruídos e mais vítimas debaixo dos escombros dos prédios, é o que dizem as autoridades ucranianas. Como dissemos, esta é uma informação com poucos minutos, mas está já em destaque em toda a imprensa ucraniana. É o caso da Agência Interfax Ucrânia, que faz manchete a esta hora com esta notícia. As autoridades adiantam que neste momento decorrem operações de resgate. Admitem que o número de vítimas pode, por isso, aumentar nas próximas horas.
E Rui, o canal TSN tem em destaque uma entrevista ao vice-ministro da Defesa da Ucrânia.
Uma entrevista ao The Economist, citada aqui pelo canal ucraniano TSN. Vadym Skibitsky avisa que a Ucrânia não vai conseguir vencer a guerra no terreno e que o fim do conflito vai ter de ser discutido na mesa de negociações. O vice-ministro remete para 2025 o início dessas negociações com a Rússia. Até lá, afirma que Moscovo vai continuar a atacar Kiev. O vice-ministro da Defesa da Ucrânia alerta mesmo para um possível avanço das tropas russas numa ofensiva que já é discutida há muito em Sumy e Kharkiv e que, de acordo com Vadym Skibitsky, pode começar já no final deste mês de maio ou início de junho. São alertas do vice-ministro da Defesa da Ucrânia nesta entrevista ao The Economist, citada hoje pelo canal ucraniano TSN.
E, entretanto, a imprensa ucraniana escreve também que as autoridades russas estão assustadas perante o possível envio de tropas do Ocidente pro terreno.
Sim, aqui para termos contexto, o presidente francês Emmanuel Macron disse recentemente que não mudou a opinião sobre o envio de tropas ocidentais para a Ucrânia. Considera que é essa a abordagem correta. Acresce que o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Cameron, também disse que a Ucrânia tem o direito de usar armas fornecidas por Londres para atacar alvos em território russo e que cabe a Kiev decidir se o fará ou não. Perante estas declarações, o porta-voz do Kremlin descreveu-as como perigosas e declarações que inflamam as tensões. O jornal Pravda cita aqui estas declarações do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, e acrescenta este título, passo a citar: "O Kremlin ficou assustado". É a expressão utilizada pelo jornal ucraniano Pravda e é um título que nos mostra aqui também a forma como a luta também se faz aqui na imprensa ucraniana. É muito frequente este tipo de bicadas, digamos assim, entre a imprensa russa, mais estatal, e a imprensa ucraniana, que também usa muito este tipo de títulos.
E pra fechar, Rui, temos uma longa reportagem no Kyiv Independent em Chasiv Yar.
Sim, Chasiv Yar, falamos de uma cidade perto de Bakhmut. É um dos pontos mais quentes da guerra neste momento. De acordo com as tropas russas, o objetivo é conquistar essa cidade até 9 de maio, dia em que se celebra o feriado do Dia da Vitória, para celebrar o triunfo soviético durante a Segunda Guerra Mundial na Rússia. Ora, o Kyiv Independent, jornal ucraniano online, esteve no terreno a acompanhar as operações dos militares ucranianos que tentam defender esta autêntica fortaleza. É uma longa reportagem muito interessante. Por exemplo, um soldado, nome de código Yankee, diz: "Eles", as tropas russas, "estão a tentar quebrar-nos, temos de os quebrar primeiro". A reportagem mostra também o dia a dia dos soldados dentro das trincheiras e a forma como eles se organizam lá dentro. Há até turnos. É uma reportagem muito interessante que nos coloca precisamente no centro da ação, no centro do terreno. Mostra-nos o dia a dia dos soldados ucranianos e, em particular, aqui em Chasiv Yar, um dos pontos mais quentes da guerra neste momento.
E é com esta reportagem do Kyiv Independent que termino este episódio de Guerra Traduzida. Já a seguir voltamos com a imprensa da Rússia.