O Sindicato dos Médicos do Norte denunciou à Autoridade para as Condições do Trabalho e à Inspeção-Geral das Atividades da Saúde a falta de condições da Unidade de Saúde Familiar Terras da Nóbrega, em Ponte da Barca, foi anunciado esta quinta-feira.
Em comunicado, o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) refere que esta unidade de saúde “funciona desde agosto provisoriamente numa cave devido a obras, inicialmente previstas para três semanas, mas que se prolongam há cerca de três meses, sem data de conclusão conhecida”.
A situação, também denunciada à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) e ao Ministério da Saúde, coloca “em causa a higiene, a salubridade, a segurança e a dignidade dos utentes e dos profissionais de saúde”, aponta.
Segundo o SMN, a USF funciona “numa sala de espera improvisada numa garagem, onde os utentes ficam expostos ao frio e à chuva, gabinetes médicos e outros espaços de trabalho sem janelas ou ventilação adequada, presença de fungos nas paredes e ausência de lavatórios para higienização das mãos nos locais de prestação de cuidados”.
O sindicato diz ter reportado a situação à administração da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) e à Câmara de Ponte da Barca, em setembro, “sem que, até à data, tenha sido recebida qualquer resposta”, e exige a “transferência urgente da USF Terras da Nóbrega para instalações com condições de segurança, higiene e salubridade compatíveis com a prestação de cuidados de saúde”.
Contactado pela Lusa, o conselho de administração da ULSAM explica que os serviços da USF Terras da Nóbrega “se encontram temporariamente instalados na cave do atual centro de saúde, não estando os utentes e profissionais expostos diretamente ao frio ou à chuva”.
“Esta situação decorre de uma intervenção de requalificação que visa melhorar significativamente as condições de trabalho dos profissionais e o conforto e qualidade do atendimento aos utentes. As obras encontram-se já numa fase final, estando a sua conclusão prevista até ao final do ano“, adianta a ULSAM.
No comunicado, o sindicato adianta também ter apresentado ainda uma queixa à Ordem dos Médicos “pela falta de apoio especializado no Hospital de Santa Luzia“, em Viana do Castelo.
Segundo o SMN, falta “apoio presencial de gastroenterologia, otorrinolaringologia e urologia durante a noite, aos fins de semana e feriados”, existindo “casos graves em que não foi possível garantir intervenção especializada em tempo clinicamente adequado, incluindo situações com desfechos clínicos adversos”.
Para o SMN, “compete ao conselho de administração da ULS do Alto Minho assegurar a disponibilidade de apoio especializado e circuitos de resposta adequados, garantindo a segurança dos doentes”.
A ULSAM esclarece que “a prestação de cuidados de saúde mantém-se assegurada, apesar dos constrangimentos decorrentes da dificuldade de recrutamento de médicos especialistas”.
“A instituição tem promovido a abertura de procedimentos concursais para reforço das equipas, embora nem todas as vagas tenham sido preenchidas”, especifica.
A ULS do Alto Minho reafirma “o seu compromisso com a segurança dos utentes, a qualidade dos cuidados prestados e a melhoria contínua das condições de trabalho dos seus profissionais, mantendo todos os esforços para ultrapassar os constrangimentos existentes com a maior brevidade possível”.