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E neste Guerra Traduzida, aqui na Rádio Observador, vamos começar por analisar a imprensa russa. É um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro, feito em colaboração com Larissa Tovmazian, natural da Rússia. Antes de mais, Miguel, boa tarde.

Boa tarde.

Vamos começar por esta notícia: a Rússia garante que está a abater drones ucranianos em Sebastopol.

As forças de defesa aérea e unidades da Frota do Mar Negro abateram 10 drones ucranianos que tentaram atacar Sebastopol durante o dia de hoje. Isto foi dito pelo governador da cidade, Mikhail Razvozaev, na rede social Telegram. Razvozaev diz mesmo que todos os drones ucranianos foram abatidos no mar. Sebastopol fica na península da Crimeia, escreve a Ria Novosti que, desde o início do ano, as tropas ucranianas atacaram a Crimeia várias vezes usando drones. Todas estas tentativas, de acordo com a imprensa russa, foram falhadas. Hoje volta a estar em destaque um ataque ucraniano que, de acordo com a Rússia, não teve sucesso.

Medvedchuk publica também um artigo a dizer que o Ocidente não quer a paz na Ucrânia.

Quem é Medvedchuk? Já falámos muito dele aqui no Guerra Traduzida. É um cidadão ucraniano, liderou um partido de oposição na Ucrânia, era deputado, é pró-Rússia, foi detido na Ucrânia durante 2022 e depois foi enviado para a Rússia numa troca de prisioneiros. Hoje, ele publica um artigo no jornal russo Izvestia. É um longo artigo que dá pelo nome de "Anatomia do Confronto Militar Moderno". Neste texto, Medvedchuk diz que os políticos americanos e europeus não querem a paz na Ucrânia. Segundo ele, aqueles que defendem a paz a mando do Ocidente foram enganados, intimidados e reprimidos. Viktor Medvedchuk refere que tudo isto não significa, de forma alguma, que os ucranianos não queiram a paz. O que ele diz é que o triunfo do presidente ucraniano Zelensky é, nesta altura, mais importante do que as casas destruídas. Medvedchuk aponta para os Estados Unidos da América, diz que os americanos nunca quiseram permitir o desenvolvimento da Rússia e que estão constantemente a tentar conter esse desenvolvimento, que esta guerra serve para manter essa estratégia. Ele acredita que o desempenho econômico mais baixo da Ucrânia e na Europa foi impulsionado por uma rutura nos laços com a Rússia e também com ilusões de relações estreitas com os países ocidentais. O antigo deputado ucraniano diz ainda que os Estados Unidos da América querem impor a verdade sobre este conflito. Fala em monopólio da verdade, tentativa de monopólio da verdade por parte dos americanos. Medvedchuk diz que esse monopólio não pode existir, porque descreve a situação na Ucrânia como catastroficamente complexa e perigosa.

Já Peskov diz que os tanques britânicos, que vão ser enviados para a Ucrânia, são para queimar.

Peskov diz que a entrega de tanques britânicos ao exército ucraniano pode prolongar a situação na zona de operações especiais, mas não é capaz de mudar esta situação. Segundo o porta-voz do Kremlin, esses tanques vão ser destruídos, vão ser queimados, como todos os outros. O Kremlin avalia desta forma muito negativa os planos do Reino Unido de fornecer tanques Challenger 2 ao exército ucraniano. Peskov diz: "Nós avaliamos isto de forma muito negativa. Aqui não escondemos o nosso relacionamento. A Grã-Bretanha e outros países europeus, como a Polônia, etc, que agora falam sobre as intenções de organizar uma nova vaga de apoio com novos equipamentos militares tecnologicamente mais avançados para a Ucrânia, estes países não são capazes de mudar a situação no local. Eles devem entender isto. Eles são capazes de prolongar toda a situação, ou seja, criar mais problemas para o Estado da Ucrânia". Isto é o que diz Peskov. O porta-voz do Kremlin acrescenta que a Ucrânia está a ser utilizada como uma ferramenta para atingir os objetivos anti-Rússia, mas explica que a operação militar especial vai continuar. Diz ele: "Estes tanques vão ser queimados e vão continuar a arder, assim como todos os outros. Os objetivos da operação militar especial por parte da Rússia vão ser alcançados". É o que diz Peskov, o porta-voz do Kremlin. Isto acontece, claro, depois do primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, ter anunciado o plano para enviar um esquadrão de 14 tanques Challenger 2 que vão ser enviados para as tropas ucranianas nas próximas semanas.

Miguel, vamos agora aos números negros do ataque russo em Dnipro este fim de semana.

Sim, para fechar, e temos que ir à imprensa independente, porque na imprensa estatal há pouca informação sobre isto, poucos dados sobre este ataque. A Rússia que começou por negar ser responsável por este ataque. Na imprensa independente, podemos ler na Meduza. De acordo com os últimos números oficiais, 40 pessoas morreram devido a um ataque de mísseis russos no rio Dnipro. Ataque realizado a 14 de janeiro, que resultou no desabamento de um prédio de nove andares. O anúncio foi feito na tarde de 16 de janeiro pelo canal Suspilne TV, referente à administração regional de Dnipropetrovsk. Hoje, o ministro dos Assuntos Internos da Ucrânia informou ao início da manhã, ainda antes desse número redondo de 40 pessoas que morreram neste ataque. Tinha dito inicialmente que 36 pessoas tinham morrido, incluindo duas crianças. Também que 75 pessoas tinham ficado feridas, incluindo 15 crianças, 39 pessoas resgatadas, incluindo seis crianças. O destino de cerca de pelo menos 30 pessoas é ainda desconhecido. A imprensa avança já com 40 mortes. 72 apartamentos foram destruídos, outros 230 ficaram danificados. Isto foi dito por Nikolay Lukashuk, chefe do Conselho Regional de Dnipropetrovsk. Segundo ele, esta manhã, mais de 7 mil toneladas de estrutura destruída tinham sido retiradas do local. As equipes de resgate continuam a procurar pessoas. As buscas duram já há mais de dois dias e mais de 500 pessoas e 140 equipamentos estão envolvidos nas operações de busca e salvamento. Zelensky, e podemos ver isto também no artigo da Meduza, da imprensa independente russa, Zelensky falou diretamente para os russos numa mensagem em vídeo divulgada ontem, falou sobre o silêncio cobarde dos russos.

E terminou aqui a análise à imprensa russa neste Guerra Traduzida.