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"Guerra" traduzida na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Diana, boa noite.
Boa noite, Lara.
E começas pelos jornais russos. A Rússia está pronta para fornecer energia à Europa, basta pedir. É o que garante Vladimir Putin.
Desde que essa cooperação seja a longo prazo e não exerça pressão política sobre Moscovo. Numa reunião televisionada, Putin afirmou que Moscovo vai continuar a fornecer petróleo a parceiros confiáveis na Ásia, bem como aos membros da União Europeia, a Hungria e a Eslováquia, estes dois países que se posicionam mais de forma pró-russa. Ora, o presidente russo diz que se as empresas e os compradores europeus decidirem, de forma repentina, reorientar-se e oferecer uma cooperação sustentável a longo prazo, livre de pressões políticas, então que assim seja. A Rússia, diz Putin, nunca se recusa. Os comentários do presidente surgem horas depois de o primeiro-ministro húngaro ter apelado a que a União Europeia suspenda as sanções ao petróleo e ao gás russos, por forma a contrariar a subida dos preços devido à guerra no Médio Oriente.
E é precisamente sobre isso que vamos falar, Diana. Além desse apelo deixado por Viktor Orbán, o primeiro-ministro da Hungria convocou uma reunião de emergência do governo para tratar do aumento dos preços dos combustíveis.
A forte subida nos preços globais do petróleo causada pela guerra no Irão intensificou a pressão sobre Orbán em vésperas das eleições parlamentares. Estão marcadas para dia 12 de abril essas legislativas, nas quais o governante procura uma nova vitória, quer ser reconduzido à frente do governo de Budapeste. Diz Viktor Orbán que nos últimos tempos os preços do combustível na Hungria tiveram uma subida acentuada, tal como de resto, nos últimos dias tiveram também no resto da Europa. Acrescenta que o bloqueio do petróleo ucraniano imposto por Zelensky representa a ameaça mais grave para a Hungria e para a Eslováquia, bem como para toda a União. Orbán apresentou uma proposta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Diz que o preço que a gasolina e o gasóleo estão a atingir é inaceitável.
Vladimir Putin assinou uma lei que proíbe a extradição de estrangeiros e apátridas que servem ou serviram sob contrato no exército russo, caso tenham participado em operações de combate.
De acordo com o texto publicado na legislação, a lei impede que sejam enviados para outros países no âmbito de processos criminais ou cumprimentos de penas. A medida, na prática, evita que combatentes estrangeiros que se juntaram à guerra contra a Ucrânia sejam entregues a outros países, ainda que participar das Forças Armadas de um Estado estrangeiro seja crime em muitas jurisdições. Os cidadãos estrangeiros foram autorizados a assinar contratos com o Ministério da Defesa pela primeira vez em novembro de 2022 e desde janeiro de 2024, tanto os recrutas estrangeiros quanto os familiares podem obter a cidadania russa através de um procedimento simplificado, que dispensa os exames de idioma e a exigência habitual de cinco anos de residência permanente.
Sendo que, Diana, não existem números oficiais sobre o total de estrangeiros que lutam pela Rússia. As autoridades reconheceram a presença de tropas norte-coreanas.
De acordo com os Estados Unidos, até ao outono de 2025, cerca de 5 mil cidadãos cubanos estavam a lutar ao lado das forças russas, entre outras nacionalidades. O jornal The Telegraph noticiou que até o final do ano passado, a Rússia havia recrutado cerca de 18 mil pessoas de 128 países de África, Ásia, América Latina, das quais pelo menos 3,3 mil acabaram por morrer. Diversos países, incluindo Nepal, Índia, Sri Lanka, também a Jordânia e o Quénia, exigiram que Moscovo pare de recrutar os seus cidadãos.
E voltamos a seguir com o que diz a imprensa ucraniana.