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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa ucraniana, com a Diana Rosa. A Ucrânia detectou um plano russo de mobilização forçada e reforçou as fronteiras contra cinco cenários de ataque.

Volodymyr Zelenskyy alertou que o Estado-Maior ucraniano identificou detalhadamente cinco cenários perigosos elaborados pela Rússia para expandir as operações militares no norte do país, especificamente em direção a Chernihiv e Kiev, capital. Depois de uma importante reunião do Alto Comando, Zelenskyy afirma que as posições defensivas ucranianas nestes eixos estratégicos vão ser fortemente reforçados para anular qualquer ofensiva. O líder ucraniano encarregou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de projetar medidas diplomáticas adicionais dirigidas à vizinha Bielorrússia, cujo território pode ser utilizado por Moscovo como uma rampa de lançamento para expandir a agressão, ao passo que as agências de espionagem receberam tarefas secretas cruciais. Kiev detectou ainda planos do Kremlin para mobilizar 100 mil novos soldados, uma medida que vai forçar o Kremlin a tomar decisões de caráter político muito visíveis, dada a incapacidade russa de realizar uma mobilização encoberta nesta fase. A Ucrânia vai responder também com novas sanções de longo alcance aplicados à infraestrutura de Moscovo.

E agora uma notícia que dá conta que Kiev aprovou ofensivas de longo alcance para junho e reivindica, nesta altura, um avanço militar em posições russas.

Zelenskyy confirmou que assinou e aprovou o plano militar da Ucrânia para ataques de longo alcance no mês de junho, depois de um balanço amplamente positivo das dinâmicas no terreno registadas ao longo de maio. As Forças Armadas de Kiev reverteram parcialmente as dinâmicas da frente da batalha, destruíram importantes alvos da Rússia e avançaram em posições estratégicas nos eixos críticos de Pokrovsk, Kostiantynivka, Kharkiv e Zaporizhzhia. Durante o mês de maio, a estratégia ucraniana desferiu severos golpes em instalações nas profundezas da Rússia, com ataques coordenados contra refinarias de petróleo em Perm, situadas a mais de 1500 km da fronteira, além de ofensivas com drones contra a região de Moscovo, instalações de eletrónica e de defesa e também a base aérea de Belbek, na Crimeia ocupada, onde barcos de guerra russos foram atingidos.

E Diana, a Ucrânia pede desculpa aos parceiros bálticos depois do desvio de um drone provocado por interferência russa.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia emitiu um pedido de desculpas oficial à Estónia e aos restantes aliados bálticos, na sequência desse incidente, que envolveu um drone ucraniano fora de rota. O aparelho, que se suspeita ser um drone de assalto direcionado contra posições na Rússia, foi intercetado e abatido por um F-16 romeno em patrulha na NATO, no centro-sul da Estónia. Kiev atribuiu o desvio da rota às operações de guerra eletrónica da Rússia. Acusa Moscovo de redirecionar de forma deliberada os aparelhos ucranianos para territórios de países vizinhos da Aliança Atlântica, como a Lituânia e a Letónia, para forçar tensões diplomáticas e dividir o bloco ocidental. A porta-voz da diplomacia ucraniana assegura que Kiev nunca utilizou o espaço aéreo báltico para lançar ofensivas.

E Kiev reporta pesadas baixas russas na linha de combate e destruição massiva de artilharia.

O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia anunciou que as tropas russas sofreram pesadas perdas nas últimas 24 horas, contabilizando 920 soldados russos mortos e feridos, além de 60 sistemas de artilharia pesada que foram desmantelados. O comandante-chefe militar de Kiev, Oleksandr Syrskyi, assegurou durante o Conselho da NATO-Ucrânia que a Rússia está a registar um desgaste constante de, pelo menos, mil soldados abatidos ou incapacitados por dia. Este elevado custo humano decorre de uma ofensiva agressiva da Rússia em múltiplos eixos estratégicos, que somou 619 investidas em apenas quatro dias no setor leste, próximo de Pokrovsk e Oleksandrivka. Durante uma visita de inspeção às frentes da região de Dnipropetrovsk, o comandante Syrskyi agradeceu às unidades locais pelos expressivos resultados operacionais. Contudo, alerta para o surgimento de uma perigosa zona cinzenta infligida pelo uso massivo de drones de combate, que está a tornar as povoações recém-libertadas temporariamente inabitáveis para as Forças Aliadas.

Fica por aqui a edição desta quarta-feira com a jornalista Diana Rosa. A "Guerra Traduzida" está de regresso amanhã.