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Guerra traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos damos destaque ao que é notícia na imprensa ucraniana, um trabalho do jornalista José Rafael Lopes. Vamos começar com o ataque russo que atingiu a capital da Ucrânia, José.
Um massivo ataque a Kiev que causou mortos e dezenas de feridos. É assim que é descrito na imprensa ucraniana, que dá conta desse ataque com mísseis balísticos e drones contra Kiev na madrugada. Pelo menos duas pessoas morreram. No imediato, 86 ficaram feridas. Segundo o Pravda, o ataque danificou cerca de 30 edifícios na capital, incluindo edifícios residenciais, escolas e estruturas governamentais. Entre os alvos atingidos, encontra-se o edifício do gabinete de ministros da Ucrânia, o edifício do Banco Nacional Ucraniano e até o escritório da Deutsche Welle em Kiev. A estes números acrescentam-se os que foram revelados pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que fala em mais quatro mortos e pelo menos 100 feridos em toda a Ucrânia devido aos ataques mais recentes da Rússia, sendo que há também informações de que a Rússia terá voltado a utilizar uma combinação de drones e de mísseis no ataque, mais de 600, incluindo o controverso míssil Oreshnik, que tem capacidades nucleares. As operações de busca e resgate após os ataques russos ainda estão a decorrer.
José, vamos falar de uma lei russa que está em destaque na imprensa ucraniana.
Trata-se de uma lei que autoriza o uso de força militar para proteger russos no estrangeiro. A lei foi assinada hoje por Vladimir Putin. Esta nova legislação permite ao presidente russo ordenar destacamentos de tropas para o exterior sempre que cidadãos russos enfrentem detenção, julgamento ou outras formas de perseguição por nações estrangeiras. Esta lei está em destaque na Ucrânia porque o Kyiv Independent pediu a vários analistas para olharem para este texto. A conclusão é que a lei é vista por analistas ucranianos como uma expansão significativa dos poderes presidenciais da Rússia, ou neste caso, de Vladimir Putin, que é o presidente russo, e que pode levar a uma potencial justificação legal para futuras intervenções militares em países com minorias russas. A imprensa ucraniana diz também que este é um sinal de risco para outros países que façam fronteira com a Rússia, com destaque para a Moldávia, devido à região da Transnístria, que tem uma larga comunidade russa.
Importa ainda falar de declarações do presidente finlandês sobre a Ucrânia, José.
Palavras em destaque na imprensa ucraniana. Alexander Stubb diz que a Ucrânia está na melhor posição que teve desde o início da guerra. O presidente finlandês fala em números que mostram que a Ucrânia está a conseguir resistir à ameaça russa. Diz ainda que a Finlândia está disponível para representar a União Europeia em possíveis negociações de paz com a Rússia, caso seja solicitado isso mesmo à Finlândia. O presidente do país afirmou que nenhum país que queira a paz pode responder de forma negativa a uma situação desse gênero. Esta declaração de Stubb surge num contexto em que a iniciativa militar no terreno mudou a favor de Kiev, pelo menos é o que escreve a imprensa ucraniana, que diz ainda que a Rússia tem vindo a registar perdas territoriais líquidas pela primeira vez em dois anos.
Ainda temos tempo para abordar um ataque ucraniano a rotas logísticas da Rússia.
Que terá acontecido perto de Mariupol, uma das zonas mais afetadas desde o início da guerra. O Corpo de Azov, um regimento veterano das forças ucranianas, diz ter atingido com danos consideráveis regimentos russos. Foram mesmo divulgadas imagens em vídeo que mostram novos ataques com drones às rotas logísticas russas nas proximidades de Mariupol. Segundo relatos de territórios ocupados, há também uma escassez crescente de combustível na região, o que piora ainda mais a situação para os russos. A imprensa ucraniana dá eco dessas declarações e acrescenta uma informação sobre grupos de ucranianos que terá conseguido cegar as defesas aéreas da Rússia durante um ataque com drones a um grande depósito de petróleo. Situação que não foi abordada na imprensa russa e sobre a qual não há qualquer referência por parte dos órgãos de comunicação social da Rússia.
É o ponto final da edição de hoje de "A Guerra Traduzida", dia 25 de maio, um trabalho do jornalista José Rafael Lopes. O programa está de regresso amanhã.