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Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos falar agora dos destaques da imprensa ucraniana. Hoje com José Rafael Lopes. Eu sou a Rita Camarneiro e começamos com o grande ataque russo durante a madrugada.
Que é o principal destaque em praticamente toda a imprensa ucraniana. Esse grande ataque contra a região de Zaporíjia foi levado a cabo com o uso combinado de mísseis e bombas aéreas guiadas. Foram atingidos vários alvos, incluindo infraestruturas industriais. Segundo as autoridades regionais, pelo menos seis pessoas morreram, 19 ficaram feridas. Ao longo do dia, este número teve várias atualizações. A imprensa noticia também danos em edifícios e infraestruturas na Ucrânia. Entre as instalações atingidas, está uma infraestrutura crítica ligada ao aço, a empresa que anunciou mesmo a suspensão completa da produção depois do ataque russo. A imprensa ucraniana noticia ainda que durante as últimas 24 horas a região de Zaporíjia foi alvo de centenas de ataques. O presidente Volodymyr Zelensky diz que a Rússia está a preparar-se não para a paz, mas para uma escalada e apelou a uma reação internacional. Diz também, Volodymyr Zelensky, que estão a ser utilizados mísseis norte-coreanos contra a Ucrânia.
E continuamos a falar de ataques russos, agora na capital ucraniana.
A noite foi também marcada por ataques contra Kiev e outras regiões da Ucrânia. Segundo a imprensa local, foram lançados mísseis balísticos contra a capital ucraniana. Um dos impactos aconteceu no território de um hospital pediátrico. Foi também registado um incêndio num armazém. As autoridades anunciaram vítimas e danos provocados pelos ataques. Ao mesmo tempo, foram registados ataques em várias outras regiões. Os meios de comunicação ucranianos acompanham a situação através de comunicados da Força Aérea e das autoridades locais, enquanto as sirenes de alerta foram acionadas durante a noite em Kiev e também em várias outras regiões do território ucraniano.
E a Ucrânia continua a tentar obter mais mísseis dos Estados Unidos, mas aparentemente há uma carência na Europa de sistemas de defesa.
Estamos a falar dos sistemas Patriot, um dos maiores desejos da Ucrânia, sendo que o governo quer tentar convencer Donald Trump a ceder a licença para que sejam produzidos na Ucrânia, para já sem sucesso. Hoje, um dos temas com grande destaque na imprensa ucraniana é a escassez de mísseis intercetores para os sistemas Patriot utilizados pela Ucrânia. A imprensa cita uma investigação do jornal político, segundo a qual os países europeus estão cada vez mais cautelosos a entregar os próprios estoques de mísseis à Ucrânia. O problema é particularmente relevante para os intercetores PAC-2 e PAC-3, os mais eficazes na interceção de mísseis ofensivos. Os aliados europeus da Ucrânia procuram encontrar munições adicionais, mas os próprios arsenais também estão limitados. O tema é relacionado pela imprensa ucraniana com a necessidade de reforçar a defesa aérea antes do inverno. Uma análise do Institute of the Study of War, também citada por meios ucranianos, diz que a Rússia poderá tentar aproveitar a falta de intercetores para aumentar a pressão sobre a Ucrânia.
José, falamos ainda de declarações do presidente da Ucrânia.
Que terão provocado uma reação incomum nos Balcãs. Trata-se de um tema controverso entre a Ucrânia e a Sérvia. Volodymyr Zelensky esteve em Belgrado numa visita. Terá falado sobre a posição de Kiev, sobre a integridade territorial da Sérvia e da Ucrânia, ou melhor, do Kosovo. Um tema extremamente tenso no que toca à Sérvia. As palavras de Volodymyr Zelensky foram recebidas com reações dispersas. As declarações provocaram mesmo reações no Kosovo e na Albânia. Em Pristina, foi retirado um grande painel com a bandeira ucraniana. A imprensa noticia que a decisão foi apresentada como uma reação às declarações de Zelensky. Já na Albânia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros manifestou apoio ao Kosovo e contestou a posição apresentada pelo presidente ucraniano. Os meios de comunicação da Ucrânia acompanham esta polêmica, falam numa consequência diplomática da visita de Volodymyr Zelensky à Sérvia. Para entendermos melhor esta reação, é preciso ter em conta que há essa enorme tensão entre a Sérvia e o Kosovo, uma vez que Belgrado, a capital da Sérvia, o governo da Sérvia, recusa reconhecer a independência que o Kosovo declarou em 2008.
E fica por aqui esta edição da Guerra Traduzida com José Rafael Lopes. Está de regresso amanhã.