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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com a jornalista Laura Figueiredo. Olá, Laura, boa noite.
Boa noite, António.
Vamos começar hoje pela imprensa ucraniana e pelos protestos que têm marcado os últimos dias na Ucrânia.
Sim, a demissão do ministro da Defesa, no âmbito de uma remodelação geral do governo, está a levar milhares de ucranianos às ruas. Uma reportagem do Kyiv Independent dá conta de que os manifestantes estabeleceram um prazo pra que o presidente ucraniano se decida quanto à admissão do novo ministro da Defesa, Oleksandr Syrskyi. Entrevistado pelo mesmo jornal, um dos organizadores do protesto explica que o movimento tem agora duas reivindicações claras: a reintegração de Fedorov como ministro da Defesa e a destituição de Syrskyi. Entretanto, fontes próximas da presidência ucraniana revelam que a demissão do novo ministro pode estar para breve, depois de uma semana marcada por protestos. Enquanto isso, Fedorov, o anterior ministro, terá recebido uma proposta para um cargo focado em tecnologia militar e também na supervisão da modernização do ministério, mas de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto, Fedorov só estará disposto a voltar mesmo como ministro da Defesa. O Kyiv Independent adianta que depois dos protestos de hoje, os manifestantes pretendem suspender as ações, esperando que até sexta-feira as reivindicações sejam atendidas pelo presidente ucraniano.
Laura, o presidente ucraniano, exactamente, partilhou hoje um vídeo dos mais recentes ataques à Rússia. Diz que a guerra só pode chegar ao fim aumentando a pressão.
Na rede social X, Volodymyr Zelensky partilhou vários vídeos onde se pode ver uma densa nuvem de fumo na cidade de Podolsk, localizada a cerca de 40 km da capital russa, resultados de um ataque ucraniano com centenas de drones na região de Moscovo. Nesta mesma publicação, o presidente ucraniano diz que as investidas de longo alcance surtiram efeito contra instalações logísticas e um depósito de petróleo e agradece a quem considera guerreiros das forças de sistemas não tripulados, também aos serviços de inteligência, às forças de mísseis e artilharia e ainda às forças de operações especiais. Zelensky adianta também que os alvos estavam a mais de 400 km da fronteira e acrescenta que dois navios-tanque da Frota Paralela e quatro navios de carga também foram atingidos no Mar Negro. O chefe de Estado afirma ainda que a Ucrânia está a responder com justiça a cada ataque russo e reitera que a guerra precisa de chegar ao fim, dizendo que isso só será possível aumentando a pressão sobre a única causa desta guerra, a Rússia.
E seguimos agora com uma notícia que nos dá conta de que 10 pessoas morreram num ataque militar russo a um navio mercante com a bandeira da Guiné-Bissau.
A notícia é avançada pelo Ukrinform, que diz que a Rússia atacou um navio mercante com a bandeira da Guiné-Bissau, perto da cidade de Odessa, banhada pelo Mar Negro. De acordo com o comunicado das autoridades ucranianas, a operação de busca e salvamento decorreu durante toda a noite. O incêndio a bordo do navio foi controlado. Oito tripulantes foram resgatados e levados em segurança para terra. Infelizmente, dizem as autoridades de Kiev, 10 pessoas, incluindo um prático da Autoridade Portuária Marítima da Ucrânia, morreram. A embarcação estava a deixar o porto de Odessa depois de carregar uma carga de milho. Na altura em que foi atacada, havia a bordo 17 tripulantes, a maioria cidadãos da Síria e da Índia.
Laura, em 19 dias, a Rússia lançou mais mísseis balísticos do que aqueles que consegue fabricar num mês.
É o que revela uma análise do portal ucraniano Militarnyi. De acordo com este estudo, baseado em dados da Força Aérea da Ucrânia e dos comandos aéreos regionais, nos primeiros 19 dias de julho, Moscovo lançou mais mísseis balísticos contra a Ucrânia do que aqueles que a indústria de defesa russa consegue fabricar num mês. No mesmo período, as forças russas dispararam também cerca de dois terços de toda a produção anual prevista de mísseis 3M22 Zircon, incluindo durante um ataque de grande escala realizado na madrugada de domingo. Ainda de acordo com a publicação, entre os dias 1 e 19 de julho, Moscovo utilizou 107 mísseis balísticos e 20 mísseis Zircon. Em comparação, durante todo o mês de junho, tinham sido lançados 102 mísseis balísticos Iskander-M e S-400, dois mísseis Kh-47M2 Kinzhal e 15 Zircon.
São estas as principais notícias dos jornais ucranianos, aqui destacados pela jornalista Laura Figueiredo. Voltamos a seguir com a imprensa russa.