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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje, com o jornalista Martim Madeira. E Martim, começamos com os destaques do lado ucraniano. Zelenskyy avisa que os meses de junho e julho vão decidir o futuro desta guerra.

É a manchete de destaque no The Kyiv Independent. O presidente ucraniano está na Estónia para a Cimeira Nórdico-Báltica e a mensagem não podia ser mais direta. Zelenskyy afirma que os meses de junho e julho de 2026 vão ser o momento da verdade, onde se vai decidir o rumo final deste conflito. Na Estónia, o líder ucraniano aproveitou para pressionar os aliados antes das grandes cimeiras de verão, a próxima que vai acontecer nos próximos dias de junho, o G7, avisando também que o tempo é o recurso mais valioso e que não pode haver hesitações. Além da diplomacia, Zelenskyy também saiu desta reunião com um ponto positivo. O The New Voice of Ukraine relata que foi assinado um novo acordo de cooperação no setor dos drones com o primeiro-ministro da Letónia, reforçando assim a aposta de Kiev na tecnologia não tripulada como a grande arma para equilibrar o jogo contra Moscovo.

E seguimos com outra notícia: drones ucranianos voltam a paralisar a ponte de Chonhar.

De acordo com o jornal Ukrainska Pravda, as forças ucranianas voltaram a atingir a ponte de Chonhar, que liga a Crimeia ocupada à região de Kherson. É a segunda vez em apenas três dias que esta infraestrutura vital pra logística russa é forçada a fechar após um ataque com drones que danificou seriamente a estrutura. O The Kyiv Independent, outro jornal ucraniano, acrescenta também que este ataque faz parte de uma campanha mais vasta do Estado-Maior para destruir centros do comando e depósitos de munições, como o que foi atingido hoje na região russa de Belgorod. Para os militares ucranianos, citados pelo The New Voice of Ukraine, o objetivo é asfixiar as rotas de abastecimento russas, tornando impossível o envio de combustível e munições pra linha da frente, no momento em que a Rússia já terá perdido mais de 1,3 milhões de soldados nesta invasão.

E Bruxelas propõe um novo pacote de sanções à Rússia, centrado em setores de maior impacto.

A Comissão Europeia propôs hoje um novo pacote de sanções à Rússia. De acordo com a Comissão Europeia, está centrado nos setores de maior impacto, como a energia, os serviços financeiros, criptomoedas e ainda também querem proibir os combatentes das Forças Armadas Russas de entrar na União Europeia, no espaço Schengen. Numa declaração sem perguntas, sem Bruxelas, quando se assinalam mais de quatro anos desde a invasão russa da Ucrânia, a presidente da Comissão Europeia anunciou 16 medidas, entre as quais o reforço das restrições à chamada Frota Fantasma russa, regras mais severas pro setor das criptomoedas, medidas dirigidas aos setores da pesca pela primeira vez, a possibilidade de proibir plataformas criptoativas em países terceiros que ajudem a contornar restrições, a proibição de entrada na UE pra ex-combatentes russos e novas limitações à exportação de tecnologias militares, equipamentos para drones e também alguns metais preciosos.

E Martim, Ucrânia e Hungria chegaram a acordo em quase todos os pontos para a adesão à União Europeia.

No meio de tensões diplomáticas, surge uma notícia considerada de esperança, avançada pelo The New Voice of Ukraine. Kyiv e Budapeste chegaram a um entendimento em 10 dos 11 pontos exigidos pela Hungria para permitir a adesão da Ucrânia à União Europeia. Um grande entrave que tem sido os direitos das minorias húngaras em solo ucraniano, mas parece que as negociações estão a dar frutos. No entanto, o cenário interno em Kiev não é apenas de celebração. O The Kyiv Independent revela que no Parlamento Ucraniano o processo legislativo tem sido misto. Enquanto algumas leis exigidas pelo FMI avançaram, outras foram duramente criticadas por especialistas, que as classificaram como uma limitação de progresso para enganar os parceiros europeus sem atacar verdadeiramente a corrupção que existe dentro do sistema judicial ucraniano.

E seguimos com um anúncio: a Bulgária vai deixar de enviar armamento para a Ucrânia.

Esta é a notícia que está a causar mais apreensão em Kiev e que o The New Voice of Ukraine destaca com alguma preocupação. A Bulgária vai interromper o fornecimento de ajuda militar à Ucrânia. A mudança de política surge após a vitória eleitoral das forças mais próximas de Moscovo, lideradas por Rumen Radev, que defende agora que é tempo de os países sentarem à mesa das negociações, em vez de enviarem mais armas. O Ukrainska Pravda cita fontes do político para sublinhar que esta decisão búlgara é vista como uma fenda perigosa na unidade da União Europeia, especialmente porque a Bulgária tem sido um fornecedor crucial de munições. Em Kiev, também a diplomacia tenta minimizar o impacto, mas os jornais ucranianos admitem que este efeito dominó de fadiga da guerra em países vizinhos é um dos maiores desafios políticos para Zelenskyy neste verão.

E ainda, Martim, Syrskyi aprova o plano para o exército ucraniano fabricar as suas próprias armas até 2030.

O comandante-chefe Oleksandr Syrskyi deu luz verde a um plano estratégico que o The Kyiv Independent detalha hoje: a transformação total da artilharia e das forças de foguetes da Ucrânia até 2030. O plano, também reportado pelo The New Voice of Ukraine, prevê a substituição gradual de todo o armamento de calibre soviético por sistemas de produção nacional de alta precisão. A Ucrânia quer manter apenas o armamento estrangeiro mais sofisticado, focando-se em criar uma indústria militar soberana que não dependa apenas dos ciclos políticos nos Estados Unidos ou na Europa. De acordo com o Ukrainska Pravda, este é um sinal claro de que Kiev está se a preparar para uma postura de defesa sustentável a longo prazo, acreditando também que a única forma de garantir paz é ter uma capacidade de fogo que consiga prevenir qualquer nova aventura russa ou invasão russa no futuro.

Isto está tudo dito nesta "Guerra Traduzida", versão da Ucrânia hoje, com o jornalista Martim Madeira.