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Mais um episódio de Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos agora olhar, como prometido, para a imprensa da Ucrânia neste dia 618 da invasão. É um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, contou desta feita com a colaboração da Tânia Olynyk. João, começamos com Zelensky, que anunciou o reforço da defesa aérea e das unidades de combate a incêndios.

É um destaque do jornal Pravda. O presidente ucraniano baseou o anúncio numa nova onda de ataques russos com drones que atingiu durante a noite e madrugada o território ucraniano. Indicou que as defesas aéreas foram ativadas em 10 regiões do país e partilhou um vídeo da destruição provocada por esses ataques. Adiantou Zelensky que não há registro de vítimas e que as autoridades estão a avaliar os danos, mas aproveitou para anunciar esse reforço das capacidades de defesa aérea e das unidades de combate a incêndios. Diz Zelensky que o inverno está a aproximar-se e os terroristas russos vão tentar causar mais danos, mas os ucranianos vão continuar a lutar e vão responder esses ataques russos. Na noite de ontem, Miguel, só pra dar nota, as forças de Moscovo lançaram perto de 40 drones, 24 foram abatidos pelas forças de Kiev.

E o Ministério Ucraniano de Defesa simplificou, entretanto, a burocracia para a entrega de armas às Forças Armadas.

A decisão entrou em vigor no dia 1, esta quarta-feira, feriado em Portugal. Citado pelo Pravda, outra vez, o ministério explica que durante o período de lei marcial, o ciclo de produção vai ser reduzido e também o processo de testes vai ser simplificado, o que acaba por libertar os produtores muito mais rapidamente. O que é que acontece? A partir de agora, cabe única e exclusivamente ao produtor de armas definir os parâmetros sobre os quais as entrega ao cliente e o exército aprova a cabeça a lista desses parâmetros. E o ministério dá até um exemplo. Antes, para uma arma ter um período de garantia de 10 anos, tinha de ser obrigatoriamente submetida a testes durante seis meses. Agora o requisito é eliminado porque, em muitos casos, diz o ministério, o produtor já sabe que não é preciso um período tão extenso de testes e pode libertar assim a arma mais cedo. É uma mudança na burocracia e o objetivo é, obviamente, armar mais o exército ucraniano, mais em quantidade e também mais rápido.

A propósito do apoio, a Alemanha está pronta a ajudar a Ucrânia até 2032.

E é uma garantia de um alto quadro do exército germânico em entrevista a meios de comunicação alemães, aqui citado pelo jornal ucraniano TSN. Foi o major general Christian Freuding, o líder da equipe que está dedicada à ajuda à Ucrânia, que explicou que nada mudou, mesmo agora, com o estalar da guerra no Médio Oriente. Explica que o orçamento alemão está definido e tem providências suficientes pra ajudar Kiev nos próximos nove anos, portanto, até 2032.

Passemos agora às reações norte-americanas e russa às declarações do comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia.

Não sei se te lembras, ontem falámos disso, Valery Zaluzhny e o destaque que é dado a este militar ucraniano na imprensa ocidental. Foi em declarações ao The Economist que Zaluzhny disse que a guerra tinha chegado a um impasse por esta altura. O Kremlin não concorda. Fez chegar a sua posição, como habitualmente, através do porta-voz Dmitry Peskov, que diz que a Rússia mantém o curso dos combates e também assegura que todos os objetivos definidos devem ser cumpridos. Do lado da Casa Branca, ou seja, dos Estados Unidos, a reação às palavras de Zaluzhny chegaram através do coordenador pra segurança nacional, o John Kirby, que entende que as declarações do comandante em chefe das Forças Armadas da Ucrânia confirmam a urgência de maior apoio ao país.

Fechamos também com os Estados Unidos e, em concreto, com os norte-americanos que começam a acreditar que Washington apoia a Ucrânia em demasia.

Nem de propósito. Fechamos com um alto quadro da segurança nacional norte-americana a apelar ao apoio, à urgência do apoio à Ucrânia. E a verdade é que esta posição não goza ou vem gozando cada vez menos adeptos em solo norte-americano. É pelo menos a opinião de 41% dos cidadãos norte-americanos que os Estados Unidos estão a apoiar em demasia a guerra na Ucrânia. É a conclusão de um estudo conduzido pela agência Gallup. O estudo chama-se Voice of America, ou seja, a Voz da América, e aqui é citado pelo jornal ucraniano Pravda. A percentagem aumentou drasticamente, já que em junho apenas 29% dos americanos tinham esta percepção de que os Estados Unidos estavam a ajudar em demasia a Ucrânia. Também o número de americanos que acreditam que o apoio de Washington não é suficiente baixou para 25%. No ano passado, este indicador estava nos 38%. De acordo com estes dados, 43% dos inquiridos querem que os Estados Unidos da América tentem ajudar a estreitar o tempo desta guerra, mesmo que isso signifique que a Ucrânia tenha de ceder parte de territórios.

E é assim que fechamos este episódio de Guerra Traduzida, trazida à antena do Observador pelo jornalista João Filipe Cruz. Estamos de regresso na segunda-feira. Bom fim de semana.