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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos agora os destaques da imprensa ucraniana com a ajuda da jornalista Diana Rosa. Diana, vamos começar com o artigo que faz manchete a esta hora no Kyiv Independent: a Rússia e os Estados Unidos vão realizar um encontro diplomático em Riade, capital da Arábia Saudita. Um encontro que vai acontecer na próxima segunda-feira.

Vai ser discutida a guerra na Ucrânia, claro, de acordo com o conselheiro de Vladimir Putin. Uri Ushakov diz que falou com Steve Witkoff, o enviado de Trump, sobre a implementação de uma iniciativa para a segurança da navegação no Mar Negro, algo que o Kremlin já tinha confirmado que vai ser abordado durante o encontro da próxima semana. É um acordo semelhante ao que já existiu na iniciativa dos grãos do Mar Negro, um acordo que foi intermediado pelas Nações Unidas e pela Turquia já há três anos. A iniciativa permitiu que a Ucrânia exportasse produtos agrícolas pelo Mar Negro, apesar da invasão russa, ajudando a estabilizar os preços globais dos alimentos. Moscovo retirou-se desse acordo em julho de 2023, obrigando a anulação do documento. É uma notícia que acaba de chegar ainda com poucos detalhes.

Enquanto não for alcançado um acordo entre a Rússia e a Ucrânia, Kiev vai manter os ataques contra a Rússia.

Até porque a Rússia tem feito o mesmo. Já vamos falar disso mais à frente. Volodymyr Zelensky promete que os ataques aéreos da Ucrânia contra o território russo vão manter-se até que seja finalizado um documento sobre a eventual trégua parcial de 30 dias. Em conferência de imprensa, o presidente ucraniano explica que ambas as partes, Ucrânia e Rússia, estão dispostas a declarar o fim dos ataques contra as instalações de produção, de armazenamento de energia e os gasodutos, ainda que se tenham acusado ontem mutuamente de novos ataques. Foi precisamente essa situação que ainda hoje o chefe de Estado da Ucrânia se referiu, depois de a Rússia ter alegadamente atacado não só dois hospitais ucranianos, como uma infraestrutura energética, destruindo-a totalmente. Isto já nesta semana.

E já que estamos a falar de ataques, Diana, cinco pessoas morreram, 26 ficaram feridas na sequência de ataques russos aéreos que aconteceram esta noite.

São dados avançados pelas autoridades regionais ucranianas. A Força Aérea da Ucrânia disse ter interceptado 75 dos mais de 170 drones lançados pela Rússia. Mais de 60 terão desaparecido dos radares ucranianos antes de atingirem qualquer alvo. Só na cidade ucraniana de Kropyvnytskyi, uma região do centro da Ucrânia, foi registado o ataque mais feroz dos últimos anos. Dez pessoas ficaram feridas depois do lançamento de duas dezenas de drones. Entre as vítimas estão quatro crianças. Várias pessoas foram hospitalizadas na sequência dos ataques, é o que anuncia a polícia da Ucrânia. O governador regional afirma que estes drones russos atingiram edifícios de apartamentos e várias casas.

Mudamos de tema. A Finlândia vai liderar um projeto internacional de construção de abrigos antibomba na Ucrânia.

É o que anuncia a presidência ucraniana aos jornalistas. As nações percebem o que é ser vizinho da Rússia, diz Zelensky. A Finlândia tem uma velha tradição de medidas eficazes de proteção civil e hoje discute-se como aumentar essa capacidade, é o que afirma o líder ucraniano depois de ter formalizado esta iniciativa com o presidente finlandês. O país do Norte da Europa vai agora procurar angariar mais parceiros internacionais para participar neste projeto, que tem como objetivo fazer face aos recorrentes ataques aéreos da Rússia a zonas residenciais ucranianas, tal como falávamos aqui há pouco.

E a Hungria, Diana, quer que a Ucrânia sirva como um género de uma zona tampão entre a Rússia e a Europa.

Era esse o plano russo no passado, um tampão entre a NATO e a Rússia. A Hungria apoia essa solução. Budapeste não apoia a integração da Ucrânia nas estruturas de defesa europeias. Vê o país dessa forma, como uma zona neutra, que é o mesmo que Putin tem exigido nas negociações com os Estados Unidos. As pretensões da Hungria foram anunciadas pelo ministro húngaro dos Assuntos Europeus, explica que o governo da Hungria não considera que a segurança da Europa fique garantida com a integração da Ucrânia nos sistemas de defesa. Vê, sim, a necessidade de Kiev em ficar como território de separação que atenda aos interesses da Rússia e da Europa. Diz ainda o ministro húngaro que a Ucrânia, como zona tampão, depende de um consenso entre os atores globais e considera que se os Estados Unidos e a União Europeia fizerem algo na Ucrânia sem a aprovação do presidente russo, isso por si só é uma fonte de conflito.

E fica por aqui este episódio da "Guerra Traduzida". Nós regressamos já amanhã.