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Esta é a história do dia da Rádio Observador. Estamos todos indecisos sobre em quem votar?

Todos os portugueses têm direito a fazer cenários. Desde logo, o Presidente da República escolheu o seu voto. Mas o que conta são os votinhos. Na noite das eleições, não serve de nada estar a pensar sobre cenários, é uma perda de tempo.

E no final, o que conta mesmo são os votinhos. Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República, confia nas decisões dos portugueses e acredita até que os jovens vão comparecer em maior número a 10 de março. Mas nesta altura haverá ainda muitos indecisos e entre estes estão os que se encontram divididos entre o partido A e o partido B. O Observador lançou um novo votômetro, um jogo que de forma lúdica nos põe a pensar e a discutir política. É uma espécie de bússola que nos situa perante oito partidos. E é sobre indecisões e decisões que vou conversar com Jorge Fernandes. É politólogo, é um dos autores do votômetro e é comentador do Fora do Baralho da Rádio Observador. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a História do Dia. Um episódio especial, porque tem um número redondo e muito importante para nós. É o episódio 500. Quinta-feira, 8 de fevereiro. Bem-vindo, Jorge.

Olá, Ricardo.

Já fizeste o votômetro? Atenção, que eu não quero que me digas o resultado, só quero saber se tiveste alguma surpresa.

Muito sinceramente, não. Depois de ver os partidos todos em detalhe, ficou mais ou menos em linha com as minhas expectativas.

Vai lá. Já agora, explica-nos o que é o votômetro do Observador.

O votômetro do Observador é aquilo que chamamos tipicamente uma bússola eleitoral. O que significa a bússola eleitoral? Significa um instrumento que permite aos eleitores ajudarem a perceber qual o posicionamento dos partidos nos dois quadrantes, o quadrante esquerda-direita e o quadrante liberal-conservador. E o que nós fazemos no votômetro é classificar os partidos ao longo de 20 perguntas. No fundo, posicionamos os partidos com base em documentos programáticos, como programas políticos, declarações de líderes, declarações de deputados especialmente destacados, etc. E o que fazemos é colocar os partidos ao longo dessas duas dimensões e depois o eleitor, ou enfim, neste caso, o utilizador do votômetro, ao responder às mesmas perguntas que permitiram classificar os partidos, vai sobrepor a sua posição e a sua classificação em relação aos partidos e depois perceber quão distante está de cada partido.

E isso é uma ferramenta auxiliar à decisão ou achas que pode mesmo formar uma decisão para quem experimentar?

Eu penso que não pode formar uma decisão. Eu não quero ser prescritivo, digamos assim, cada pessoa utiliza aquilo como entender. Mas o votômetro não tem a veleidade de ser nada prescritivo. Aquilo tem uma função lúdica, tem uma função também de partilha com os amigos, com as pessoas nas redes sociais, uma função também de, presumo, para alguns eleitores que possam estar menos informados sobre alguns aspetos muito específicos de alguns partidos. Tem essa função também. O que significa é que o votômetro, acima de tudo, é uma ferramenta para as pessoas ganharem mais informação sobre os partidos e eventualmente, se estiverem na dúvida entre dois partidos, não é tanto pelo votômetro, mas pela informação e o trabalho que tivemos de resto a recolher toda a informação de posicionamento dos partidos. E se as pessoas, por exemplo, estiverem na dúvida entre dois partidos e houver duas ou três perguntas, vou dar aqui um exemplo clássico, alguém que seja professor ou para quem, por exemplo, a política de saúde interesse muito, essa pessoa se estiver especialmente interessada naquilo, consegue com dois cliques, rapidamente perceber exatamente qual é a posição de cada partido naquela pergunta para o qual aquela pessoa considera que é altamente determinante ou poderá influenciar o seu voto.

E depois até pode olhar para as respostas em pormenor, porque elas descrevem se está mais próximo deste ou próximo daquele.

Claro, e depois olhando para a sua própria resposta e para o seu próprio posicionamento, o votômetro calcula a distância e a distância é sempre um conceito fundamental em tudo isto, porque os modelos espaciais de competição política têm sempre esta noção de proximidade. Porque uma das coisas também que o votômetro mostra é que a política não é uma coisa de preto e branco, isto é, eu não sou completamente a favor de um único partido e completamente contra todos os outros, mas tipicamente todas as pessoas, mesmo um eleitor, eu vou dar aqui um exemplo extremo, mesmo um eleitor do PCP ou do Bloco de Esquerda, haverá coisas que têm concordância com eleitores do Chega e vice-versa. O eleitor ferrenho do Chega, haverá certamente perguntas nas quais a sua resposta coincide com as posições de partidos de esquerda. Portanto, o votômetro também vem iluminar um bocadinho esta dimensão de que não existe política em preto e branco, e que existem muitos matizes e muitas diferenças de cores, e que existe uma paleta de cores que as pessoas podem perceber que os partidos são multidimensionais e estruturas complexas, e que a decisão política não é uma coisa simplesmente binária.

E temos falado muito de indecisos e arrumamos muitas vezes estes indecisos numa prateleira onde cabem muitas pessoas. Mas, Jorge, afinal, o que é um indeciso quando falamos de indecisos? Ou devemos falar de um indeciso ou de vários tipos de indecisos? Estamos a falar de quê?

Há vários tipos de indeciso. Podemos dizer assim, de forma sumária, três tipos de indeciso. Um primeiro indeciso que é aquela pessoa que está na dúvida simplesmente sobre se vai votar ou não. Há logo essa primeira indecisão. Algumas pessoas podem estar na dúvida em saber: "Chegado o dia das eleições, será que vou votar? Será que não vou votar?" Há este tipo de indecisão. E esta indecisão é muito importante porque sabemos perfeitamente da literatura da ciência política que tipicamente os partidos políticos ganham eleições não mudando as opiniões dos eleitores que estão tendencialmente a favorecer outro partido, mas mobilizando e garantindo que as pessoas que são tendencialmente favoráveis ao seu partido, no dia aparecem e vão votar. Não vale a pena, por exemplo, o Partido Socialista ou o PSD terem imensas pessoas que até simpatizam e gostam do partido, se no dia não conseguirem mobilizar o povo socialista ou o povo laranja para aparecer nas urnas, não há muito a fazer e, portanto, os resultados serão maus. E depois, claro, há aqueles indecisos mais clássicos que aparecem nas televisões, que é a ideia das pessoas que já decidiram inequivocamente que vão votar, mas poderão estar indecisos entre dois partidos. Tipicamente em Portugal, eu penso que poderá haver três tipos de indecisos neste meio, que é aqueles que estão indecisos dentro do bloco da direita, por exemplo, se vão votar Iniciativa Liberal ou AD, se vão votar AD ou Chega, os indecisos dentro do bloco da esquerda, se vão, por exemplo, votar Bloco de Esquerda ou PS, e ainda as transferências interbloco, por exemplo, alguém que esteja indeciso entre a AD e o PS. Estas pessoas, apesar de serem um número substancialmente menor, porque as transferências interbloco tipicamente são menos comuns do que aquilo que se pensa, mas estas pessoas podem estar indecisas, claro, e a campanha eleitoral também serve para cristalizar, e esta é uma palavra importante. Cristalizar significa as pessoas agregarem-se em volta do partido e conservarem a sua decisão de voto e começarem lentamente a construir uma identidade que vai no dia da eleição fazer com que exista uma coligação de pessoas, isto é, um grupo de pessoas, subgrupos sociais que se juntam e que vão votar num determinado partido.

Já voltamos à conversa com Jorge Fernandes, politólogo e um dos autores do Votómetro do Observador. Estaremos hoje mais perdidos do que nunca no que toca a saber em quem votar? Regressamos à conversa com Jorge Fernandes, politólogo, membro permanente do painel do podcast da Rádio Observador "Fora do Baralho". Jorge, o Votómetro tem um lado lúdico, como já explicaste. Ao mesmo tempo, é um teste que nalguns casos, e segundo os relatos que até nos têm chegado, até podem surpreender os resultados a quem responde com verdade, com empenho. Ora, nós já vivemos um tempo em que, e também estavas a explicar isso dos blocos e da cristalização dos eleitores, em que a maioria parecia estar cheia de certezas e a simpatia por um partido era quase como a simpatia por um clube de futebol. Esta é uma perceção errada minha ou a nossa relação com os partidos e a política mudou na perceção daquilo que eles representam? Isto se pensarmos num período de 10 a 20 anos.

Há duas ou três coisas importantes a dizer. Em primeiro lugar, Portugal historicamente sempre foi um partido em que aquilo que chamamos a ancoragem ideológica dos partidos foi muito baixa. Isto é, noutros países europeus, com partidos com estruturas um bocadinho mais densas, historicamente mais desenvolvidas, etc., as pessoas tinham uma identificação mais forte com o partido e a probabilidade de saírem daquele partido, abandonarem aquele partido numa eleição era mais baixa. Portugal, desde 1975, por vários motivos que agora não temos tempo para falar, mas desde a democratização, Portugal sempre teve níveis baixos de ancoragem nos partidos, o que significa que os eleitores à partida estão mais disponíveis para mudarem entre partidos, entre uma eleição e outra. Este é o primeiro ponto. Em segundo lugar, em Portugal, naturalmente, os últimos 10 anos, enfim, especialmente a partir de 2019, vimos uma alteração profunda do sistema partidário. Neste momento, eu por acaso estava a pensar num dia destes a ver um dos debates na televisão e se há 10 anos alguém imaginava que teríamos partidos como o Chega, a Iniciativa Liberal, o Livre, o PAN。 há um conjunto de partidos que surgiram no mercado de oferta que podem estar, de resto, até mais bem posicionados para conseguirem falar para subsegmentos específicos do eleitorado que antes, por exemplo, olhando pro caso da direita, estavam na grande casa comum, que era o PSD. Muita gente que hoje vota Iniciativa Liberal ou Chega, eventualmente há 15 anos estava toda a gente enfiada debaixo de um grande chapéu de chuva, que era o PSD. Também por isso o mercado de oferta de partidos políticos tornou-se mais complexo, mas também mais atrativo, na minha opinião, para os eleitores, porque neste momento as pessoas, de facto, têm várias possibilidades para escolher. E isto para nós, para quem está a observar, pode dar uma sensação de que estamos não só em mutação, que estamos, indiscutivelmente, mas que há muito mais cacofonia no ar, que há muito mais mudança e que as pessoas estão muito mais atentas. Já não temos só o PSD e o CDS, temos o PSD, o CDS, a IL. Antigamente chegamos a ter um tempo, recordas-te sem dúvida, que tínhamos o PS e o PC, e mais nada. Agora temos o PS, o PC, o Bloco, a Iniciativa Liberal, o Livre, etc. Portanto, de facto, a competição partidária em Portugal tornou-se um bocadinho mais animada, se quiseres, e mais incerta. E por último, e fecho com isto esta questão, Portugal ao longo dos últimos anos, isto não é uma avaliação normativa, mas havia um conjunto de partidos que já existiam na Europa, e estou a pensar especificamente em partidos verdes, no sentido clássico e tradicional da Europa, que apareceram na Europa, fundamentalmente nos anos 80, e Portugal nunca teve um partido destes, e o LIVRE vem suprir essa falha funcional do sistema partidário, e ao mesmo tempo um partido como o Chega, que era um partido que na esmagadora maioria dos casos europeus já existia um partido análogo, um partido de direita radical, de extrema-direita, aquilo que quisermos considerar. Portanto, Portugal de alguma maneira era um caso estranho na Europa, porque havia um conjunto de partidos que não existiam. Se eu quisesse fazer um matching entre partidos europeus e partidos portugueses, havia falhas em Portugal. E neste momento, sob esse ponto de vista, o mercado partidário em português está muito mais alinhado com aquilo que são os padrões tradicionais do resto da Europa. Enfim, isto não é uma conceção normativa, é uma mera observação de um facto e também de um processo de modernização da sociedade portuguesa e de alinhamento com os padrões partidários e de competição, e até de algumas questões políticas e de alguma politização de alguns debates que, enquanto eram muito comuns na Europa, em Portugal passavam completamente de lado.

Esta necessidade de consultarmos a bússola do Votômetro resulta do facto de nunca termos tido uma real e verdadeira consciência política do que representa o partido X ou Y? É uma questão de desconhecimento ou também temos aqui o inverso, que é nós ficamos no mesmo sítio, os partidos é que vão mudando de lugar?

Ninguém fica verdadeiramente no mesmo sítio ao longo da vida.

Durante muito tempo.

Muito pouca gente fica. Os partidos mudam de lugar, é verdade. Agora, a principal utilidade de um instrumento como a Bússola é o seguinte: nós que somos um bocadinho nerds da política, fazemos comentário político e respiramos política praticamente 24 horas por dia, provavelmente não precisaríamos de um instrumento como a Bússola para saber praticamente qual é a posição, com algum grau de certeza, qual é a posição dos partidos políticos nas mais variadas questões. Mas para o cidadão normal, comum, não é racional, e aqui no bom sentido da palavra, não é racional tentarem consumir tanta informação política, porque têm imensas coisas para fazer. Isto é uma coisa completamente estudada na ciência política e muitas vezes as pessoas usam heurísticas, isto é, instrumentos cognitivos que lhes permitem chegar de forma atalhada, tomarem atalhos cognitivos em que conseguem percepcionar onde é que o partido se encontra e se aquilo agrada ou não à pessoa, de uma forma mais ou menos fácil. E portanto, isto é um processo que acontece com toda a naturalidade e está completamente estudado e mapeado. No fundo, o que isto vem fazer, e graças, naturalmente, a instrumentos, a internet ajudou imenso à informação, mas por outro lado também ajudou muito ao espalhar de desinformação e instrumentos como este permitem, de alguma maneira, recolher num único sítio, quer dizer, não é expectável que nenhum eleitor racional vá pegar nas milhares de páginas que compõem os muitos programas políticos dos partidos e vá ler aquilo tudo antes de tomar a sua decisão. Mas se calhar já é racional olhar para um instrumento como a Bússola Eleitoral, como o Votômetro, e rapidamente, em meia dúzia de minutos, percebe exatamente o que cada partido diz sobre um conjunto de temas que nós escolhemos e são 20 temas que foram decididos de maneira científica. Nem tínhamos a pretensão de cobrir todos os temas, porque isso não é possível, nem desejável. Mas pensamos que cobrimos aqueles que são mais importantes, não só estruturalmente, mas também do ponto de vista daquilo que se está a debater nesta campanha eleitoral em específico. E portanto, quando eu falo de heurística aqui é isso mesmo. O Votômetro pode servir para as pessoas rapidamente saberem onde é que os partidos estão e claro que o eleitor normal não vai ler, não vai digerir milhares de páginas de programas partidários.

E Jorge, hoje há mais indecisos do que no passado? E pergunto isto porque naquelas conversas que temos com os amigos e com pessoas que conhecemos no café, onde quer que seja, há muita gente a dizer: "Eu ainda não consegui decidir, porque mesmo na minha área, não confio neste ou naquele." E se sim, se há mais indecisos, há uma tendência de crescimento no número de indecisos em Portugal ou tudo isto é uma mera perceção de uma conjuntura?

Eu diria que seria uma mera percepção. Eu não posso responder a essa pergunta de imediato, teria que olhar para os dados das sondagens que foram feitas a um mês das eleições, como nós estamos agora, e que foram feitas precisamente um mês antes de cada ciclo eleitoral. Mas a ideia que eu tenho, se estou bem recordado, é que o número de indecisos não deve andar muito longe daquilo que estamos a assistir hoje. Também podemos perceber que existe hoje um partido, que é o Chega, que algumas pessoas poderão ter vergonha de assumir que votam num partido como o Chega e podem usar a capa da indecisão, ou da suposta indecisão, para esconder esse tipo de comportamento, porque percepcionam esse comportamento como sendo socialmente reprovável. E há muito trabalho em ciência política a mostrar como as pessoas tentam esconder, ou tentam de alguma maneira falsificabilizar as suas preferências, porque percebem que se calhar num grupo de amigos, dependendo naturalmente de quem são esses amigos, se forem amigos que até estão próximos dessa área política, poderá não ser um problema, mas num grupo de amigos médio, provavelmente não será bem visto assumir esse tipo de comportamento eleitoral. E portanto, eu diria que a indecisão, neste momento em Portugal, poderá ter dessas duas componentes: a indecisão clássica, tradicional, que vemos em todas as eleições, mas ao mesmo tempo poderá também ter esta componente neste momento, que é o Chega ter 20% nas sondagens, e esses 20% significa que quase um em cada quatro eleitores está pelo menos a dizer às sondagens que quer votar naquele partido. E essas pessoas existem em sociedade, são pessoas que estão entre nós e não devem ser estigmatizadas, mas significa que essas pessoas, de acordo com tudo aquilo que nós sabemos, poderão estar mais acanhadas em revelar as suas preferências, porque percepcionam essas preferências como sendo melindrosas.

Então se tirarmos essa parte desse voto escondido, vamos chamar-lhe assim, quais são os fatores essenciais para um eleitor levar a uma decisão? As campanhas ainda são eficazes, os debates, as entrevistas, as notícias? Como é que o eleitor forma a sua decisão?

Essa é a pergunta do milhão de dólares e não há uma única resposta.

Por isso é que eu te faço a ti.

Não há uma resposta única, e por outro lado, também não há muitas certezas. A doutrina divide-se. Por um lado, há quem diga, e há muitas pessoas que acham, e há muito bons trabalhos que mostram, que muito antes de a campanha começar, é relativamente fácil prever quais serão os resultados em função de um conjunto de elementos, nomeadamente a performance da economia, os salários, a inflação, o estado de alguns serviços públicos. E portanto, olhando para essas informações, que no fundo são objetivas, conseguimos derivar daí qual será, em teoria pelo menos, o comportamento eleitoral. Isso é um lado da moeda. Por outro lado, é inequívoco que existem também coisas mais momentâneas e que podem eventualmente fazer mudar de opinião algumas pessoas cujo voto possa estar menos cristalizado. Eu tenho algumas dúvidas, por exemplo, a campanha, aqueles tipos que vão na rua fazer arruadas com bombos, muito honestamente, eu penso que isso não tem qualquer tipo de influência. Agora, um bom debate, um debate onde alguém pareça menos competente, um debate onde haja realmente uma rafe de um nível avassalador, praticamente, especialmente num contexto em que as eleições estão renhidas, como parece ser este, embora nas últimas eleições em 2022, também tínhamos a ideia que as coisas estavam bastante renhidas e no final o Partido Socialista acabou por ter uma maioria absoluta bastante confortável. Portanto, eu diria que no fundo é imensamente complexo percebermos exatamente por que as pessoas votam como votam, porque a coisa é tão idiossincrática e há tantos caminhos cognitivos, comportamentais possíveis para chegar à mesma decisão ou à mesma estrutura de decisões, que é mesmo muito difícil encontrarmos uma explicação única para uma coisa tão complexa.

Obrigado, Jorge, e obrigado por teres estado aqui no episódio 500 da História do Dia.

Obrigado, Ricardo.

Jorge Fernandes é politólogo, é um dos autores do Votómetro e comentador do Fora do Baralho da Rádio Observador. Esta foi a História do Dia e hoje foi ainda mais especial porque atingimos os 500 episódios. E isso só é possível porque o número de ouvintes continua a crescer todos os dias. Em nome de todos os que fazem e colaboram com a História do Dia, obrigado a quem nos manda e-mails com elogios, sugestões, críticas. Obrigado a quem partilha os nossos episódios e um obrigado a quem clica em seguir a História do Dia nas plataformas de podcast. São já milhares. Muito obrigado a todos e obrigado também ao Bernardo Almeida, que tratou da sonoplastia deste episódio, e muito obrigado ao João Ribeiro, que compôs a música do genérico. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã para o episódio 501.