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Esta é a história do dia da Rádio Observador. Que preços vão subir em 2026? Ano novo, preços novos. De 31 de dezembro para 1 de janeiro, há mexidas nos preços de vários produtos e serviços. Portagens e transportes têm mexidas logo no primeiro dia do novo ano. Ao longo de 2026, há mais alterações. A tendência aponta para uma subida generalizada dos preços, mas a um ritmo inferior ao que se registou nos últimos anos. Nos rendimentos, também há mexidas, com boas notícias para a carteira dos portugueses. Fazemos a conta às contas de 2026. Vou conversar com a jornalista Alexandra Machado, a editora de Economia do Observador. Eu sou o Miguel Cordeiro e esta é a história do dia, de segunda-feira, 29 de dezembro. Bem-vinda, Alexandra.

Olá, Miguel.

Este é um programa que tem boas e más notícias, se é que isso existe no nosso mundo de jornalismo. Mas fazendo esse jogo, vamos começar pela melhor notícia. Os rendimentos e as pensões vão subir em 2026.

Alguns rendimentos. Vamos lá por partes, então. O salário mínimo nacional subirá € 50 até aos € 920. Uma boa notícia para quem recebe o salário mínimo, embora seja um valor relativamente pequeno. No privado, as opções são das empresas, cada qual saberá se terá aumentos ou não, tem de ser visto caso a caso. É certo que, no entanto, as empresas que quiserem usufruir de alguns benefícios fiscais, terão de cumprir a meta de subida do salário médio na empresa em 4,6%. E, por isso, esse valor acaba por ser uma fasquia para o mundo privado. No setor público, os funcionários terão uma valorização salarial de €56,58, com um mínimo, no entanto, de 2,15%. E sabe-se agora que terão mais €0,15 por dia no valor do subsídio de refeição, que vai passar assim para €6,15. Este subsídio de refeição também tem algumas implicações no privado, ou pode vir a ter, porque estabelece a fasquia para a isenção do IRS para o subsídio de refeição e normalmente os privados acompanham o aumento do setor público. Já nas pensões, terão uma subida, no caso das mais baixas, que será até € 1.074, mais ou menos no próximo ano, um aumento de 2,8%. Depois, esse valor, à medida que a pensão sobe, a atualização em termos percentuais desce. Dos € 1.074 aos € 3.200, estou a arredondar para não ser exaustiva, subirão 2,27% e depois o outro escalão acima, que é mais de seis IAS, terá uma subida de 2,02%. Também há uma subida do complemento solidário para idosos, que, como o próprio nome indica, é um complemento ao rendimento de pensionistas que estejam a receber menos valor.

Portanto, no geral, há mais rendimentos, há mais fichas para jogar o jogo da economia em 2026. Isto é bom, sim, mas há aqui um problema: é que muitos produtos vão ficar mais caros e vamos detalhar essa lista. Eu proponho começarmos por aquilo que vai subir já no dia 1 de janeiro, como acontece, por exemplo, tradicionalmente, com as portagens. Vai ser novamente assim, correto?

Corretíssimo. Ou seja, passamos o ano e assim que passarmos a portagem já haverá um novo valor. Nesse 1 de janeiro, os valores por cada troço, por cada autoestrada, ainda não são conhecidos. As concessionárias, por exemplo, a Brisa, ainda não divulgou o valor de cada troço, mas sabe-se que o aumento médio será de 2,3%. É isso que ditou a conversão legal que está relacionada com a inflação de outubro. É um valor ligeiramente acima da inflação desse mês, porque ainda vigora um mecanismo transitório que foi aplicado em 2023, quando a inflação subiu muito e para não haver uma subida muito grande das portagens, o governo decretou ali um travão e as concessionárias ainda estão a aplicar essa mitigação. Portanto, há um aumento superior à inflação, apurada nesse mês de outubro, e por isso fica nos 2,3%. Nas pontes sobre o Tejo, a 25 de Abril, a Lusoponte e a Vasta Gama, a subida de preços médios será de 2,4%. Mas também aqui nas portagens há uma novidade. No âmbito do Orçamento de Estado para 2026, foram aprovadas mais isenções que serão aplicadas em 2026. Toda a A25 fica sem pagamento de portagens. Havia ali uns troços nessa autoestrada que ainda eram pagos, vai ficar toda sem portagens. E, por outro lado, há borlas, vai passar a haver borlas para os pesados, mas só para os veículos pesados. Na Circular Regional Externa do Porto, também conhecida por CREP, isto para tentar descongestionar a VCI, até que haja uma medida definitiva para descongestionamento da VCI. Para já, têm uma borla os veículos pesados. Depois, e isto não se aplica já a 1 de janeiro, ainda vai ter um período de aplicação mais à frente, talvez no primeiro trimestre, haverá troços da A6 e A2 que vão ficar sem portagem na zona do Alentejo para quem resida nessas áreas ou trabalhe nessas áreas. Mas, como disse, esta isenção na A2 e na A6 para residentes ou trabalhadores no Alentejo será aplicada só no final do primeiro trimestre. Depois, ali na zona da Batalha, também há outro troço que vai ficar isento de portagens para pesados, também para descongestionar uma via junto ao Mosteiro da Batalha.

Também já a partir do dia 1 aumentam os preços nos transportes.

Boas e más notícias aqui também. Os passes ficam inalterados, os passes metropolitanos mantêm o custo de € 40 e os passes municipais de € 30, mas o bilhete Um a um, se comprarmos um bilhete individual ou no motorista ou nas máquinas, sofrerão aumentos. Aliás, é o que tem acontecido nos últimos anos. Os passes ficam inalterados, mas depois os bilhetes unitários são aumentados.

Tens exemplos?

Um bilhete do metrô de Lisboa e da Carris vai aumentar €0,05 para €1,9 e se nos autocarros da Carris comprar o bilhete diretamente a um turista, paga-se €2,3. Mais €0,10 do que em 2025. Na CP, todos os serviços terão um aumento médio de 2,26%. No Porto, a partir da zona 3, do Z3, os bilhetes individuais aumentam. Neste caso, passa também a ter um custo adicional de €0,05, passa para €1,85, que se mantém na zona 4 e na zona 5. A partir da zona 6, a subida é de €0,10.

Ainda no transporte, há aumentos nos preços dos táxis ou nos TVDEs?

Nos táxis vai haver, mas ainda não está definido quanto, porque houve uma consulta pública para se formular os preços e esta ainda está a ser concluída. Portanto, vai haver aumentos, ainda não se sabe em que valor. No caso dos TVDEs, as empresas dizem que os preços são dinâmicos, já por si são dinâmicos e, portanto, não antecipam ou não preveem alterações nas tarifas base praticadas, mas obviamente que nos TVDEs há que ter sempre em conta que, consoante a procura e consoante a distância, os preços podem variar.

Vamos aos combustíveis, que o preço varia muito de semana a semana, mas também já sabemos que há um desconto no imposto que vai começar a desaparecer.

Já começou em 2025, que foi o desconto do ISP, o que agrava o imposto sobre produtos petrolíferos, e o governo já disse que iria continuar a tirar esse desconto à medida que o preço do petróleo descesse para permitir que o preço final ao consumidor não aumentasse. Mas também as coisas nos preços dos combustíveis estão muito dependentes do que se passa no preço do petróleo, que está muito impactado também por fatores geopolíticos.

Claro.

E, portanto, não conseguimos antecipar o que pode acontecer em 2026. Ainda assim, o governo, por exemplo, no orçamento de Estado, aponta para o valor do barril do Brent nos $68,9, mais ou menos. Neste momento, está perto de $62. Portanto, está aqui numa margem, está mais baixo agora do que se aponta para o conjunto de 2026. E por isso, consoante esse preço da gasolina e do gasóleo à saída das refinarias, o imposto sobre produtos petrolíferos pode oscilar para o governo conseguir reverter o desconto que existia. Uma coisa que já é certa é o aumento, ainda que muito residual, da taxa de carbono, que nem chega a um cêntimo, mas será um aumento já aplicado a partir de janeiro nessa taxa de carbono, que tem, obviamente, impacto sobre o preço final.

Para quem tem um carro elétrico, 2026 acaba por ser um último ano da rede pública de carregamentos.

Sim, esta parte da mobilidade elétrica foi alterada, há um regulamento novo. 2026 é um ano de transição e o que está regulado são os preços dos carregamentos nesses postos públicos. Já se sabe, conforme a ERSE já anunciou, esses preços nos postos públicos vão descer pouco menos de 31%, o que ainda é alguma coisa. Segundo uma simulação da ERSE, haverá uma redução de cerca de €0,13 por cada 100 km face a 2025. Este é um objetivo de incentivar também a mobilidade elétrica.

Ainda nesta parte da energia, sabemos que vai ser mais cara. A eletricidade vai aumentar no próximo ano?

Vai aumentar. Segundo a ERSE já divulgou, no mercado regulado, porque a eletricidade tem aqui duas componentes, há um mercado regulado, que é a ERSE que fixa as tarifas, e depois há o mercado liberalizado comercial, que são os operadores que fixam o tarifário, ainda que tenham em conta as chamadas tarifas de acesso, que são fixadas pela ERSE. Mas vamos por partes, então. No mercado regulado, vai haver aumentos de 1% em janeiro. No liberalizado, as principais empresas, a Galp e a EDP Comercial, por exemplo, tinham apontado pra uma descida de 4% na componente de energia. É esta componente de energia, depois há a tal componente das tarifas de acesso, que afinal vão aumentar mais do que inicialmente se previa em meio ponto. Portanto, no final, poderá haver uma descida de meio ponto ou um ponto para os consumidores no comercial.

Já regressamos à conversa com Alexandra Machado. Vamos fazer apenas uma curta pausa. Estamos de regresso à conversa com Alexandra Machado. Alexandra, vamos falar de alguns bens essenciais também e aquilo que podemos esperar nos preços em 2026 para esses produtos. Na alimentação, a carne vai ter o grande aumento. E os ovos, vão continuar a valer ouro?

Os ovos já estão tão caros que qualquer dia há um limite para isso. Nos produtos alimentares, também há uma grande dificuldade em prever a evolução dos preços por causa da componente agrícola, particularmente dependente das condições climatéricas. E nós percebemos que consoante o tempo que faça, isso tem influência na agricultura e na pecuária. Nenhum dos setores se atreve a prever uma descida de preços. Obviamente, nós estamos sempre a falar nos produtos alimentares, hoje em dia falamos quase sempre de subida de preços. Na carne, por exemplo, o setor espera mesmo esses aumentos, pelo agravamento de custos de produção, não apenas dos salários de quem trabalha no setor, mas das matérias-primas, da ração, da água, de todas as matérias-primas que são precisas para criar gado. Nos ovos é o mesmo este ano. Por exemplo, houve um grande aumento do preço dos ovos, até por causa de fatores que aconteceram noutras latitudes. Por exemplo, a gripe das aves teve um grande impacto no preço dos ovos por causa da quantidade de animais que foi preciso abater, nomeadamente nos Estados Unidos, e que levou a um crescimento. Os Estados Unidos tiveram que importar ovos de outros países e quando a procura é muita, os ovos disparam.

No setor alimentar, nem tudo é aumento. Há aqui preços a estabilizar em 2026.

Mais uma vez, tudo depende da tal volatilidade dos produtos agrícolas. Ainda assim, o setor do leite e laticínios espera preços estáveis e, de certo modo, também o setor da panificação. No pão, fala-se num ligeiro aumento, mas nada comparável ao que aconteceu quando começou a guerra na Ucrânia, que todos nós nos lembramos que os cereais dispararam e o pão, de facto, nessa altura teve um grande crescimento. Agora fala-se num ligeiro aumento, portanto, apontando-se mais para a estabilização.

E o azeite? É sempre curioso saber o preço do azeite, tem sido um dos produtos em que as flutuações de valor acabam por ser mais sentidas.

Vamos ver como é que corre a campanha. Para já, o setor espera uma menor produção, novamente em Espanha, que é o principal mercado produtor na Europa, mas também em Portugal. Ainda assim, não se espera que o preço dispare como aconteceu em 2023 e 2024. Já em 2025 os preços baixaram 30%, cerca de 30%. Portanto, poderá haver aqui um aumento, mas não aos níveis que aconteceram neste tal ano de 2023 e 2024. Portanto, acredita-se que os preços do azeite em 2026 venham a sofrer ajustamentos significativos, mas não tão significativos como em 2024.

Ainda nesta parte da alimentação, mas na verdade já é sobre a forma como são transportados alguns produtos. Garrafas de plástico e latas vão passar a ter um custo adicional neste ano de 2026.

A partir de 10 de abril, que é quando entra em vigor, e isto é uma novidade para 2025, o chamado sistema de depósito e reembolso. O que é que isto vai fazer? Que as bebidas que estejam em garrafas de plástico ou em latas tenham um custo adicional por causa da embalagem, mas se depois forem entregues num ponto de recolha dessas embalagens, esse valor extra é devolvido. Mas é preciso que o consumidor tenha essa predisposição para ir devolver as garrafas de plástico e de latas que estejam dentro deste sistema de depósito e reembolso para ter esse reembolso do valor. O preço ainda não está fixado, o valor da taxa ainda não está fixado.

Muito bem. Vamos para a habitação e a começar pelas rendas. Há aumentos, mas também há mais deduções.

As rendas vão ter um aumento máximo de 2,24%. Um exemplo, uma renda de € 800 pode subir para € 817,92. Lembro que a atualização da renda só pode ser exigida no mínimo um ano após a data de início do contrato. Mas se o valor da renda aumenta, o valor da dedução máxima das rendas em IRS também vai subir. Em 2025, a dedução de até 15% da despesa com rendas tinha um limite de € 700. Lembro que este, em 2025, é o que nós inscrevemos na declaração que preenchemos em 2026. Essa dedução em 2026 vai subir de certeza até aos 750, mas o governo espera conseguir ir mais longe. Tem uma proposta que está no Parlamento para ser discutida para aumentar a dedução das rendas para € 900 em 2026. Vamos ver se passa, mas acho que haverá algum consenso nesta ponte.

Para quem comprou casa e está nesta altura a pagar o crédito, há mexidas?

Também aqui depende do que se passar nos mercados e em particular na economia mundial, porque é isso que determina as taxas fixadas pelo BCE. Para já, a generalidade dos analistas antecipa que as taxas Euribor, que são os indexantes dos créditos à habitação, se devam manter relativamente estáveis ou então até baixar ligeiramente, o que significaria menos prestações.

Nos seguros, há aumentos em 2026?

As seguradoras também ainda não divulgaram, mas há analistas a apontar, por exemplo, para uma subida de 10% nos seguros de saúde. Seguros de saúde que têm uma componente importante, que é uma taxa que financia o INEM, que também se acredita que possa vir a subir.

Para fechar, vamos falar de um tipo de serviços que tem tido um aumento nos últimos tempos, as plataformas de streaming. Há novidades para 2026?

Para fechar, vamos ao cinema, não é? Não, neste caso, vamos ficar em casa. Exato. Vamos ficar em casa a ver séries e filmes. Para já, não estão previstas mudanças de preços, mas também é certo que serviços como a Netflix, Disney+ ou HBO fazem muitas vezes alterações ao longo do ano. Portanto, em janeiro raramente existe mudanças nestes serviços. E não esquecer que há aqui, agora, neste momento, em cima da mesa, uma tentativa de compra da HBO pela Netflix, o que pode fazer mexer as peças deste xadrez. Mas no streaming, o início do ano não trará mudanças nos preços. Já as operadoras de telecomunicações, as principais, MEO, NOS e Vodafone, já anunciaram que vão atualizar os seus preços à inflação, ou seja, entre 2% e 2,5%. Os valores finais da inflação de 2025 só são conhecidos em janeiro, mas, por exemplo, até outubro, o valor anual da inflação ia nos 2,4%.

Obrigado, Alexandra.

Obrigada eu.

Alexandra Machado é a editora de economia do Observador. Nesta história do dia, deixo ainda três destaques que marcam esta segunda-feira. Quem comprou um veículo elétrico em 2025 pode, a partir de hoje, submeter a candidatura para receber um incentivo estatal. As candidaturas vão estar abertas até 12 de fevereiro de 2026 ou até que se esgote a dotação disponível. São cerca de 17 milhões de euros e não é só para carros ou motas. Estão incluídas bicicletas, trotinetas e outros meios de mobilidade elétrica. Os incentivos ficam disponíveis a partir de hoje, com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2025. No desporto, está em andamento a 16ª jornada do campeonato. Hoje o Futebol Clube do Porto joga em casa e é o último jogo dos Dragões em 2025. Às 20h15, Futebol Clube do Porto x Aves, jogo com relato em direto na Rádio Observador. A fechar, o Casino de Lisboa continua a promover concertos gratuitos neste mês de dezembro. Hoje, às 22h, há concerto dos The Gift com entrada livre. Esta foi a história do dia. A sonoplastia da Mariana Sousa Aguiar, a música do genérico é do João Ribeiro, eu sou o Miguel Cordeiro. Até amanhã.