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Esta é a história do dia da Rádio Observador. Por que continua o país a arder desta forma?
Havendo tempo para prevenir, e aqui houve tempo para prevenir, mais vale prevenir do que remediar.
O Presidente da República apoia a iniciativa do governo de declarar situação de alerta no que toca a incêndios, situação que se mantém esta semana, pelo menos até às 23h59 desta quinta-feira, 07 de agosto. Um estado de alerta que permite, por exemplo, vedar atividades perigosas como fogo de artifício. O país enfrenta, mais uma vez, o flagelo dos fogos. E por quê? Fica a sensação que pouco a nada muda de ano para ano. Será mesmo assim? Vou conversar com o investigador, estudante de doutoramento nesta área, Fábio Silva, ex-adjunto do Comando de Operações da Força Especial de Proteção Civil, homem que integrou as primeiras brigadas helitransportadas profissionais. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia de quarta-feira, 06 de agosto. Bem-vindo, Fábio Silva.
Olá, Ricardo. Muito obrigado pelo convite.
Obrigado. Tem muita experiência nesta área, há muitos anos que estuda incêndios. Estamos a viver agora dias de muito calor, que vão continuar pelos próximos dias. Temos também muito material combustível, depois de um inverno, particularmente, chuvoso e primavera também. Ou seja, da sua experiência e do conhecimento que tem, é previsível que os incêndios continuem agora nos próximos dias, nesta semana, e se calhar ainda na próxima.
Sim, é verdade. Uma das situações que já aconteceu é o solo já não tem água. Essa é, normalmente, a forma como se verifica o estado da campanha. Imagine, nós olhamos pra a vegetação e vemo-la verde ou vemo-la castanha. Temos combustíveis vivos e temos combustíveis mortos. Os mortos, como deve calcular, imagine um bocado de caruma, algo-
Uma palha.
Qualquer coisa dessas, exatamente. Mediante se a atmosfera, o ambiente tem umidade ou não, ela ganha e perde. O combustível vivo, não, ele está a ser alimentado por água que vem do solo. É como ter a planta lá em casa, nós regamos e ela vai estar sempre viva, seja no inverno, seja no verão. Neste momento, os nossos solos já não têm a água necessária pra manter a vegetação, chama-se o tal estresse hídrico, já ouviu falar, é exatamente isso. Ora bem, uma das coisas que é preciso compreender é, atingindo este ponto em que a camada, chamamos a camada húmus, é aquela que vai mesmo ao solo mineral, é a mais baixa. Essa camada já não tem água suficiente. E o que isso significa? Que toda a vegetação, nós olhamos pra paisagem, ela fica castanha. Isto demora algum tempo, principalmente quando temos primaveras chuvosas, que foi o que aconteceu. No entanto, a partir do momento em que toda esta parte do solo já não tem água, a nossa vegetação vai estar em estresse hídrico até o final da campanha, até realmente começar a chover bastante e repor essa água que falta. Não foi à toa que os primeiros grandes incêndios, os grandes mesmo, que verificamos foi no início de agosto, foi o período em que atingimos esse limiar. Daqui pra frente, mesmo que entremos num dia, imagine, com 25, 30 graus, temos muitas vezes tanto ou mais potencial ter incêndios grandes do que em dias de 40. Nós, neste momento, temos toda a vegetação-
Porque é muito material disponível.
Porque ele passa a estar disponível e toda a gente já sabe que temos mais do que tivemos a primavera chuvosa.
E já temos dados que nos permita comparar, por exemplo, a situação deste ano com a do ano passado ou de anos anteriores?
Depende dos dados. Se forem, por exemplo, aqueles dados do costume, que é a área ardida, o ano passado tínhamos 44 mil hectares, este agora temos mais de 40 mil. Mas se compararmos com 2017, tínhamos mais de 140 mil.
Exato.
Portanto, depende dos dados.
Então quais seriam os dados que importam?
Na minha opinião, há dados muito importantes, que são as principais métricas. Por exemplo, quais são as velocidades de propagação que estamos a atingir em determinados períodos horários. Quais são as taxas de expansão que estamos a atingir. Por exemplo, a energia libertada, verificada por satélite, tecnicamente chama-se fire relative power. Esse tipo de métricas dão-nos a perspectiva de que com este tipo de condição da vegetação, com esta carga de combustível, que também não é sempre igual, e com esta condição meteorológica, nós podemos esperar este tipo de eventos. Este tipo de eventos são importantes de começar a compreender, por quê? Porque nós vamos ter que ajustar os nossos mapas, temos que os calibrar. Todo o mapa de risco que temos hoje, de perigosidade pro país, terá que ser ajustado a uma nova realidade meteorológica.
Isto porque temos cada vez mais estes fenômenos, é uma consequência das alterações climáticas ter maior frequência desse tipo de fenômenos. Isso pode nos levar a concluir que temos incêndios hoje mais violentos do que tínhamos no passado ou não podemos fazer esse tipo de análise?
A alteração climática a que assistimos tem, principalmente, dois vetores que potenciam a ocorrência de incêndios e um terceiro, que é uma consequência. Os dois vetores são conhecidos por todos, que são aumento da temperatura média, à escala global, e um déficit de precipitação. Aquele terceiro, que não é visível e é pouco conhecido porque tecnicamente é mais difícil, tem que ver com todo o processo. É fácil de compreender e o ouvinte vai compreender, mesmo quem não percebe nada de incêndios. O que acontece? Nós quando temos dias de muito calor, há um processo que se chama de evapotranspiração, que é, as plantas começam a perder água, por uma dinâmica de instabilidade atmosférica, elas sobem até a zona de inversão térmica e é basicamente as nuvens, elas ficam ali. Ao acontecer isto à escala global, o que acontece é que estes grandes processos de evapotranspiração, que acontecem acelerados pelo fato de nós termos temperatura muito elevada e principalmente, por aquilo que se vai perdendo também nos oceanos, com todo esse aumento, incrementa na atmosfera Muita energia por forma de água. Ela tem um transporte de água. É por isso que nós atingimos, nos últimos anos, mais que triplicamos os eventos daqueles que chamamos de pirocúmulnimbus. Vou explicar porque estou a dizer isto. Porque isso é à escala global, não é um problema só nosso. No dia 2 de agosto verificou-se em Vila Real, toda aquela coluna vertical.
Aquela nuvem.
Aquela nuvem só acontece quando há, de facto, uma energia disponível na atmosfera e depois não existe uma inversão que lhe permita, é uma instabilidade atmosférica que promove aquilo. Não indo muito longe, para não complicar a conversa, o que acontece? Ao acontecer isto à escala global, está constantemente mais disponível este tipo de energias que, ao nível dos incêndios, promovem uma subida da partícula mais rápida e, por consequência, é como pensarmos na lareira lá de casa. Se a chaminé tem dois metros ou tem seis metros, ela vai tirar, vou dizer assim, mais rápido. Se lhe der mais ar ou menos ar, ela vai arder melhor. Todas estas condições que nós não vemos têm promovido, agora sim a sua resposta, eventos extremos, em alguns casos, eventos que, de facto, fogem muito daquilo que é a compreensão e que não são normais àquilo que nós estávamos habituados nas décadas anteriores. Portanto, sim, a alteração climática promove eventos muito mais complexos e que inevitavelmente levam a que a nossa resposta ao fenómeno não seja igual à que era antigamente e precise de uma resposta qualificada, provavelmente com uma presença maior da ciência.
E Fábio Silva conhece bem o sistema e temos nessa altura muitos meios disponíveis, temos bombeiros com boa formação, temos investigadores na área dos incêndios, mas ficamos sempre com aquela ideia de que pouco ou nada muda de ano para ano. Há alguma coisa que esteja aqui a falhar? O que está a falhar, por exemplo, do ponto de vista operacional?
Se tem a ideia que pouco ou nada muda, tem a ideia certa, porque de facto o que tem acontecido é que pouco ou nada tem mudado. Por quê? Porque a resposta operacional não mudou muito. E mesmo em anos em que se sentiu alguma evolução naquilo que era a nossa compreensão e resposta operacional ao fenómeno, assistimos constantemente àquilo que é um regredir daquilo que são boas práticas de gestão operacional. Vou explicar concretamente por quê. Por exemplo, falou aí na formação. A formação é apenas e somente um dos processos que precisamos para formar o indivíduo e que ele possa ter uma resposta operacional efetiva. Ora bem, eu até posso conseguir que um indivíduo tenha muito boa formação. Se ele continuar a fazer outra tarefa que não é dedicada exclusivamente àquilo e não o fizer profissionalmente e não desenvolver essa tarefa consecutivamente, é lógico que não vai ser uma boa repercussão no sistema. Ora bem, aquilo que nós assistimos ao nível de investimento na preparação dos agentes e na resposta operacional, se estiver atento, isso são métricas que não precisam de me perguntar a mim, é só ir ver quanto é que gastámos no PRR e quanto é que gastámos em todos os fundos e nos últimos projetos europeus que gastámos rios de dinheiro, o que isso ressignificou para aumentar a proeficiência, a inteligência e a antecipação dos incêndios. Ou seja, nós estamos a investir brutalmente em aviões. Basta ver que a comunicação social só fala em aviões. Se temos 72 ou 76.
Quase 80 aviões ou mais aéreos.
E não se consegue compreender que, se encaixar bem com a resposta que lhe dei anteriormente, se o fenómeno é violento, é grande e há muitas vezes, vou dizer imprevisível, embora não o seja na maioria das vezes, precisamos de uma capacidade de antecipação e de recursos que não são iguais aos que tínhamos. Vou responder objetivamente à sua pergunta. O que nós precisamos hoje é que haja uma qualificação dos agentes, e eu vou dizer mesmo, que haja uma capacidade de análise de incêndios que preveja o cenário seguinte e que possa posicionar os recursos antes de o incêndio mudar.
E isso não está a ser feito.
Não está a ser feito, certamente, porque essa capacidade não está tão bem instituída como deveria estar. De certeza que não está a acontecer, e vou explicar por quê. Porque, por exemplo, se entrar num posto de comando hoje, aquilo que existe ao nível da leitura, por exemplo, meteorológica, não vai passar de um meteograma. Ora, se você quiser prever aquilo que foi o fenómeno do dia 2 de agosto, que é uma estrutura vertical, basicamente, se não tem lá uma ferramenta e se não a sabem ler, como é que isso vai ser possível? Portanto, objetivamente, não desvalorizando todo o trabalho que é feito. Obviamente que há melhorias em parte do setor. Aquilo que de facto me leva a ter este tipo de postura um bocadinho mais direta, se for usar uma palavra boa, é que o investimento público e as estratégias de políticas para aquilo que é proteção civil e a resposta a incêndios, está completamente focado em recursos, está completamente focado em aviões e carros.
Carros, aviões, mangueiras, vamos chamar assim.
É muito mais fácil hoje para o político despender dois ou três milhões para justificar um avião, do que aumentar 20 € para ter um recurso qualificado numa sala de decisão. E portanto, eu posso dar vários exemplos sobre isso, porque eu se calhar tenho vários exemplos daquilo que foi o meu trajeto nos últimos anos, em que perdi muita gente, porque pura e simplesmente não se mantém, não se paga o suficiente para as pessoas ficarem qualificadas. Mas, em termos de investimento, assistimos hoje aos anos em que mais gastamos em resposta operacional, mas que temos menos qualificação.
Mas não da melhor forma.
Não, garantidamente que não. E consigo, obviamente, não é nesta conversa de cinco minutos, mas consigo lhe explicar isto de trás pra frente, aquilo que estou a dizer é fundamentável.
Já regressamos à conversa com Fábio Silva, ex-adjunto do Comando de Operações da Força Especial de Proteção Civil. Poderia o combate aos fogos ser mais eficaz? Estamos de regresso à conversa com Fábio Silva, investigador e com anos e anos de experiência no combate a incêndios. Esteve nas primeiras brigadas helitransportadas. Fábio Silva, já percebemos que na sua leitura Falta aqui uma estratégia política, uma estratégia de eficácia na questão dos incêndios. Ou seja, passa mais pela qualidade do trabalho dos bombeiros e pela valorização do trabalho dos bombeiros do que por mais carros e mais aviões. Mas deixe-me fazer aqui a pergunta: mas é possível termos um corpo de bombeiros profissional em Portugal com dimensão para acudir, ou é uma questão de decidirmos o que é que queremos?
Eu consigo fazer um resumo, para ser simples, para todos entenderem. Nós não precisamos de alterar drasticamente aquilo que temos. Nós temos os bombeiros, falamos bombeiros, e temos mais agentes. Os bombeiros respondem operacionalmente, mas é justo que se faça essa menção, é de facto muito expressivo e, portanto, há uma resposta operacional dos bombeiros àquilo que é a jurisdição que têm. Está perfeito, não é preciso alterar grande coisa, embora algumas devam-se. Mas parte dos incêndios. Sim, senhor, há uma resposta operacional. No entanto, quando nós temos simultaneidade de eventos muito complexos, é muito natural, e existem vários países, e Portugal também tem, que tenha uma unidade, que neste caso é a Força Especial de Proteção Civil, que pertence à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Se quisermos, a UEPS da Guarda Nacional Republicana também representa um pouco esta visão de unidades nacionais que respondem em situações de exceção, em perspetiva de complementaridade a este tipo de eventos. Por quê? Porque é muito simples perceber, grandes investimentos têm que ser feitos e têm que ser concentrados. Nós não precisamos de manter grandes investimentos numa unidade que tem aquilo 10 vezes ao ano, por exemplo, um corpo de bombeiros. Portanto, é normal, isto não tem nada de errado. O que é que é errado? Veja, eu falei que a Força Especial de Proteção Civil está dentro da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e pretende fazer esse trabalho de resposta excecional. Desde a sua criação, neste momento deve ter 200 operacionais.
É muito difícil manter efetivo.
Não é nada.
Só para as pessoas perceberem, vou talvez simplificar e o Fábio dir-me-á se eu estou a simplificar em demasia, mas no fundo é uma força especial que atua em condições especiais, por exemplo, estas unidades helitransportadas, em que, no fundo, são largados quase no meio do fogo, não no meio, mas em zonas sensíveis, e com aquilo que têm à mão, motosserras, pás, vão tentar controlar o incêndio, é isso?
Deixe-me só dar aqui uma perspetiva mais realista ao cidadão, porque as brigadas helitransportadas, na atualidade, são garantidas pela Guarda Nacional Republicana, já não são garantidas pela UEPS. Estamos a falar do seguinte: quando estes cenários ficam complexos, nós precisamos de diferentes ferramentas. Vou-lhe dar dois exemplos e tentar resumir ao máximo a minha explicação. O que é que precisamos? E aquilo que já existe, que é ter uma unidade de análise de incêndios na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Eu não consigo entender é que não exista uma unidade orgânica dentro da autoridade para tratar apenas incêndios, que consiga aproveitar e congregar aquilo que são os esforços das universidades, dos agentes europeus, e ter só e somente. Não, isso não existe na atualidade. Existe uma resposta operacional pela Força Especial de Proteção Civil, naquilo que é a análise, sim, isso existe, e depois tudo o resto. Mas agregar e ter tudo o que é incêndios é do maior risco natural que temos em Portugal, e parece-me lógico ter essa unidade que consiga agregar e ter esse valor. Depois, o que é preciso é, por exemplo, quando nós temos um incêndio de grande envergadura, vai ser necessário prever, quer um exemplo muito claro? O incêndio da Orouca é um incêndio muito claro. É um incêndio que roda o vento a cada 12 horas. Roda 180º a cada 12 horas. Significa que quando é muito grande e nós não temos capacidade de fazer frente às frentes de incêndio, então o que é que acontece? São protegidas as zonas de edificado durante as frentes, mas o trabalho tem que ser feito na retaguarda do incêndio. Na primeira rotação de vento, esse trabalho já está feito. Portanto, é um trabalho de antecipação.
Tirar material combustível, por exemplo.
Mas veja que eu estou a dizer que nós vamos trabalhar na cauda do incêndio.
Ou seja, é preciso largar lá essas pessoas.
Exatamente. Agora, é preciso é criar diferentes recursos. Imagine, recursos com máquinas de rasto, recursos com ferramentas manuais, uso do fogo técnico, a situação das tais brigadas helitransportadas, que normalmente o uso é com ferramentas manuais, a situação dos tais meios aéreos, obviamente. São muitas e diferentes especialidades que depois devem ser aplicadas de forma diferente e em momentos-chave.
Mas nós temos ou não temos essas valências?
Nós não as temos especializadas. Os nichos não estão devidamente à sobreposição dessas especializações. Ou seja, veja, por exemplo, não há uma especialização. Normalmente, o uso de ferramentas manuais, é lógico, todos aprendem a trabalhar, mas essa especialização não é conseguida, os corpos de bombeiros não estão a trabalhar nisso consecutivamente, trabalham com várias ferramentas. Em alguns casos, o caso mais evidente, por exemplo, se calhar, é o uso do fogo, as máquinas de rasto e por aí fora. É preciso colocar e dar corpo a isso. Nós temos muito poucas equipes. O facto de termos uma multiplicidade de agências.
Mas isso não acontece por quê?
O que é que não acontece? Se quiser a minha resposta clara e direta, é porque claramente quando nós temos desgraças como 2017, o que acontece é uma distribuição entre todos, o poder político o que faz é dar um bocadinho a cada um, e basicamente a estratégia não é uma estratégia, de facto, porque a estratégia de prever, de trabalhar em incêndios durante todo o ano, não é visível. E há todo um trabalho que precisa de ser feito antes, é preciso qualificar os recursos, é preciso trazer, por exemplo, a ciência para este vetor, e isso não é visto.
Fábio Silva, como é que é possível que aqui chegados, nada disso ainda funcione de forma articulada, como está a descrever? Nós somos flagelados com este problema ano após ano, temos perdas imensas, naturais, de vidas e patrimoniais.
Tocou num ponto que eu não posso deixar passar. Eu não disse que não é nada, mas a razão pela qual A razão pela qual assisto a este flagelo no nosso país não tem a ver com a resposta operacional. Eu concentrei a minha resposta na resposta operacional, porque é a única área que eu domino e posso falar sobre ela. A razão pela qual nós temos este flagelo em Portugal é porque, mais uma vez, o decisor político ainda não entendeu que não é com prevenção e não é com resposta operacional que se evitam os incêndios, é com uma dinâmica socioeconômica de valorização do território que o desenvolve. Portanto, a razão pela qual nós estamos neste momento a assistir a isto em Portugal, mesmo que a resposta operacional fosse boa ou fosse melhor, iríamos continuar a assistir. A minha posição sobre isto é: a resposta operacional poderia ser melhor, poderia ser drasticamente melhor, porque deveria estar muito mais bem preparada, direcionada para a qualificação humana e não direcionada para os recursos. Se me perguntar: não está? Não, não está, porque o investimento público não está aí. Eu assisto dentro da autoridade e assisto dentro de qualquer organismo público, os organismos estão desertos de pessoas e o investimento público não vai para as pessoas, o investimento público vai para veículos e aviões no que concerne aos incêndios.
Ou seja, resumindo aqui a nossa conversa e olhando para os dias que vamos ter agora e para a semana que temos aí à porta também, continuamos a não estar preparados para uma resposta que poderia ser mais eficaz.
Nós vamos ter dois tipos de eventos. Por vezes vamos ter um evento complicado e que vamos demorar dias sem resolver. E por vezes vamos ter uma grande simultaneidade de incêndios, que nestas condições vão crescer muito. Obviamente que não estamos preparados. A algumas situações ninguém está preparado, noutras deveríamos estar.
Obrigado, Fábio Silva.
Muito obrigado pelo convite.
Fábio Silva é ex-adjunto do Comando de Operações da Força Especial de Proteção Civil e integrou as primeiras brigadas helitransportadas profissionais, aqueles homens que são largados praticamente no meio dos fogos e que tentam controlar o incêndio. É investigador na área dos incêndios, é também estudante de doutoramento. Ficam ainda algumas notas para esta quarta-feira. O enviado do presidente dos Estados Unidos para o Médio Oriente, Steve Witkoff, inicia a visita à Rússia. No futebol, o Benfica joga em França com o Nice, às 20h, a primeira mão da terceira eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. E também esta quarta, arranca oficialmente a 86ª Volta a Portugal em Bicicleta, com prólogo na Maia, a volta termina a 17 de agosto. E aqui fica também o destaque para festas e romarias, que nos merecem especial atenção neste querido mês de agosto. Arrancam as festas de São Lourenço, nas Azenhas do Mar, Conselho de Sintra. Há concerto de Blue Eyed às 22h30 e, segundo a organização, também estão garantidos os carrinhos de choque. Esta foi a História do Dia, a sonoplastia do Bernardo Almeida, a música do genérico do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã e boas férias.