Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Esta é a história do dia da Rádio Observador: os bastidores da Seleção Nacional de Futebol.
Luís Marçal em direto para o primeiro jornal da SIC. Olá, boa tarde, Gonçalo. Aqui deste lado. Eu gostava de começar por perguntar uma coisa muito simples: quem é que pagou o jantar ontem? Foi o Cristiano por ter batido o recorde de gols em cinco mundiais? Foi cada um pagou o seu? Conte-nos lá, diga-nos lá como é que foi isso. E já agora, como é que estão a preparar o jogo com o Uruguai na segunda-feira?
Olá, boa tarde. Isso são coisas nossas. Há pormenores que não temos que revelar. O mais importante é o que transmite a foto, que é o bom ambiente e a boa energia. E já estamos focados no jogo com o Uruguai, estamos a preparar bem.
A 25 de novembro, 23 jogadores da seleção portuguesa foram jantar fora no Qatar. Um raro momento em que os atletas saíram do hotel e registraram o momento numa fotografia que partilharam nas redes sociais. No dia seguinte, a 26 de novembro, Gonçalo Ramos foi questionado pela SIC sobre quem pagou o jantar, mas a pergunta ficou sem resposta. A seleção venceu os dois primeiros jogos e garantiu assim a passagem aos oitavos de final do Mundial de Futebol. Esta sexta-feira tem o derradeiro jogo da fase de grupos frente à Coreia do Sul, treinada pelo antigo selecionador português, Paulo Bento. O grupo dá sinais de coesão e a campanha no Qatar está a correr de feição. Neste episódio, tentamos um vislumbre dos bastidores da seleção. Como trabalham, como preparam os jogos e como descansam os jogadores. Vou conversar com o editor de desporto e enviado especial do Observador ao Qatar, Bruno Roseiro, sobre que cola é esta que une a equipa. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vindo, Bruno.
Olá, Ricardo.
Deixa-me começar aqui por uma curiosidade muito pessoal. Como é que é ver um jogo de futebol num estádio climatizado? Aqui em Portugal, a nossa experiência, a climatização aqui é toda, diria, natural. É aquele ventinho que entra frio pela bancada. E como é que é aí?
No estádio em si, tu não notas muita diferença, digamos assim. Ou seja, quando vens cá para fora e apanhas sol, percebes que lá dentro está mais confortável. Mas deixa-me dizer que estas pessoas são completamente doidas com tudo que é ar-condicionado. Eu vou te contar um exemplo. Na primeira sala de imprensa do primeiro jogo de Portugal, tivemos mesmo de ir pedir para tirarem condutas de ar-condicionado na sala de imprensa. Não se podia estar ali com tanto frio. E nós agora olhamos pra parte de cima das salas de imprensa e as lonas brancas que têm as condutas do ar-condicionado, metade delas, pelo menos, já desapareceram, porque eles perceberam que aquilo era um iglu, quase. Sendo que tem estado calor durante o dia, até mais ou menos 15h30, 16h. A partir das 16h é péssimo pra quem trabalha, porque começa a ficar escuro muito cedo e tu percebes que nem a metade do dia vais. E salto aqui um bocadinho as horas, tem estado temperaturas ligeiramente acima dos 30°, mas não é nada que não seja suportável, muito longe das temperaturas que chegam a estar aqui no verão do Qatar, que são mais de 50. Mas a paranoia dos ares-condicionados vai a tudo. Tu no estádio não notas tanto, nos autocarros e nas salas de imprensa notas, e de que maneira.
Quase que pede um casaquinho de malha. Vamos olhar.
Mas sabes que as pessoas andam com casaco depois. Andam mesmo, é verdade.
Já entendo o porquê. Vamos olhar para o jogo desta sexta-feira.
Esse é o fator mais importante. É muito diferente jogar com três dias ou com quatro. Se eu estou nesta fase, é completamente diferente. Eu percebo a questão que vocês colocam, fugir do Brasil, não encontrar o Brasil, estas coisas todas. Mas nem o Tite estará preocupado com isso, nem o Fernando Santos. Porque quando se chega a uma prova desta e se vem com a ambição de poder alcançar alguma coisa, algo de muito importante, não se pode ficar por aí. Era muito redutor. Eu acho que é claramente muito mais importante essa questão das 24 horas, porque para recuperar os jogadores, e, por exemplo, eu tenho um caso que precisa de algum tempo ainda de recuperação, espero que no próximo possa estar já apto, claramente apto.
O primeiro lugar do grupo é assim tão importante por quê, Bruno?
O primeiro lugar, em condições normais, irá permitir não encontrar o Brasil logo nos oitavos de final. E isso parece que pode ser um pormenor, não é. Há um exemplo prático, por exemplo, da Argentina. A Argentina para o último jogo, falava-se tanto ou mais na qualificação da Argentina como na possibilidade de ficar em segundo lugar, sabendo que provavelmente iria cruzar com a França. E são aqueles tipos de jogos que todos os treinadores gostam que fiquem reservados a partir dos quartos de final e não nos oitavos, porque são basicamente finais a eliminar e sem margem de risco. Daí essa importância do primeiro lugar, até porque Portugal garantindo essa primeira posição vai ficar com o calendário ligeiramente mais simpático, digamos assim, embora saiba que em condições normais terá de defrontar ou a Sérvia ou a Suíça Com a Suíça temos memórias melhores. A Sérvia não é o melhor adversário para nos recordarmos. Portugal teve de passar pelo playoff de qualificação exatamente devido a uma derrota frente à Sérvia na Luz. Daí também essa importância. Pelo menos o Brasil não encontraria, teria pela frente a Sérvia e a Suíça, o que mostra também a competitividade deste Campeonato do Mundo.
Mas uma equipa que já está apurada e que até pode sofrer alterações para fazer rodar os jogadores, pode entrar mais relaxada em campo? É isso que nos mostra a história do futebol?
Não. Curiosamente, a memória recente mostra que normalmente quem entra numa situação e num contexto favorável como este, ou seja, que a responsabilidade é menor, porque em condições normais o primeiro lugar já está assegurado, a tendência é para quem entre mostrar que tem capacidade para ser titular nos próximos jogos, nomeadamente nos jogos a eliminar. E provavelmente, em condições normais, Fernando Santos poderá ganhar mais dores de cabeça para escolher a equipa para os oitavos e não ficar tão preocupado com aquilo que pode acontecer no último jogo da fase de grupos. É isso que a história tem mostrado e acredito que também é isso que irá acontecer com a Coreia do Sul.
Não sei se vocês viram o último jogo da Coreia, mas neste último jogo da Coreia e mesmo no jogo com o Uruguai, a Coreia chega a colocar cinco ou seis ao mesmo nível do adversário. Portanto, era pormos muito a jeito para que isso acontecesse. Não, nós temos que meter aquilo no nosso padrão. A equipa tem que ter bola, tem que retirar a Coreia do jogo, os jogadores da Coreia, a sua intensidade, porque se não fizermos isso.
Já voltamos à conversa com o enviado especial d'"O Observador" ao Qatar, Bruno Roseiro. Vamos tentar perceber qual é afinal a cola que une os jogadores portugueses. Num mundo em que uns rezam a Jesus, outros a Maomé e há até os que veem em Buda o verdadeiro guia. E depois há quem não acredite em nada. Será que a religião ainda serve para alguma coisa? O jesuíta Francisco Motta vai responder a esta pergunta no novo curso da Academia Observador. Inscreva-se. Academia Observador. Grandes cursos a pequenos preços. Estamos de regresso à conversa com o Bruno Roseiro, enviado especial do Observador ao Qatar. Bruno, como é o dia a dia da seleção? Qual é a rotina?
Depende apenas e só da hora do treino, ou seja, se for de manhã ou se for à tarde, mas em tudo o resto não varia. A equipa ou está a treinar ou está na sua unidade hoteleira. Portugal está no Al Samiria Collection Hotel, que é cerca de 20 km de Doha, não está propriamente no centro da cidade, está ligeiramente afastado. O centro de treinos também é cerca de cinco minutos de autocarro do hotel e a equipa ou está a treinar ou está naquela parte invisível de treino que nós não vemos, desde ginásio até recuperação física, crioterapia, banhos e massagens, ou está pura e simplesmente a descansar. E esse é um fator importante que Fernando Santos desde o primeiro dia tem vindo a colocar grande enfoque, que tem a ver com os períodos de descanso da equipa num contexto competitivo de jogos de quatro em quatro dias. Portanto, basicamente aquilo que a equipa faz é estar no seu hotel. É um hotel, como é óbvio, só para a seleção, onde têm todas as mordomias, onde podem falar com a família, onde podem estar juntos e com uma particularidade que não houve, por exemplo, na última fase final do Campeonato da Europa. Os jogadores podem voltar a estar juntos, porque se nós recuarmos um bocadinho, há não muito tempo havia uma série de condicionantes de Covid, de máscaras, de obrigatoriedades de distanciamento, que hoje já não existe e, portanto, já consegues criar novamente um grupo a sério, porque, por exemplo, na véspera do primeiro jogo de Portugal contra o Gana, os jogadores estavam todos juntos. Estavam mais de 20 juntos a ver o jogo que estava a dar na televisão e é assim também que se constrói um grupo de trabalho e é assim que eles próprios também podem passar bem o tempo.
Mas estão quase que trancados numa espécie de fortaleza luxuosa?
Sim, completamente trancado. Nem vale a pena aquelas coisas de andar a olhar por cima, por baixo, para ver se consegue ver alguma coisa. Nem vale a pena, nem sequer há propriamente muito aquele costume, como havia, por exemplo, no Campeonato da Europa em França, de muitos adeptos à porta. Isso não existe. Normalmente, há sempre um treino aberto à comunidade que, em princípio, em termos logísticos, será muito complicado de organizar, porque o estádio onde Portugal treina tem apenas uma bancada para cerca de 100 jornalistas e, portanto, não cabe. Existe uma comunidade portuguesa muito grande. Até isso está em risco de poder não acontecer.
Era isso que te ia perguntar, Bruno, porque no passado temos essas imagens dos adeptos junto ao hotel, a ir ver os treinos. Aí no Qatar será difícil ter imagens semelhantes, não é?
Sim, sobretudo por esta parte logística que eu referi. Ou seja, não há espaço, não há bancada para ter adeptos. Houve, de facto, uma invasão de adeptos na chegada de Portugal ao Qatar. Foi o único momento de maior invasão. Em tudo o resto, é apenas e só resumido àquilo que são os jogos, quando chegam ao estádio e quando estão a fazer o aquecimento, durante o jogo e depois do jogo. Pouco mais do que isso. Alguns jogadores também têm cá a família, mas que neste caso só podem estar juntos quando estão de folga. Em relação aos adeptos e não havendo um plano alternativo em termos de infraestrutura para realizar um treino para os adeptos, muito provavelmente vai ser quebrada essa tradição, porque em termos logísticos não dá. Agora, deixa-me, por exemplo, comparar. Portugal está isolado e, por exemplo, o hotel do Irão, onde eu também estive, já não tem nada a ver. Ou seja, é encostado a um centro comercial, é muito próximo de uma estação de metrô. O Irão tinha dois andares do hotel só para si, que estavam todos fechados, ou seja, as cortinas estavam todas fechadas para as pessoas nem sequer saberem se os jogadores estavam a passar, se não estavam a passar, se estavam nos quartos, o que estavam a fazer. Neste caso, Portugal, não. Portugal tem uma unidade hoteleira só para si, está resguardada a cerca de 20 km de Doha e a sua vida basicamente é entre o hotel e o centro de treinos.
E isso é bom ou é mau para a equipe, não ter esse contato mais direto com os adeptos?
Eu acho que o contato em si, aquilo que tem sido a experiência dos jogos, mostra que toda a gente sabe, e com o Cristiano Ronaldo à cabeça, como é óbvio, que há muito apoio à seleção portuguesa, seja de portugueses, seja de adeptos do futebol de outras modalidades que gostam mesmo muito da seleção por via de Cristiano Ronaldo, assim como acontece em relação à Argentina com o Lionel Messi, são os dois grandes ícones. Diria que o Brasil vem como uma terceira seleção preferida, sem ter propriamente uma figura, ou seja, porque há quem me diga que prefere Neymar, há quem me diga que prefere Vinicius, portanto, não há propriamente o ícone como é Ronaldo e Messi. Do Qatar não.
Não é a sua história?
Sim, ligam tanto como eu à ciência dos esquentadores. É a mesma coisa do que nada, porque acabou por ser uma decepção, até para os próprios cataris, que eventualmente até poderiam ligar, mas não há mesmo aquele culto entre os cataris do futebol. E isso é muito fácil de ver em dois pormenores. Primeiro, os cataris ao intervalo vão embora e saem do estádio e não veem a segunda parte e percebes que não há mesmo uma cultura de futebol e uma cultura de assistir a um jogo. E depois um outro pormenor que é o tempo que eles demoram a reagir a um gol que é anulado pelo VAR. Isso é mesmo quem não está habituado a ir ao futebol, porque todos os outros já perceberam que o gol foi anulado e eles precisam da certificação no ecrã gigante para perceber que o gol tinha sido anulado. Desde pequeninos pormenores, percebe-se a falta de cultura desportiva que existe no Qatar, embora cada vez mais o Qatar invista em infraestruturas desportivas e na organização de grandes eventos, e não é só o futebol. Mas o problema é quando as coisas nascem tortas, é complicado endireitar. E o Qatar é um país muito pequeno, com pessoas que nunca tiveram essa ligação tão especial ao desporto e é complicado criar uma cultura ou uma história, enraizar uma tradição. Há muitas coisas que se compram, praticamente tudo se compra. Essa é uma daquelas que não é possível comprar.
Voltando aqui ao dia a dia da seleção, as refeições como é que são? Seguem um regime alimentar pré-definido ou não?
Sim, sempre, como acontece com qualquer equipe. Portugal trouxe cozinheiros, trouxe os seus próprios alimentos em alguns casos. Portanto, tudo isso é seguido, é igual a todas as fases finais. A única coisa que poderá divergir é a partir dos oitavos de final, como os jogos são às 10 da noite, poder haver uma mudança de horário a nível de refeição, mas em tudo o resto são coisas controladas. Existe o departamento de unidade de performance, que estuda os atletas, existem cozinheiros, tudo isso está estudado e está mais do que aprendido pelos jogadores, que também para eles é mais do mesmo.
E a hora de recolher?
E há uma hora de recolher que penso que será 23h ou 23h30, que foi uma hora que foi respeitada no dia em que Portugal teve a sua primeira folga e que a maioria dos jogadores foram jantar juntos a um restaurante na ilha de Al Maha. Só mesmo quem estava com a família é que preferiu ir jantar com a família, e é normal porque eles estão cá. Mas esse horário foi na mesma cumprido e penso que por volta das 23h já estavam todos de regresso ao hotel. A única coisa que fizeram foi jantar fora do hotel do que é normal. É isto que se pode chamar uma folga neste tipo de competições.
Os jornalistas também são mantidos à distância. Já explicaste que estão nessa fortaleza. Não há nem contactos telefónicos e aqui, atenção Não é para expor fontes de ninguém. Só queria perceber, Bruno, com esta pergunta, se há um controle efetivo da comunicação para fora por parte da seleção.
Tudo o que se vai passando acaba por ser partilhado. Por exemplo, a questão do Danilo é um exemplo paradigmático. O Danilo fez uma fratura de três costelas num treino de sábado. O fato de ninguém ter dado a notícia no domingo é sinal que a comunicação está blindada, ou seja, só sai para fora aquilo que a federação e que a estrutura pretende, mas ao mesmo tempo, ainda antes de se tornar público, há um grupo com todos os jornalistas que estão aqui no Qatar, onde foi comunicado: "Atenção, vai ser lançado um comunicado a explicar que o Danilo teve esta lesão". Nós soubemos ligeiramente antes da generalidade das pessoas e é assim que as coisas têm funcionado. É o normal. Se tu me perguntares se era aquilo que nós gostaríamos, não é. Há 20 anos era diferente? Garantidamente. Dentro do atual contexto e dentro de como são as seleções, e Portugal não é a única seleção, são todas assim, é o normal e trabalha-se bem? Trabalha-se bem, também.
Nas conferências de imprensa, e muito devido à questão Ronaldo, temos ouvido aquele grupo, e de resto já falamos isso aqui na História do Dia quando fizemos aquele episódio contigo, que o grupo está forte, está blindado, é imune ao exterior. Enfim, uma série de frases feitas para tentar escapar a perguntas. Mas em campo é possível ver manifestações de coesão. Há jogadores que claramente se protegem uns aos outros, trabalham em conjunto.
Foi um exemplo que o nosso treinador nos deu. Posso dizer isto? Temos vários tipos de salada. Se nós nos juntarmos e fizermos a salada, não adianta estar ali o tomate sozinho, a cebola, não adianta. Por isso eu acho que o mais importante é nós juntarmos isso tudo. É verdade que nós temos uma seleção com muita qualidade, mas se nós não trabalharmos, se nós não respeitarmos o nosso adversário, se nós não fizermos aquilo que o nosso treinador prepara para o jogo, de que adianta termos muita qualidade e não pôr ela em prática?
No fundo, Bruno, quem é a cola que une este grupo?
Eu acho que este grupo está, de certa forma, a ir buscar as raízes do sucesso de 2016, mostrando que não é preciso empatar todos os jogos e ganhar apenas um nos 90 minutos, como aconteceu nesse Campeonato da Europa, para poder ter uma participação em que vá longe. Acho que a situação Ronaldo nesta altura está ultrapassada. Vão continuar a existir notícias, agora é a propósito de um acordo com o Al-Sadd da Arábia Saudita, que por si só também dará uma História do Dia. A maneira como a Arábia Saudita está a tentar atropelar o Qatar naquele concurso do "se tu fizeste isso, eu vou fazer ainda maior". E a contratação de Ronaldo, embora seja por um clube, também tem muito a ver com a maneira como a Arábia Saudita quer mostrar que não está atrás do Qatar. Mas voltando em tudo o resto, claramente percebe-se que as vitórias são a melhor coisa que pode existir para um grupo de trabalho. A maneira como acabou o próprio jogo com o Gana, com aquele erro do Diogo Costa e a forma como ele foi acompanhado e confortado pelos companheiros mostra que, de facto, essa união existe. E quando tu começas a trabalhar em cima de vitórias, é muito mais fácil depois as coisas correrem bem. Agora, tu não consegues controlar tudo, e isso também acaba por ser a magia do futebol. Ainda para mais, estando a entrar na fase a eliminar, onde qualquer jogo menos conseguido, qualquer erro, qualquer detalhe, pode determinar uma eliminação. Ainda assim, parece-me claramente que o grupo está no ponto em que deveria estar a todos esses níveis de entreajuda, de motivação. Não tenho dúvidas que essa parte está toda preparada, depois é o jogo em si e tudo aquilo que não se pode controlar e que teremos sempre de esperar ao longo dos 90 minutos.
Bruno, para terminar a nossa conversa, e já que estamos a falar de portugueses fora do país, e se comecei esta conversa preocupado, a ver se saber se tinhas um casaquinho de malha por causa do ar-condicionado, valendo-me deste portuguesismo, também estou preocupado com aquilo que andas a comer. Já tens aí um prato favorito? Temos que falar de comida. Tens aí um prato favorito no Qatar ou não?
Zerinho. Olha, posso dizer as duas refeições que eu tive pena de não ter feito. Uma era de bacalhau e outra era de feijoada.
São pratos portugueses, quer dizer.
Exatamente. Pronto, só que há aqui um problema que muitas vezes passa um bocadinho ao lado. O fato de os jogos acabarem tão tarde, à meia-noite, mais zona mista, mais sair do estádio.
Não me digas que a cozinha já está fechada à meia-noite.
Não, já são 3 h da manhã. Não é só a cozinha, já está tudo fechado. Aquilo que há é as lojas 24 horas para ir comprar um croissantzinho e mesmo assim já se vai com sorte. Os pratos daqui, sobretudo os pratos de carne, há uma coisa que faz imensa confusão, mas é uma derrota, já a semi-derrota, não há problema. Podem-te perguntar se tu queres spicy ou não spicy, quando a comida chega à boca, já sabes que vais ficar a arder. Portanto, não é uma água, é uma água, uma 7 Up e uma Coca-Cola para depois aguentar o resto do dia. Funciona assim.
Obrigado, Bruno.
Obrigado.
Bruno Roseiro é editor de desporto e é o enviado especial do Observador ao Qatar. No site e na rádio, temos uma ampla cobertura deste mundial e, claro, os relatos em direto dos jogos de Portugal. Esta foi a História do Dia. A sonoplastia e a música do genérico são do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até segunda.