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Esta é a história do dia da Rádio Observador. Sai Israel e entra Cristina. O que esperar da Web Summit?

"Failure is the first step for success. When you fail, you are just seeing what doesn't work."

No ano passado, Cristina Ferreira falou de falhanços e conjugou o verbo to be na Web Summit em Lisboa. Este ano, a estrela da televisão nacional regressa para mais uma palestra. A oitava edição arranca esta segunda-feira, mas com o registo de cancelamentos de nomes sonantes e com muita polêmica à mistura. A Web Summit ainda é o que era? Vou conversar com Cátia Rocha, jornalista, especialista do Observador em Tecnologia. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia de segunda-feira, 13 de novembro. Bem-vinda, Cátia.

Obrigada, Ricardo.

Já tens a tua app instalada?

Já, há algumas semanas até. Tornou-se na forma mais rápida de conseguir perceber o que estava a existir de entradas e saídas de oradores na Web Summit deste ano. Portanto, foi a necessidade de antecipar a obrigação.

Porque a app funciona mais ou menos como uma chave. Quem não tiver a app não consegue entrar no recinto, não é?

É lá que está o bilhete. É por isso que é obrigatório, mas acaba por ser útil porque tem também uma função de chat, podes falar com outras pessoas e para quem está à procura, até há lá anúncios de emprego.

Na app. Bom, nós fizemos há pouco tempo um episódio da história do dia a que carinhosamente chamámos hashtag vai correr tudo bem? Fazíamos a pergunta e de lá para cá aconteceu muita coisa. Desde logo, há uma CEO nova na Web Summit, mas antes de a conhecermos, convém recordar porque chegámos aqui e porque é tão polêmica esta oitava edição da Web Summit.

Bem, tudo começou na rede social X, o antigo Twitter, com declarações de Paddy Cosgrave, que era o CEO da Web Summit, sobre o conflito entre Israel e o Hamas. Até aqui poderia ser tudo muito normal. Paddy Cosgrave costuma utilizar muito esta rede social, mas as declarações, devido ao conflito que está a acontecer, geraram um boicote, porque o evento de repente assumiu uma vertente política. E Israel disse que não ia participar na edição deste ano da Web Summit, disseram que as declarações de Paddy Cosgrave eram ultrajantes. E não foi só Israel a dizer isto, houve aqui grandes empresas e oradores que decidiram cancelar a presença na Web Summit este ano em Lisboa, devido à polêmica que se instalou à volta do evento. E até que Paddy Cosgrave, o principal acionista da empresa que controla a Web Summit, decidiu acabar com o que considerava serem distrações e anunciou a demissão, o que nos leva à entrada de uma nova CEO.

Então, quem é esta nova CEO?

"Hello, everyone. My name is Katherine Maher, and I'm the new CEO of Web Summit."

É a Katherine Maher, que curiosamente tem um apelido de origem irlandesa, um ponto em comum com a própria Web Summit e com Paddy Cosgrave, e é conhecida por já ter liderado a Wikipédia, enciclopédia livre que todos nós usamos. Curiosamente, Paddy Cosgrave tem aqui apresentado missão por declarações ligadas ao conflito no Médio Oriente e Katherine Maher é uma especialista no Médio Oriente e em estudos islâmicos. Faz mesmo parte da formação dela e já viveu no Egito, na Síria, no Líbano, portanto, é uma pessoa que tem muita experiência internacional. E ao liderar a Wikipédia, que está associada à fundação com o mesmo nome, é uma fundação, portanto, vive muito de donativos e toda a gente que já abriu a Wikipédia, muitas vezes recebe aquela caixa pop-up para dar um contributo, para que se possa manter uma enciclopédia livre. E o trabalho dela na Wikipédia estava muito associado a estar presente em eventos, aparecer e mostrar a missão da empresa. Portanto, é alguém que já está habituada não só a grandes palcos, mas a eventos de grandes dimensões, como é este caso da Web Summit.

"Thank you, obrigada e até já."

Mas vamos ver Katherine Maher sempre presente ao longo dos dias da Web Summit a fazer relações públicas, que obviamente é importante, como estavas a explicar.

Não sabemos ainda que papel é que vai assumir, se vai ser algo tão presente quanto Paddy Cosgrave. O que se sabe é que vai ter a mesma lógica de mestre de cerimônias de Paddy Cosgrave na cerimônia de abertura, e vai estar numa conversa com Jimmy Wales, cofundador da Wikipédia, portanto, vai ser também uma espécie de reencontro. Mas não há ainda indicação sobre se vai circular pelos corredores da Web Summit como Paddy Cosgrave fazia. Não há, para já, indicação sobre a conferência de imprensa, neste caso da CEO, que costuma ser o balanço da Web Summit, a apresentação de números, também perceber como é que correu a edição.

Não está marcada, sequer.

Não está sequer marcada ainda na agenda e não se sabe se vai querer seguir o mesmo estilo do antigo CEO ou se vai querer ter uma Uma postura um bocadinho mais recatada.

Cátia, em termos práticos, já percebemos que esta Web Summit começa esta segunda-feira e há aqui algumas dicas práticas que possas também dar para ajudar. Transportes, há transportes especiais, aqueles passes especiais este ano?

Há passes especiais. Há sempre, todos os anos, um passe Web Summit, que é válido para os participantes que vão, e tem um preço um bocadinho mais acessível e dá para todos os transportes da cidade. Uma coisa muito importante para quem trabalha ou para quem vive e se desloca ali até ao Parque das Nações, há restrições de trânsito, como é óbvio, durante os dias do evento. E o mais aconselhável, como sempre, são mesmo os transportes públicos, daí haver esta lógica dos passes para participantes.

Porque os preços das plataformas dos TVDEs geralmente nesta altura disparam, não é?

Disparam, é muita gente. Normalmente, toda a gente tenta pedir um carro à mesma hora, portanto, tarifa dinâmica, já se sabe o que é que acontece.

E festas, Cátia Rocha?

Há festa. Há sempre festa. Curiosamente, nunca fui a uma destas festas.

Nunca foste?

Não. Há quase oito anos a fazer a Web Summit, nunca apanhei a Night Summit, que é o nome do evento.

Temos que tratar disso.

Exato. Acabam os trabalhos no Parque das Nações e depois continua a festa. Este ano começa no Hub Criativo do Beato, depois também há uma parte mais na zona do Terreiro do Paço e no fim é no Pavilhão Carlos Lopes.

Quantas pessoas são esperadas este ano?

Até aqui sabemos que se esperam 70 mil, um número muito em linha com o do ano passado.

Já voltamos à conversa com Cátia Rocha, jornalista do Observador. Afinal de contas, esta Web Summit ainda é o que era. E já agora, se gosta da História do Dia, por favor, siga-nos na app ou na aplicação que habitualmente usa para ouvir podcasts. Assim, garante que não perde um episódio e neste mundo da tecnologia está a ajudar, e muito, a História do Dia, se clicar em seguir. Obrigado. Estamos de regresso à conversa com a Cátia Rocha, especialista em tecnologia, jornalista do Observador. Cátia, imagino que ainda te façam mais ou menos esta pergunta: aquilo da Web Summit é o quê? Serve para quê? Há farturas na Web Summit?

Olha, farturas confesso que nunca vi, mas waffles já vi. Isso tenho a certeza que existe.

Mas não é a mesma coisa. Não vamos aqui confundir estas coisas.

Bem, mas o que é a Web Summit? É um evento de tecnologia e empreendedorismo. Há mesmo muitas empresas que vão ao evento à procura de estabelecer contactos com investidores. As pessoas tendem a achar que aquilo é um bocadinho só conferências, mas não, há mesmo startups que estão lá, mostram o produto, mostram o que estão a fazer e estão mesmo muito interessadas em estabelecer contacto com investidores. Vêm investidores de vários pontos do mundo para a Web Summit, portanto, é um bocadinho uma montra.

Portanto, é um local onde as pessoas se encontram, onde as vontades se encontram. E se eu tiver uma ideia para uma empresa, um copo inteligente, que temos aqui o copo de água em cima da mesa, um copo inteligente e vou lá à procura de alguém que tenha dinheiro e queira investir, é isso?

Sim, também. E depois existe uma coisa chamada Competição Pitch da Web Summit, que é uma oportunidade em que há um conjunto de fundadores de startups que são chamados ao palco principal da Web Summit, que fica dentro do Altice Arena. É a garantia de que está lá mesmo muita gente e têm a oportunidade de apresentar o negócio a uma montra internacional. E depois, obviamente, há uma competição, há um vencedor no final, que é anunciado quase na cerimônia de encerramento. Portanto, é mais uma montra. Mas a maior parte das pessoas vai para acompanhar conferências. E há muitos palcos temáticos. Só que este ano, com toda esta polêmica que se instalou à volta da Web Summit, há vários oradores que desistiram e houve aqui entradas.

Então vamos precisamente falar sobre esses cancelamentos. Afinal, quem é que não vem?

Bem, a Web Summit costuma ter grandes nomes da tecnologia, muitas empresas tecnológicas e aqui as gigantes, mas também vive muito de estrelas de Hollywood. São nomes que costumam gerar curiosidade.

Com impacto.

Exatamente. E às vezes até se acha um bocadinho estranho, porque é que há pessoas de Hollywood na Web Summit. Mas a questão é que muitas destas pessoas têm aproveitado a notoriedade que têm para lançar marcas e produtos em nome próprio. E desistiram, por exemplo, o ator Joseph Gordon-Levitt, conhecido por "500 Days of Summer", Gillian Anderson ou LL Cool J. Eram tudo nomes que estavam confirmados para vir à Web Summit e entretanto começaram a desaparecer da lista de oradores. E depois é inevitável falar da saída de empresas como a Google, a Meta, que é a dona do Facebook e do Instagram, a Amazon, e o que, consequentemente, se a empresa desiste de participar no evento, tudo o que era de oradores destas empresas que estavam confirmados e que iam participar em sessões também desapareceram da lista.

E essas são três das famosas Big Five, não é? Das grandes cinco.

Das Big Tech, exatamente, sim.

E por outro lado, quem vem, Cátia?

Há alguns nomes que sempre se mantiveram na agenda, apesar de todas estas saídas. Chelsea Manning, por exemplo, ex-analista de segurança dos Estados Unidos, que passou documentos à WikiLeaks. Uma delatora, é um dos nomes fortes deste ano. Depois vem também Stella Assange, uma activista e a mulher de Julian Assange, como está no apelido. E vem também o CEO da Alibaba, empresa de comércio eletrónico que muita gente conhece e que está aqui a gerar um pouco de curiosidade para se perceber o que é que vem à Web Summit dizer. Mas também temos representantes portugueses. Temos a apresentadora Cristina Ferreira, que vai falar na Web Summit pela terceira vez.

É o terceiro ano consecutivo?

É o terceiro ano, sim. Ou a atriz Jéssica Athayde, que também vai participar.

E com um governo que tem agora fim anunciado e marcado, com os partidos já a fazer contas para a campanha eleitoral, vamos assistir ao tradicional desfile de ministros e autarcas na fila em Lisboa ou este ano até isso correu mal para a Web Summit?

Até agora, parece que vai ser um desfile bem mais reduzido do que costuma ser. Está confirmado Costa Silva, o ministro da Economia, que está marcado para comparecer tanto na cerimónia de abertura como na cerimónia de encerramento. Este ano, como Marcelo Rebelo de Sousa não vai estar presente, embora tenha dito que vai aparecer de surpresa na Web Summit, não se sabe bem ainda quando, o encerramento vai ser feito pelo ministro da Economia e não pelo presidente da República, como tem acontecido nos últimos anos. Mas a questão é que houve vários ministros que estavam aqui na lista de oradores e que entretanto também foram desaparecendo da lista e as sessões, consequentemente, também foram sendo alteradas.

E há sempre também uma grande presença do desporto. Há um dia dedicado ao desporto?

Há um palco dedicado ao desporto. E normalmente tem uma grande presença do futebol. Vem, por exemplo, este ano, o presidente da Liga Espanhola, mas também há mais modalidades aqui para acompanhar. Uma confirmação mais recente é o capitão da Seleção Nacional de Rugby, Tomás Appleton, que está confirmado para uma sessão onde vai estar com a atleta Patrícia Mamona.

Mas no meio disto tudo, Cátia Rocha, ainda não falámos daquele que é um dos nossos assuntos favoritos, confesso, que é tecnologia. Nós gostamos muito de tecnologia. O que é que vamos ter este ano nesta cimeira de tecnologia?

Há muitas sessões sobre inteligência artificial, que era um tema inevitável depois do boom do ChatGPT. O ChatGPT que só chegou depois, já a Web Summit 2022 tinha acabado quando o ChatGPT foi lançado, curiosamente. Há muitas conversas sobre a regulação desta tecnologia e perceber também impactos desta tecnologia em vários setores, desde os media até à área do marketing e também de como é que as empresas podem tirar proveito da inteligência artificial para produtividade. Mas também há sessões sobre outras coisas. Há sessões sobre segurança, sobre privacidade ou até sobre mobilidade inteligente.

E há robôs?

Claro.

Agora que disseste esse "claro".

Há robôs. Aliás, um bocadinho que marcou e que habitou os portugueses a conviver com a Web Summit também foi esta lógica de haver robôs. Todos os anos havia, por exemplo, a Sophia, e marcou muito as primeiras edições da Web Summit.

Até fez publicidade em Portugal.

Exatamente, de uma marca de telecomunicações. E depois da Sophia, tivemos todos os amigos da Sophia. Eu lembro-me que houve o robô Einstein. Os primeiros anos foram assim muito com a presença de robôs e agora vem uma robô, que é a irmã mais nova da Sophia, ela foi apresentada na Web Summit do Rio de Janeiro e é descrita um bocadinho como uma robô rockstar. A lógica é que ela faz parte de uma banda e que tenta cantar com os criadores da empresa de robótica.

"I'm only just a robot. I don't have any forethought. My planning is in vain."

E esta polémica, Cátia, é apenas uma tempestade na Web Summit ou é sinal de que a Web Summit já não volta a ser o que foi?

Vamos ter de esperar para ver o que é que acontece. Antes de mais, é preciso perceber que papel é que a nova CEO da conferência vai querer ter. Até agora não houve, por exemplo, entrevistas de antecipação do evento, que era algo que o Paddy Cosgrave fazia todos os anos. Mas também se há de ter em conta que esta CEO foi anunciada duas semanas antes do evento, portanto, já vem um bocadinho em cima da hora. E outra questão inevitável é que saíram muitos oradores e há empresas grandes, que já falámos há bocadinho, como a Google ou a Meta, que já sinalizaram que não pretendem voltar ao evento. Agora é perceber como é que a Web Summit reage a estas saídas, como é que corre o evento deste ano e até perceber o que é que os participantes também vão dizer, se sentem que o valor e o investimento que é feito com este bilhete continua a dar o mesmo retorno.

Obrigado, Cátia.

Obrigada, Ricardo.

Cátia Rocha, jornalista do Observador, especialista em tecnologia. Esta foi a História do Dia. Somos um programa de rádio e também um podcast e usámos sons retirados do YouTube. Estamos presentes em todas as plataformas de podcast e também no YouTube e pode sempre partilhar este episódio com um amigo ou familiar por SMS ou através das redes sociais. E há 15 ou 20 anos, já que falamos de tecnologias, poucos entenderiam isto que acabei de dizer. A sonoplastia é do Bernardo Almeida, a música do genérico do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.