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Esta é a história do dia da Rádio Observador. Quem é Tim Walz, o vice de Kamala Harris?
Here's the thing. Since the day that I announced my candidacy, I set out to find a partner who can help build this brighter future. A leader who will help unite our nation and move us forward. A fighter for the middle class. A patriot who believes, as I do, in the extraordinary promise of America.
A notícia foi conhecida de manhã nos Estados Unidos, confirmada à hora de almoço e proclamada por Kamala Harris ao final da tarde, num comício na Pensilvânia. Tim Walz é o vice escolhido pela vice-presidente e candidata democrata à Casa Branca. Quem é este homem e o que nos diz esta escolha sobre a estratégia eleitoral dos democratas? É sobre isto que vou conversar com Ana Cavalieri, especialista em Relações Internacionais e profunda conhecedora da política norte-americana. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia de quarta-feira, 07 de agosto. Bem-vinda, Ana Cavalieri.
Muito obrigada, é um prazer estar cá.
Quem é Tim Walz?
Tim Walz é, neste momento, uma escolha controversa. Antes de mais, eu queria fazer um ponto de situação que se estava a desenvolver até há poucas horas. Ao que parece, Kamala Harris não tinha ainda decidido, hoje de manhã, quem é que iria escolher, ao ponto de a campanha ter que fazer ou imprimir sinais com os dois top contenders, as duas escolhas que estariam na final, que era Tim Walz e Josh Shapiro. E neste momento eu penso que é seguro dizer que a escolha de Tim Walz, que tem algumas vantagens, mas as desvantagens estão neste momento a fazer com que os republicanos estejam muito felizes com esta escolha de Kamala Harris. Há dois grupos de pessoas, neste momento, que estão muito felizes. É talvez a facção mais à esquerda, mais anti-Israel do Partido Democrata. E nós precisamos de ter noção que a coligação democrata está, neste momento, fraturada no tema de Israel-Palestina. E temos também de admitir que os republicanos, neste momento, estão felizes, porque penso que temiam mais Josh Shapiro pela conexão que ele tem em Pensilvânia. Nós vamos poder falar também o quão relevante é o vice-presidente ser de um Estado que ainda está por decidir se vai republicano ou democrata.
Exatamente.
Mas neste momento, o cálculo político de Kamala Harris foi Tim Walz. Ele foi um professor de Geografia de liceu.
Exatamente. Queria entrar aqui, Ana, na parte mais biográfica de Tim Walz. Quem é este homem? De onde é que ele vem?
Exatamente. Ele foi professor, ele é do Minnesota, ele é governador neste momento do estado Minnesota e teve uma carreira em que ocupou posições bastante nobres ou pelo menos bem consideradas na sociedade americana. Ele foi professor de Geografia de liceu, foi também treinador de futebol desse liceu e os football coaches têm uma aura de mentor.
Futebol americano.
Futebol americano, exatamente. E também ele foi membro da National Guard e, portanto, ele tem um estatuto de veteran que nos Estados Unidos também é algo bem apreciado. Ele entra em política pelos 40 e picos anos como um moderado. E ele consegue ganhar um distrito que tradicionalmente pende pra republicano. E ele conseguiu ganhar apelando talvez a uma moderação na política. Depois foi eleito governador, ele hoje está no segundo termo, mas é quando ele entra nesta nova etapa e começa a ser governador que nós vemos que a política dele muda radicalmente. Ele passa de um moderado no Congresso para alguém que tem governado Minnesota com políticas normalmente associadas com a ala mais radical de esquerda do Partido Democrata.
Vou pegar nessa deixa para falar um pouco do ponto de vista político deste vice escolhido por Kamala Harris. Walz diz que Donald Trump e os republicanos são weird, esquisitos, numa tradução mais literal. Eu aqui vou optar pelo portuguesíssimo esquisitóide, dizendo que Trump é esquisitóide.
I gotta tell you, my observation is, have you ever seen the guy laugh? That seems very weird to me that an adult can go through six and a half years of being in the public eye. If he has laughed, it's at someone, not with someone. That is weird behavior.
Ana, qual é, afinal, o pensamento político de Tim Walz?
Tim Walz era um moderado nos seus tempos de congressista, até porque pelas necessidades de seduzir o eleitorado do distrito que ele representava, ele precisava de se apresentar como um candidato mais moderado e um político mais moderado cada vez que procurava a reeleição. Mas é quando ele passa para ser governador do estado de Minnesota, que é um estado sólido democrata. Nós temos que pensar que Minnesota foi o único estado que o Reagan, na segunda eleição dele, em 1984, não ganhou. Reagan teve a maior landslide, a vitória mais larga em termos de um estado. Ele ganhou 49 dos 50 estados. E o único estado que ele não ganhou foi Minnesota, também porque o adversário dele era Mondale, que era de Minnesota. Mas Minnesota é um estado sólido, democrata, não faz parte dos seis swing states para esta eleição, que é Wisconsin Michigan, Pennsylvania, Norte e depois o Sul, Georgia, Arizona e Nevada. Ou seja, ele vem de um estado que neste momento não está em disputa, porque vai ser democrata, mas a partir do momento em que passa a ser governador do estado de Minnesota, ele começa a ligar-se muito àquilo que são as políticas mais promovidas pela facção mais radical e de esquerda do Partido Democrata. Nomeadamente, ele ficou muito ligado à resposta fraca, ele próprio já o admitiu, ele até disse que tinha sido um "abject failure", ou seja, uma falha grotesca da governação dele, que foi na resposta aos protestos violentos no verão de 2020 por causa do George Floyd e os Black Lives Matter protests. Basicamente, durante vários dias, Minneapolis, que é a principal cidade do estado de Minnesota, esteve a arder. E ele não conseguiu mobilizar a guarda nacional pra tentar controlar a situação. Houve pessoas que morreram, houve mais de 500 milhões de danos e prejuízos, em que pequenos e médios negócios foram incendiados, houve estações de polícia, police stations, e também outros edifícios federais que foram também posta a fogo. E ele está muito associado àquilo que foi uma resposta muito branda a esses protestos violentos. E também, que isto é um problema pra Kamala Harris, toda esta questão do Defund the Police, que foi um movimento político na altura, em 2020, pra tentar diminuir o financiamento das forças policiais, o que depois veio-se a averiguar que as metrópoles e as cidades que fizeram esse abrandamento do financiamento viram os seus índices de criminalidade dispararem. Pelo que neste momento é um tópico muito impopular pra um grande segmento do eleitorado americano. Ele está muito associado também àquilo que Kamala Harris fez, que foi, na altura, ela publicou um link e pediu aos seus seguidores para doarem dinheiro para libertar nas fianças os protesters, ou seja, os indivíduos que tinham feito-
Os manifestantes
...protestos violentos, tinham participado nesses protestos violentos, para os tirar da prisão. Eu pensava que quando ela estivesse a escolher o seu VP, que ela tentaria evitar precisamente os temas que a fragilizavam naquilo que será para os independentes menos sedutor, naquele que é o passado dela. Mas não, porque neste momento nós sabemos que Tim Walz está muito ligado à resposta, que muita gente considera ter sido insuficiente, dos protestos violentos de 2020, e também está associado a outras políticas que são muito contestadas ao nível cultural nos Estados Unidos da América, nomeadamente à transição de gênero de menores. Ou seja, Minnesota, neste momento, através de Tim Walz-
Ele é mais liberal, é isso?
...conseguiu aprovar a legislação mais à esquerda, mais progressista, sobre menores poderem ter acesso aos chamados puberty blockers, que é bloqueadores de puberdade, poderem fazer cirurgias antes de serem maiores de idade e se os pais não aceitarem, o Estado pode retirar essas crianças à guarda dos pais. Todos estes temas são altamente contestados na public arena, na arena cultural, que neste momento os independentes, pelo aquilo que dizem as sondagens, não estão muito a seguir a linha mais progressista sobre estes temas. Eu penso que ele tem outras qualidades, Tim Walz, que é necessário reforçar. Ele é encantador em termos de personalidade. Ele tem uma maneira de comunicar muito próxima das pessoas. É aquilo a que os americanos chamam de folksy. Folksy é perto daquilo que é o common man, o homem comum americano.
Exatamente. No fundo, Kamala Harris escolhe um homem branco, treinador de futebol americano do liceu. Eu não sei se ele conduz, mas se calhar conduz uma picape Chevrolet ou Ford ou um carro americano. É luterano. Eu até diria, Ana Cavalheiri, que é capaz de ser o próprio Tim Walz que se encarrega de trinchar o peru no Dia de Ação de Graças.
Talvez.
Mais americano que isto é difícil, ou não? Mas isto também tem uma leitura política.
Tem uma leitura política. E na questão identitária e de personalidade, eu penso que ele seria a opção ideal para seduzir a tal classe média ou classe trabalhadora branca que prevalece em muitos dos swing states como Michigan, Pennsylvania e Wisconsin. Mas a essa personalidade vai se contrapor o tipo de políticas que ele promove. E essas são, de todos os candidatos, dos seis candidatos que estavam a disputar o lugar de VP, ele é o mais à esquerda. E eu penso que esses eleitores de classe média independentes ou classe trabalhadora independentes e moderados, entre serem seduzidos por uma personalidade mais afável, mais próxima e mais americana, ou contrapor isso àquilo que foram as políticas que esse homem promove, é capaz de eles se assustarem mais pelas políticas e de acharem que Kamala Harris encostou-se a alguém que, tal como ela tem a reputação, é mais progressista, mais à esquerda, do que propriamente ter um efeito moderador. Eu penso que o Josh Shapiro, que tinha outras fragilidades que provavelmente fizeram com que Kamala Harris não o escolhesse Conseguiria pelo menos apelar, que é um político muito mais moderado, com uma tradição muito mais de fazer pontes com os republicanos. E eu acho também que existe aqui um problema, porque houve muita gente que achava que seria Shapiro, nomeadamente por o primeiro comício ser em Pensilvânia, e ele estar quase, ele foi preferido. Há muita gente em Pensilvânia que está desiludida neste momento.
"Hi, this is Tim."
"It's Kamala Harris. Good morning, Governor."
"Good morning, Madam Vice President."
"Listen, I want you to do this with me. Let's do this together. Would you be my running mate and let's get this thing on the road?"
"I would be honored, Madam Vice President. The joy that you're bringing back to the country, the enthusiasm that's out there, it'll be a privilege to take this with you across the country."
Já regressamos à conversa com Ana Cavalheiro, investigadora de Relações Internacionais, que conhece muito bem a política norte-americana. Será esta frente Kamala-Walz um problema para Trump? Estamos de regresso à conversa com Ana Cavalheiro, que viveu muitos anos nos Estados Unidos e é investigadora na área das Relações Internacionais. Ana Cavalheiro, falemos também agora um pouco do estado do Minnesota, já referiu isso há pouco. Aqui, quando recentemente conversamos na História do Dia sobre Kamala Harris, falamos da importância de cobrir duas grandes áreas geográficas e eleitorais fundamentais nas presidenciais norte-americanas, o Rust Belt e o Sun Belt. Ana, só para nos situarmos, estamos aqui a falar de quê?
Rust Belt é a cintura industrial americana muito conectada com o Midwest, que é mais enorme nos Estados Unidos na parte central. E nesse Rust Belt há três estados, neste momento, que são considerados swing states, que tanto podem pender para republicano como para democrata. Neste momento é Michigan, Wisconsin e Pensilvânia. Minnesota, que faz parte do Rust Belt, neste momento é considerado, e já há muito tempo, e eu relembro que foi o único estado que Reagan perdeu, e pela questão demográfica também, porque é um estado com uma percentagem de população árabe, de imigração árabe muito elevada. É um estado, neste momento, que não replica com tanta facilidade aquilo que são as escolhas eleitorais dos outros estados que estão, esses sim, em disputa. Pelo que, neste momento, a escolha de Tim Walz não irá, à partida, ajudar aquela conventional wisdom, ou seja, aquela lógica mais ou menos aceite de que quando um nomeado escolhe o seu parceiro para vice-presidente, presta muita atenção em quais os estados que estão ainda por decidir, para ver se o candidato poderá dar uma ajuda em ganhar esse estado. Sendo certo que essa lógica, desde 1992, em que nós tivemos Al Gore a ser o vice-presidente do Clinton, e o Al Gore conseguiu ajudar a tornar democrata Tennessee, que normalmente é um estado republicano, desde essa eleição que não se vê muito esta ideia de que o candidato a vice-presidente ajuda a ganhar o estado de onde ele vem. Mas neste momento havia muita esperança de que o Josh Shapiro, por vir da Pensilvânia, e Pensilvânia, de todos os estados, dos seis estados que estão em disputa, é o mais importante, é aquele que se quem ganhar esse estado já está com 30% daquilo que precisa de fazer em termos de combinações de estados, de swing states, para conseguir a vitória. É, de longe, o estado mais importante desses seis. E por ser o Josh Shapiro um candidato moderado, com credenciais relativamente à economia muito fortes, sem a bagagem destas polémicas culturais ou ligadas também à polícia e aos protestos violentos dos Black Lives Matter, toda a gente achava que seria provavelmente a aposta mais segura, mas as vulnerabilidades de Josh Shapiro acabaram por falar mais alto. E também havia outro candidato, que era o Mark Kelly, que era do Arizona, e esse sim faz parte do Sun Belt, que no fundo o Sun Belt é a faixa que vai da Califórnia até a Flórida, do sul dos Estados Unidos, e desses estados tínhamos Arizona, Nevada e Georgia, e Mark Kelly, sendo do Arizona, também haveria essa lógica de que escolhendo Mark Kelly, que tem um currículo muito interessante, também é muito American, me dizem que ele foi da NASA, foi também da Navy, ou seja, ele é alguém que também já ocupou-
É o astronauta, não é?
Exatamente. Mas também foi preferido por Tim Walz, porque nós não sabemos também como é que foi o processo de avaliação, é o chamado vetting process, que uma sociedade de advogados contratada pela campanha de Harris executou. Nós não sabemos também aquilo que os potenciais temas negativos que eles conseguiram descobrir.
Se eles chumbaram nessa avaliação.
Exatamente. Pelo que pode ser que Harris tenha achado que Tim Walz fosse a menos má das hipóteses que lhe restavam, mas, por exemplo, eu sei que ela estaria à procura de um homem branco, talvez. Mas, por exemplo, a Gretchen Whitmer, que é de Michigan, que é um estado também decisivo, que está neste momento a ser disputado, é uma mulher bastante popular no seu próprio estado, também penso que seria uma opção até mais vantajosa do que Tim Walz, precisamente porque ela não está centrada a estas polémicas culturais que muitos independentes valorizam e pode influenciar a decisão. Mas neste momento, pronto, sabemos que a escolha foi Tim Walz Obviamente, tentando também que os estados vizinhos de Minnesota, que são Michigan e Wisconsin, e um pouco mais longe, Pennsylvania, possam também ser influenciados. Mas eu penso, neste momento, que não será por aí.
E até que ponto esta dupla, Kamala Harris e Tim Walz, poderá obrigar agora Donald Trump a mudar de rumo, a outra estratégia por parte dos republicanos?
Eu acho que ele vai apostar ainda mais na estratégia que ele iniciou. A estratégia de Trump é tentar qualificar Kamala Harris como uma radical de esquerda e incompetente. E Tim Walz, pelas problemáticas que eu já referi, comprova um pouco que Kamala Harris preferiu dar ouvidos à ala mais progressista do seu partido, do que tentar aceitar Shapiro, que seria a opção mais moderada. Shapiro é preferido por ser judeu e por ser pró-israelita. Josh Shapiro é muito crítico de Netanyahu, mas ele também é um sionista. E por sionista eu digo que é alguém que acredita que o Estado de Israel deve ser defendido, porque a existência do Estado de Israel é fundamental, não só para a segurança dos judeus na zona, como para a segurança dos judeus em todo o mundo. E isso é uma posição que Shapiro subscreve, mas Tim Walz também apoia aquilo que Josh Shapiro tem publicamente referido relativamente à situação do Médio Oriente. Isto é uma questão de perceção, muito que Kamala Harris deve ter no seu cálculo político, de que a base mais à esquerda e vocal do seu partido, que já estava a chamar Josh Shapiro de Genocide Josh, Josh Genocida, imagine. Ela preferiu apaziguar aquilo que é talvez a camada da sua base eleitoral que tem de estar motivada, que ver-se-ia desiludida com a escolha de Josh Shapiro por ser quem é e por aquilo que ele já referiu sobre a situação de Israel e da Palestina, do que tentar prosseguir uma estratégia de mais moderação, que eu penso que Tim Walz não irá ajudá-la, dado o passado e o histórico dele como governador agora de Minnesota.
Então, para os três meses que nos separam das eleições, são 90 dias certos, salvo erro. O que vamos assistir agora? Nunca tivemos uma situação destas nos Estados Unidos, pelo menos nos tempos mais recentes. O que é que vamos assistir nestes três meses de campanha de um lado e de outro?
Trump vai bater na mesma tecla agora, que é Defund the Police, que tanto Kamala Harris e Tim Walz, direta ou indiretamente, promoveram, e é um tópico muito impopular para um grande segmento eleitoral americano. Questões culturais, nomeadamente relativas à ideologia de gênero e à possibilidade de fazer a transição de gênero de menores e retirar a guarda das crianças aos pais. E penso que também outros temas relativamente a comentários que ambos os candidatos fizeram de políticas econômicas e ecológicas que estão ligadas talvez a uma agenda mais progressista. E se Trump conseguir virar esta campanha para já não ser sobre personalidade e quem é que tem uma postura mais democrática ou não, mas sobre os temas de economia, imigração, política externa, isso vai ter uma boa vantagem para Trump. Kamala Harris vai continuar um pouco a fazer a estratégia que ela já concebeu, que é no fundo referir que Donald Trump é, neste momento, um felon, ou seja, é um criminoso, que ele é um perigo para a democracia, que é um bocado esquisito. Sendo certo que uma linha muito interessante que os republicanos estão a responder sobre isso, de apelidarem J.D. Vance como esquisito, por exemplo, é que os democratas com estas ideias assim mais progressistas, em que envolve, por exemplo, ter aquilo a que os republicanos chamam drag queen, a sexualizarem crianças no ambiente escolar. E há muitos agora a campanha virtual do republicano é dizer que isso é que é esquisito. Família tradicional não é esquisita, apesar de os democratas quererem agora apelidar. Então já está a vir aqui um tema, uma discussão sobre o que é esquisito ou não. Não sei se eu estou a ser explícita.
Sim.
É isso que a campanha republicana também vai tentar, que é jogar este combate cultural com duas posições bem distintas daquilo que será normal e aquilo que será esquisito. E penso que serão esses os trâmites da campanha. Kamala Harris vai tentar, isso é um ponto importante, é saber se ela vai continuar a evitar dar entrevistas a jornalistas ou não. E também saber se vai haver debate, porque a campanha de Harris, neste momento, está a evitar, ao máximo, pôr a sua candidata, porque normalmente os momentos em que ela esteve mais fragilizada na campanha de 2020, foi precisamente durante debates e entrevistas. Estão a tentar poupá-la de possíveis erros a esse nível, e eu penso que Donald Trump vai querer promover um debate se ela continuar a tentar não ter esse contacto direto com a imprensa. Repare, eu estive a ver ontem a página dela de campanha e eu nunca tinha visto algo assim. É a primeira vez que eu vejo uma página de campanha de um presidente em que não há uma secção na página sobre as políticas que defende. A página de campanha de Kamala Harris tem agora, neste momento, uma secção para doar dinheiro, outra secção para voluntários, a terceira secção sobre a história da infância dela e um pouco do passado, e uma quarta secção sobre merchandising. Não há nada sobre o programa eleitoral. E eu penso que a campanha de Trump vai tentar pegar nisso, na falta de escrutínio relativamente àquilo que são as posições que esta nova nomeada tem.
Obrigado, Ana Cavalieri.
Muito obrigada.
Ana Cavalieri é investigadora na área das relações internacionais e viveu muitos anos nos Estados Unidos. Conhece muito bem a política norte-americana. Esta foi a História do Dia. Os sons que ouvimos neste episódio foram retirados da emissão da CNN Internacional. A sonoplastia é da Beatriz Martelo Garcia, a música do genérico do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã e boas férias.