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Olá, sejam muito bem-vindos. Esta é a "História das Histórias". Eu chamo-me João Paulo Sacadura e comigo em Viseu está Alberto Correia, que hoje vai começar com uma homenagem, aliás, esta semana toda, a várias pessoas. Concretamente hoje, Armindo Lopes Ribeiro, ele que foi professor, escultor, medalhista e pintor. Vamos saber um pouco mais sobre esta extraordinária vida deste visense. Olá, Alberto. Bem-vindo. Vamos a isso.

Armindo de Almeida Lopes Ribeiro escolheu o pseudónimo Armindo de Viseu para assinar a sua arte. A vida dele foi Odisseia. As sete partidas de uma vida por distintas geografias percorridas, labores diversos cumpridos numa satisfação de alma tantas vezes sofrida. Ganhador do pão, foi professor, escultor, medalhista e pintor. E houve um dia em que a Câmara de Viseu lhe pôs medalha ao peito. Armindo de Almeida Lopes Ribeiro nasceu nas cercanias de Viseu em 1916 e aqui morre na cidade em 2004, cumpridas as muitas voltas da vida. Armindo de Viseu, nome de guerra que escolheu, foi homem das sete partidas e dos sete ofícios também. Beirão de São Pedro de France, margem larga de Viseu, aqui se matricula na Escola Comercial e Industrial Dr. Azevedo Neves, onde o marcaram as aulas de desenho do pintor José Augusto Pereira. Ruma um dia com um primo, viagem caucionada pelo pai para o Brasil, viagem tormentosa no velho navio inglês England Patriot, durante a Segunda Guerra Mundial. A sorte encaminhou-o para os ateliês da Fundição Zani, no Rio de Janeiro, de onde em breve se despede, rumando a São Paulo, onde frequenta a Escola de Artes dirigida pelo grande escultor polonês August Zamalski, que escapara à guerra, e onde irá encontrar trabalho no ateliê de Victor Brecheret, autor dos célebres monumentos que celebram os bandeirantes e os triunfos do Duque de Caxias, a mais importante estátua das Américas, se diz. Armindo Ribeiro voltará ao Rio e regressará à Fundição Zani em 1943, onde desenvolve importante ação na escultura, lá onde ganha prémios e medalhas. Regressa a Portugal com a intenção de voltar, o que não aconteceu. Quis a sorte que, ao passar por Alcobaça, se interessasse pelo trabalho de cerâmica e ali adquirirá a Fábrica Pombo, que dirige ao mesmo tempo que leciona na escola secundária local, trabalho insano, sem glória de maior. Armindo Ribeiro venderá a fábrica anos mais tarde, deixará a escola e regressa a Viseu, entretanto casado com dona Cândida Lobo, em cuja casa de seus pais habitou, na desaparecida mansão da Avenida da Bélgica. Dezassete anos haviam passado desde o regresso a Portugal. Em Viseu, volta à escola que fora sua, chamado como professor de desenho, e onde se mantém até ao 25 de abril de 1974, a festa que acolhe satisfeito, mas já não quer seguir seu labor no novo tempo. Inicia agora em oficina a derradeira caminhada, inteiramente devotado à arte, a escultura da sua afeição, a medalhística da sua eleição e a pintura cuja prática o tempo desgastara. Inconfundível a obra. Modelador de técnica segura, de dedada firme, da expressão perfeita, afirma em todos os trabalhos a espontaneidade do seu processo escultórico. As suas cabeças parecem executadas por moldagem, tão vivos os perfis e fisionomias dos retratados, tão expressivos os traços do seu caráter. Um comentário de Alexandre Alves na Revista Boreal. Esculturas e bustos na cidade e mais além. Notável a fixação em baixo-relevo, um friso que permanece em gesso onde pousa em dezenas de figuras a alma de Viseu. Medalha sem conta de sábios, de heróis, de gente que fez valer a humanidade. Marcada nesse bronze ficou para nós sua memória. Mestre Armindo Ribeiro, mestre Armindo de Viseu.

Muito bem, fica esta bonita homenagem a este mestre, a este medalhista, escultor, pintor e também professor de desenho. Muito bem aqui retratado pela memória da sua vida por Alberto Correia. Alberto, amanhã temos mais um homenageado. Despeço-me por hoje. Bem-haja.

Até amanhã.