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Jornal da Rádio Observador, coedição do Miguel Vieira. E Miguel, o Ministro dos Negócios Estrangeiros confirma que foi comunicado o desaparecimento de um cidadão português em Espanha. Há o receio que possa ser um dos passageiros dos comboios acidentados em Toledo.

É pelo menos essa a convicção do familiar que contactou os serviços consulares para dar conta do desaparecimento. Isso mesmo explica o ministro Paulo Rangel.

O gabinete de emergência consular foi contactado por um familiar de um cidadão português, dizendo que não conseguia contactá-lo e que tinha uma convicção fundada de que seria passageiro deste comboio. Nós não temos mais nenhum dado. Temos, de facto, o reporte de um desaparecido português, o que não quer dizer que não possa acontecer que até não estivesse neste comboio, nós não sabemos, está desaparecido, ou que até já esteja, eventualmente, bem, mas ainda não contactável. Pode acontecer isso. Também pode acontecer que se encontre entre os feridos ou as vítimas mortais. Não sabemos.

Vai ser preciso esperar, por exemplo, pelo trabalho de identificação das vítimas deste acidente. Um trabalho que está demorado, compreensivelmente, acrescenta Paulo Rangel.

A primeira preocupação das autoridades espanholas não é a identificação das pessoas, nem das nacionalidades. É que tudo seja tratado com dignidade relativamente às vítimas mortais e que, nomeadamente, a preocupação em que as pessoas que estão hospitalizadas possam recuperar. E por isso, é natural que nós tenhamos a informação, até agora, escassa. E isto vale para vários países, vários países têm dado nota disso. No caso português, com toda a compreensão.

O ministro dos Negócios Estrangeiros deixou ainda um alerta.

Agora sim, um reporte de uma pessoa desaparecida, que há uma probabilidade muito forte de estar em um dos dois comboios e, portanto, estamos envidar esforços. Isso não quer dizer que não haja ainda, mais tarde, notícia de outras vítimas, seja feridos, seja, eventualmente, falecidos portugueses.

Uma possibilidade que não é descartada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros. Declaração de Paulo Rangel, à margem da audição no Parlamento, no âmbito da apreciação, na especialidade, da proposta do Orçamento do Estado para o próximo ano. Uma audição que ainda decorre a esta hora.

Entretanto, as autoridades espanholas atualizaram, ao final da manhã, o número de vítimas mortais, são agora 69.

Mais uma. Em relação ao último balanço, há ainda vários feridos internados, alguns em estado grave. A esta hora, os reis de Espanha, Felipe VI e Letícia, visitam alguns dos feridos internados no Hospital Universitário de Toledo.

Miguel, já há decisão e fica tudo na mesma. O Banco Central Europeu decidiu não mexer nas taxas de juros.

Apesar da pressão inflacionista. Sim, a taxa de juros dos depósitos mantêm-se nos 2,5%, ainda que a presidente do BCE, Christine Lagarde, sublinhe que é preciso estarmos atentos a alguns indicadores.

Os preços da energia continuaram a subir, representando riscos de subida para as perspectivas de inflação e riscos de descida para as perspectivas de crescimento. Embora os efeitos do choque energético ainda se estejam a manifestar, a inflação subjacente tem-se mantido estável até ao momento. Os salários não revelam uma reação significativa nesta fase. As condições de financiamento tornaram-se mais restritivas desde a nossa última reunião, o que deverá pesar sobre a inflação e o crescimento. Estamos empenhados em definir uma política monetária que garanta que a inflação se estabelece na nossa meta de 2% a médio prazo. Continuamos bem posicionados para lidar com a elevada incerteza atual.

Os analistas antecipam que, na próxima reunião de política monetária, o BCE deve ser obrigado a aumentar as taxas de juro. Ainda sobre o Banco Central Europeu, ficou hoje a saber-se que Christine Lagarde, que aqui ouvimos, vai deixar a presidência da instituição no próximo dia 7 de fevereiro.

Miguel, já terminaram as audiências promovidas pelo Presidente da República com os representantes dos partidos com assento parlamentar.

E a última delegação a ser recebida foi a delegação do PSD, que acredita que a aprovação do Orçamento do Estado é a prova de que o governo consegue gerar consensos. Um consenso tem sido exatamente o que o presidente António José Seguro tem exigido para resolver a crise no acesso à habitação, motivo que levou o presidente da República a chamar os partidos a Belém. Mas Vasco Maldonado Correia, agora aqui em direto, precisamente do Palácio de Belém, apesar deste desejo de consensos, a verdade é que destas audições sobressai o passa-culpas que tem marcado o discurso político.

Foi provavelmente a única ideia consensual que se foi aqui ouvindo desde o início da manhã no Palácio de Belém, a ideia de que a responsabilidade noutra paragem qualquer, algo que o presidente da República tinha pedido que parasse. Apesar disso, o PSD, o principal partido do governo, veio aqui manifestar vontade, disponibilidade para o diálogo, para conversar e diz Leonor Beleza, vice-presidente do partido, que se há coisa que o dia de ontem veio mostrar, é que é possível chegar a consensos.

Salientamos que ontem o país assistiu à votação, na generalidade, do Orçamento do Estado para 2027 na Assembleia da República, com cinco partidos a viabilizar a passagem, nesta fase, do Orçamento do Estado, o que foi certamente, do nosso ponto de vista, um momento muito relevante, de demonstração da capacidade dos partidos se entenderem

Repito, metade dos partidos representados na Assembleia da República se entenderem para que Portugal possa dispor, no ano de 2027, de um Orçamento de Estado.

É bom lembrar que, nestas contas apresentadas por Rui Rio, dos partidos aqui referidos, dois compõem o governo, dois representam apenas dois deputados, precisamente por não acreditar nesta união parlamentar. André Ventura esteve aqui também a avisar que a procura de consensos tem limites e que se alguns não os quiserem, não há muito a fazer.

Nós temos é que começar a perceber e identificar onde é que podemos efetivamente trabalhar e chegar a consensos. Agora, se metade do Parlamento simplesmente diz: "nós não queremos falar disto, não queremos discutir nada, estamos fora da discussão", fica uma discussão a dois, entre o Chega e o PSD. O país não pode parar por haver birras de alguns ou por alguns partidos não se quererem meter numa discussão.

À margem desta conversa, José Luís Carneiro veio a Belém apresentar-se como um defensor das condições para pedir que o governo, mais uma vez, deixe cair a nova lei do arrendamento no Parlamento e olhe, isso sim, para as alternativas apresentadas pelo PS.

A nova lei de rendas que foi à Assembleia da República cria grandes dificuldades aos mais jovens que querem entrar no mercado do arrendamento. Ela cria maior insegurança e maiores dificuldades às classes médias e cria insegurança aos mais idosos. Essa lei foi aprovada pela AD na Assembleia da República, teve o apoio da Iniciativa Liberal e teve o apoio, para a sua viabilização, do Chega. Nós temos uma alternativa que apresentamos na Assembleia da República e era importante que o governo tivesse a humildade democrática para dialogar e construir com o PS uma solução estável e duradoura.

É o que pede José Luís Carneiro, num dia em que o Presidente da República tentou, durante mais de seis horas, dar um chão comum aos partidos para encontrarem um consenso que permita ultrapassar a crise na habitação. Mas, Miguel, um consenso é precisamente o que parece estar em falta entre as diferentes forças partidárias.

Com as declarações dos diferentes representantes dos partidos com assento parlamentar a caracterizarem-se pelo passe culpas, não era seguramente esse o objetivo de António José Seguro, o Presidente da República, quando convocou e quando agendou estas audiências com os partidos com representação na Assembleia da República.

A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considera que o aumento previsto para o salário mínimo não é pouco para a realidade portuguesa.

Em Felgueiras, no distrito do Porto, onde participou na inauguração da nova unidade fabril da fábrica dinamarquesa Coloplast, a ministra foi questionada sobre a contestação relativamente ao aumento do custo de vida, particularmente da habitação, e se estes protestos podiam impulsionar uma subida mais rápida do salário mínimo. Maria do Rosário Palma Ramalho fala do acordo que já foi fechado em sede da concertação social. Considera que o aumento previsto de €50 já é bastante relevante.

O ajuste para já está previsto e são €50, o que é bastante relevante, se pensarem bem, até o final da legislatura. Este acordo permite que haja um aumento do nível de rendimentos dos trabalhadores ao nível do salário mínimo de 34%. Portanto, isto não é pouco num país como Portugal.

É o que considera a Ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho. Atualmente, o salário mínimo situa-se nos €920. O governo prevê aumentar para €970 no próximo ano.

No desporto, o Sporting regressa aos desafios do campeonato com uma viagem ao terreno do Casa Pia. Rui Borges, pressionado pelos resultados negativos, diz que todos os treinadores estão a prazo.

A imprensa desportiva desta quinta-feira aponta para um cenário de tudo ou nada para o treinador leonino: ou ganha amanhã ou é despedido. Na antevisão dessa partida frente ao Casa Pia, Rui Borges salienta que todos os treinadores estão a prazo.

Eu podia estar aqui e dizer que precisamos de tempo, mas no futebol não há tempo, os treinadores não têm tempo. Por isso eu digo que o treinador está a prazo desde o primeiro dia que entra nos clubes. Não é quando os resultados são bons ou menos bons. É desde o primeiro dia, estamos sempre a prazo. Há treinadores que dizem que as malas estão sempre prontas. Estamos sempre a prazo, mas não me vou justificar com o tempo ou não tempo. Nós sabemos aquilo que é o Sporting, a exigência do Sporting. E dentro disso, achamos sempre que com o nosso trabalho, rapidamente temos que evoluir e crescer, analisar de que forma é que podemos crescer mais rápido, porque a exigência do Sporting é essa.

Quanto ao desafio frente aos Gansos, ao Casa Pia, o técnico leonino sublinha que o adversário tem evoluído muito nas últimas partidas e em vários aspetos do jogo.

Acho que o Casa Pia tem crescido em termos daquilo que é a equipa, defensivamente e ofensivamente, apesar de não ser uma equipa com muitos golos marcados, mas ganhou consistência coletiva. Acho que defende bem, defende melhor, dentro daquilo que é a sua estratégia, às vezes num bloco médio-baixo, é certo, mas depois são muito competitivos, uma equipa muito forte em duelos, uma equipa também forte em bolas paradas. Por isso, a dificuldade que será jogar lá, nós sabemos que será grande.

O Casa Pia está em crescendo, vai seguramente oferecer dificuldades ao Sporting. É o alerta do técnico Rui Borges. Casa Pia e Sporting amanhã, apito inicial 20h15. Relato e comentários aqui na antena do Observador.

Para já, Miguel, vamos às notícias de âmbito local.

E começamos por Sintra. A Câmara Municipal aprovou a criação do Cheque Família, um apoio de até €150 destinado a alunos até aos 18 anos que frequentem o ensino secundário ou profissional no município. A medida deve ser aplicada já este ano letivo, ficando ainda sujeita à apreciação da Assembleia Municipal. A Câmara prevê ainda alargar de forma progressiva o apoio aos alunos do ensino básico ao longo dos próximos três anos. Em Vila Nova de Famalicão, a autarquia pretende investir mais de €64 mil na instalação de 30 novos abrigos para passageiros de transportes públicos. Pretende-se melhorar o conforto de quem tem de esperar pelo autocarro e tornar a rede de transportes mais atrativa. Os trabalhos devem começar no próximo mês e abrangem várias freguesias do concelho. Aveiro. A antiga Escola Primária de Azurva está a ser alvo de requalificação. É uma empreitada promovida pela autarquia, um investimento de cerca de €20 mil. As obras vão permitir instalar no edifício um novo polo de atendimento ao público da Junta de Freguesia, além de criar um espaço para atividades destinadas à comunidade. Seguimos até Pombal. A pista de atletismo da região vai ser transferida para Braga. O projeto enquadra-se numa parceria entre a Federação Portuguesa de Atletismo e os dois municípios. Pretende-se reforçar as condições de treino e competição em Braga durante a época de inverno. Em contrapartida, está prevista para breve a chegada a Pombal da pista de Barcelona cedida pelas federações espanhola e catalã de atletismo. Santarém vai receber o Campeonato Nacional Universitário de Padel. O evento acontece de 2 a 4 de novembro em dois centros desportivos da região. A competição acontece durante três dias, o início da prova marcado diariamente para às 9h30 da manhã. Fechamos no Seixal. Já estão abertas as candidaturas para o Mercado de Natal. O evento vai decorrer de 28 de novembro a 3 de janeiro, no núcleo urbano antigo do Seixal. Podem candidatar-se artesãos, associações, oficinas de artesanato e expositores de produtos alimentares tradicionais. As inscrições devem ser submetidas online ou entregues em papel no posto municipal de turismo até às 18h do próximo dia 11 de novembro.

Miguel Vilela com o Jornal das Três.