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À uma hora. Está a começar o Jornal da Uma, na Rádio Observador, com edição do jornalista Miguel Vidara. Miguel, vamos começar este Jornal da Uma pelo Presidente da República, que pede, mas há entre os líderes partidários quem considere difícil promover uma maior coesão social.

António José Seguro está hoje a receber os representantes dos diferentes partidos com assento parlamentar, com este tema da coesão social em pano de fundo. É preciso promover essa coesão social, promover consensos. Há uma hora escutávamos aqui o secretário-geral do Partido Comunista, Paulo Raimundo, dizer que é difícil, dando como exemplo as políticas que têm sido seguidas pelo governo no domínio da habitação, mas considerando que essa característica, essas políticas são transversais a outros setores, tornando difíceis esses entendimentos. Na última hora, o Presidente da República recebeu a presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, também a porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes. São audiências que têm estado a ser acompanhadas pelo jornalista do Observador, Vasco Maldonado Correia. Vasco, o que disseram as líderes destes dois partidos?

Antes de mais, Miguel, deixa-me apenas dar nota de que estará já para terminar também a reunião entre António José Seguro e a delegação do Partido Socialista, isto porque a delegação do Chega, liderada por André Ventura, já aguarda, entretanto, na sala de espera para ser chamada pelo Presidente da República. Mas sim, tem sido uma manhã e início de tarde bastante preenchida aqui em Belém, com o tema em cima da mesa, a procura de consensos para encontrar as respostas para o problema da habitação, com todos os partidos praticamente a concordarem que os entendimentos são necessários, mas com todos a apontarem o dedo às restantes forças partidárias para isso não ser possível. A presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, por exemplo, lembra que tentou juntar os partidos à mesa, mas sem sucesso.

Era muito importante que os partidos, que pelos vistos hoje já estiveram aqui vários deles a falar em consensos, talvez tivessem demonstrado essa mesma disponibilidade a semana passada quando tiveram a oportunidade para o fazer. Não interessa se foi a Iniciativa Liberal a lançar o REP, não interessa se foi outro partido. O que interessa é: se há esse espaço, ainda para mais em terreno completamente isento, como a Assembleia da República, para nos podermos sentar e chegar à fala para tentar encontrar esses consensos, por que não o fizeram?

Pergunta deixada por Mariana Leitão. Já da parte do Livre, Isabel Mendes Lopes, porta-voz do partido, diz que o grande obstáculo ao consenso é o governo de Luís Montenegro.

O que vemos é um governo cada vez mais extremado. A maneira como encara os outros partidos na Assembleia da República, encara-os como adversários políticos, de uma forma muitas vezes que não é nada cordial, para ser simpática nas palavras, e que torna o diálogo muito difícil, não só no próprio trato, mas também na maneira como as propostas que são apresentadas são encaradas.

Críticas da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, num dia em que António José Seguro está a tentar encontrar consensos para resolver a crise na habitação. Fica apenas agora a faltar ouvir o PSD, o Chega e, nos próximos minutos, o Partido Socialista.

Os restantes partidos findam assim estas audiências promovidas pelo Presidente da República sob o chapéu deste tema da coesão social. Audiências têm estado a ser acompanhadas pelo jornalista Vasco Maldonado Correia, que aqui nos trouxe o que de mais importante disseram Mariana Leitão e Isabel Mendes Lopes no final destes encontros.

E estas audições acontecem um dia depois do debate e votação na generalidade do Orçamento do Estado para o próximo ano. O antigo vice-presidente do PSD, André Coelho Lima, não gostou da forma como o governo tratou o Partido Socialista.

Considera que tem faltado elegância e que o atual momento exige uma postura diferente por parte dos partidos que sustentam o Executivo.

O combate político pode e deve ser feito com elegância e com elevação. E com toda a franqueza, acho que não fora mais nenhum motivo. Ou seja, se não for os próprios protagonistas a serem capazes de o fazer, pelo menos o respeito pelo momento atual, o respeito por aquilo que os portugueses nos estão a dizer na rua, merecia, obrigava a uma postura dessa natureza. A postura do PSD, em termos parlamentares, não se tem caracterizado por esta elevação e por esta elegância e acho que, independentemente do mais, o momento atual justificava essa postura, esse sentido de responsabilidade da nossa parte.

A crítica do social-democrata André Coelho Lima, escutada no explicador desta manhã, que teve também como convidado Francisco Assis. O antigo eurodeputado socialista considera que o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, sim, tem sido alvo de ataques injustos.

Eu acho que houve ontem um excesso, sobretudo, de ataques ao secretário-geral do PS, ao doutor José Luís Carneiro. O PS tem hoje um líder bastante moderado e um homem muito preocupado em buscar consensos na sociedade portuguesa. E é um homem que desde há muito tempo que disse que ia viabilizar o Orçamento do Estado. Pareceu muito injusta a forma como ele foi ontem tratado na Assembleia da República. Fora isso, acho que, evidentemente, há responsabilidades de parte a parte, não é só de um partido, é de parte a parte. No primeiro período da Geringonça, o PS tratou, ou parte do PS, que estava então no governo, tratou o PSD de forma intenciosa, isso também não esqueço.

Francisco Assis alerta para o risco de uma crescente pressão para que o moderado José Luís Carneiro, expressão de Francisco Assis, mude o estilo de liderança.

Deverá começar a ter alguns problemas dentro do seu próprio partido, porque surgirão alguns que vão querer uma radicalização do discurso.

Aliás, sem teçar a citar nomes, basta ver a forma como surgiram logo algumas considerações neste processo, as idas à manifestação, que eu acho absurdo que deputados do PS se vão misturar com os manifestantes que se estão a manifestar em frente à Assembleia da República.

Uma referência ao antigo secretário-geral do partido, Pedro Nuno Santos, e à antiga ministra com a pasta da Habitação, Marina Gonçalves, que estiveram presentes nas manifestações pelo direito à habitação em frente à Assembleia da República.

E o número de utentes que aguarda por uma cirurgia atingiu o valor mais alto de sempre. Há 284 mil pessoas em lista de espera.

As cirurgias realizadas estão a baixar. Entre janeiro e julho foram feitas menos 24 mil face ao mesmo período do ano passado. São dados do portal da transparência do SNS, agora aqui sintetizados pelo jornalista Carlos Pedro.

284 mil pessoas estavam à espera de uma cirurgia no Serviço Nacional de Saúde em julho deste ano, o que representa um aumento de 2% apenas face ao mês anterior, mas quase mais 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Há agora mais 16 mil pessoas à espera do que em 2025. E se compararmos com 2023, são mais 35 mil pessoas à espera de uma cirurgia no SNS. O aumento desta lista de espera registou-se em três das cinco regiões de saúde do país: Norte, Lisboa e Vale do Tejo e ainda no Alentejo. O cenário agrava-se quando falamos de doentes que aguardam cirurgia para lá do tempo de espera recomendado. Em julho, eram mais de 85 mil pessoas. Há um ano, eram pouco mais de 75 mil, ou seja, aumentou em 15% o número de pessoas em espera para lá do tempo máximo de resposta garantido. A lista aumentou também porque houve uma diminuição da atividade cirúrgica no país. Entre janeiro e julho deste ano, foram realizadas menos cerca de 24 mil cirurgias em relação ao período homólogo, uma quebra de quase 5%, mais visível nas regiões Norte, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, precisamente as mesmas onde as listas de espera também aumentaram. Ou seja, há, de facto, uma correlação direta entre a capacidade ou a falta de capacidade do SNS para operar e o aumento das listas de espera. Só em Lisboa, por exemplo, foram feitas menos 15 mil cirurgias de janeiro a julho, quando comparado com o ano passado.

Ao Observador, o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, aponta como razão para esta queda o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde.

E o partido espanhol de extrema-direita Vox apresentou uma queixa contra o ministro dos Transportes, na sequência do acidente ferroviário de ontem em Toledo.

Queixa apresentada junto ao Supremo Tribunal. Em causa, segundo o Vox, suspeitas de homicídio e ofensas à integridade física por negligência grave. O partido liderado por Santiago Abascal pede ao Supremo que investigue se o ministro com esta pasta dos Transportes falhou na prevenção de riscos e na fiscalização de segurança. O Vox quer que Óscar Puente seja ouvido, pede também a inquirição de vários responsáveis do ministério e sindicatos ferroviários. Esta é já a segunda queixa apresentada pelo partido na sequência do acidente. Ontem, o Vox avançou com uma participação contra responsáveis da empresa pública que gere a infraestrutura ferroviária, também por suspeitas de homicídio por negligência.

E Miguel, o mais recente balanço das autoridades espanholas dá conta de pelo menos 69 mortos e mais de uma centena de feridos.

De 110 feridos em Castelo de La Mancha, 60 já receberam alta, 50 continuam hospitalizados, 15 estão nos cuidados intensivos. Há ainda registo de pessoas desaparecidas. São já mais de 60, de acordo com o guarda civil. Entretanto, começam a ser identificados os primeiros cidadãos estrangeiros vítimas deste acidente. Está para já confirmada a morte de um nacional da Argentina. Itália, México, China, Japão, Filipinas e Coreia do Sul já identificaram também cidadãos desta fatia entre os feridos. Relatam também pessoas desaparecidas.

Desporto agora, no Jornal da Uma. O Sporting regressa aos desafios do campeonato com uma viagem até ao terreno do Casa Pia. Rui Borges, pressionado pelos resultados negativos, diz que todos os treinadores estão a prazo.

A imprensa desportiva desta quinta-feira aponta para um cenário de tudo ou nada para o técnico leonino. Ou ganha amanhã ou é despedido. Na antecâmara do jogo frente ao Casa Pia, Rui Borges salienta que todos os treinadores estão a prazo. Acrescenta que a falta de tempo que tem para construir uma equipa nova não deve servir de desculpas.

Eu podia estar aqui e dizer que precisamos de tempo, mas no futebol não há tempo, os treinadores não têm tempo. Por isso eu digo que o treinador está a prazo desde o primeiro dia que entra nos clubes. Não é quando os resultados são bons ou menos bons. É desde o primeiro dia, estamos sempre a prazo. Há treinadores que dizem que as malas estão sempre prontas. Estamos sempre a prazo, mas não me vou justificar com o tempo ou não tempo. Nós sabemos aquilo que é o Sporting, a exigência do Sporting. E dentro disso, achamos sempre que com o nosso trabalho, rapidamente temos que evoluir e crescer, analisar de que forma é que podemos crescer mais rápido, porque a exigência do Sporting é essa.

É o que diz Rui Borges. Sobre o desafio frente aos Gansos, o técnico leonino sublinha que o adversário tem evoluído muito nas últimas partidas em vários aspetos do jogo. Esta conferência de imprensa do técnico dos Leões, Rui Borges, é um dos temas a abordar já a seguir na edição desta quinta-feira de "E o Campeão É".