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Olá e sejam muito bem-vindos à História das Histórias. Eu sou o João Paulo Sacadura e estou aqui apenas para acolher Alberto Correia, este historiador e investigador da história e tradições da região Centro, que nos traz as suas memórias ou as suas homenagens. É o caso de hoje. Vamos falar de Rolando Soares de Oliveira, um multiartista, multitask, diríamos hoje, multifacetado, um artista ao jeito de Leonardo. Vamos conhecer então Rolando Soares de Oliveira. Bem-vindo, Alberto.

Rolando Soares de Oliveira Marques, que viveu em Viseu entre 1937 e 1976. Rolando de Oliveira, que foi nome de guerra, trazia dentro de si, como diz o povo, um bicho carpinteiro que o não deixava sossegar, pressentindo talvez que a vida não ia durar e se tornava imperioso deixar feita a sementeira nos campos que iria lavrar. Rolando de Oliveira nasceu em Viseu, talentoso como fora o pai e o avô. Escolheu Viseu para seu pouso. Casou, teve filhos, viajou pela Europa, aventureiro, olhar aberto à luz de um novo tempo. Foi aluno ouvinte na Faculdade de Belas Artes de Salamanca, onde assentou por algum tempo, e foi professor de Educação Visual na Escola Comercial e Industrial da sua terra, que lhe concede espaço para a sua obra de inventor. Quase ao jeito de menino prodígio, tem aos 15 anos estúdio de pintura alugado pelo pai e aos 16 anos escreve em letra de forma o romance "O Caminho da Luz", sob pseudônimo. Ilustra-o com saborosos desenhos à pena, dedica-o aos colegas e admiradores e, fruto da sua imaginação prodigiosa, sustentada por atentas leituras, nele descreve uma incrível Índia de odaliscas, de rajas e de elefantes. Quase logo ganha prêmios em concurso de pintura em Salão de Estética da Mocidade Portuguesa, que desvelam vocação que há de seguir. Foi pintor, escultor do óleo, pastel, tinta da China e da aguarela, onde retrata docemente a paisagem urbana de Viseu. Ao jeito de Leonardo, foi poeta da ação e construtor de barcos de recreio, que ainda pôs a navegar e, engenhoso até mais não, constrói o protótipo português de um avião que titulou de Nixus, um miniplano que não foi autorizado a voar e que a família doa ao Museu do Ar, em Alverca, encontrando-se hoje no Museu do Ar, em Sintra, de parceria com a famosa representação de João Torto, esse Ícaro português efabulado, que em voo se lançou do alto de uma torre da Catedral de Viseu. Vão já séculos passados. Moderno é em Portugal como introdutor do cinetismo plástico, essa nova corrente estética que se afirma em Paris a partir dos anos 50, valorando o som, a luz, o movimento e mensageiro dessa nova arte em Portugal, leva a efeito uma primeira mostra de eletropinturas móveis e sonoras em 1965, que designou o espaço e o tempo, de notável êxito e assinalável impacto junto do público e da crítica. Pioneirismo declarado, integra nesta arte a literatura e constrói recitais sonocinéticos que apresenta em salões nacionais e estrangeiros, na rádio e na televisão. Escritor, deixou-nos em prosa "O Caminho da Luz" e "O Futuro Passado". Na poesia, "Claro Dia", "Efêmeras" e "Poesia sem Sombra". Rolando de Oliveira permanece, todavia, como figura por inventar, de se achar a verdadeira dimensão da sua obra, de a trazer ao mundo, de a trazer ao nosso olhar.

Que grande homenagem também e lembrança deste homem multifacetado e muito criador, o Rolando de Oliveira. Eu também pensei logo quando ouvi a sua descrição e tudo o que ele fazia, Alberto, também me lembrei logo do Leonardo, que também tinha muitas facetas. É impressionante. Muito bem, ficamos conversados por hoje. Marcamos encontro amanhã. Alberto Correia, bem-haja.

Até amanhã.