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O Observador, em parceria com a Timberland, quer conhecer quem são os portugueses que estão a influenciar a mudança, a motivar a preocupação ambiental nas mais diversas plataformas, porque a natureza precisa de heróis. Vamos conversar com eles semanalmente. E hoje recebemos o Carlos Melo. No Instagram é conhecido por Charlie. Carlos, bem-vindo.

Olá, tudo bem?

Tudo ótimo, Carlos. A consciência da importância do impacto que temos no ambiente, na saúde do nosso planeta, é, de facto, o primeiro passo para começar a agir. De que forma isso aconteceu consigo?

Por acaso, foi aumentando gradualmente e naturalmente. Se eu olhar para trás, se começar a fazer este processo e olhar para trás, desde pequeno que tive uma educação muito focada na poupança e na sustentabilidade. Portanto, é algo que foi aumentando, mas já era muito natural em mim. A casa onde eu vivia, agora vivo sozinho, mas na altura com os meus pais, e onde cresci, era uma casa cheia de pessoas, portanto era preciso, naquela altura, porque as coisas mudaram um bocadinho, era necessário olhar para contas, para comida, era necessário gerir uma casa de uma maneira, eu penso, diferente de hoje em dia. Portanto, era algo que eu fui crescendo e que fui vendo e que depois trouxe comigo para o meu dia a dia.

Ou seja, era algo que já existia enraizado, mas depois foi alimentando ao longo do tempo.

Exatamente, até porque as coisas mudaram. Surgem aqui muitos fatores nos últimos anos, que nos despertaram a atenção, produtos que vieram ajudar neste processo, portanto, foi algo natural, eu acho.

Já vamos falar sobre essas mudanças de hábitos também, que às vezes são coisas bastante simples, mas que fazem toda a diferença. E nessas escolhas, por exemplo, dos produtos, isso é muito evidente. Às vezes entramos, por exemplo, numa loja e escolher aquilo que é mais sustentável.

Hoje em dia há muita oferta. É o bom e o mau, também nos pode deixar aqui um bocadinho confusos.

Baralhados, às vezes.

Exato. É tanta oferta. Mas eu acho que temos muitas opções, coisa que há uns anos, quando eu era criança, se calhar havia menos. Portanto, podemos pensar um bocadinho de maneira diferente quando estivermos a fazer uma escolha de um produto, por exemplo.

Certo, e vamos a exemplos. Como é que isto no dia a dia se traduz nas escolhas que o Carlos vai fazendo também?

Hoje em dia já aplico coisas completamente diferentes. Por exemplo, em termos de compras para casa, faço mais compras a granel, nomeadamente especiarias, frutos secos. Também compro soja granulada para substituir, por vezes, a carne. Eu não sou vegetariano, mas tenho reduzido bastante o consumo de carne no meu dia a dia e até chás. Eu gosto muito de chás e então comecei a comprar a peso os chás e não aquelas saquetas que normalmente são mais comuns para o nosso dia a dia.

Certo.

Além disso, sempre que vou às compras levo uma lista. Estamos a falar de compras para casa, digamos assim. Levo uma lista e compro apenas o que é necessário. Em termos de frescos e legumes, normalmente compro em mercearias ou feiras e praças e tento normalmente comprar coisas mais de origem nacional. Por vezes é impossível, por algum tipo de produto específico, mas tento sempre. E ainda tenho semanalmente uma cesta, como eu vivo sozinho, divido com a minha irmã, uma cesta de fruta feia, também com esses produtos. E em termos do dia a dia, fiz algumas mudanças em termos de alguns produtos. Por exemplo, eu já não utilizo guardanapos de papel em casa, utilizo guardanapo de pano. Em termos de cotonetes, para aí há dois anos que já não compro cotonetes, tenho um cotonete reutilizável, que se usa, lava e volta a se usar. Utilizo bastante, há muito tempo já, garrafas de vidro para água no trabalho e em casa. Panos, por exemplo, para lavar a casa, não compro descartáveis, são panos que meto na máquina com a roupa para lavar e volto a usar, não compro panos descartáveis. E são, rapidamente, alguns produtos que me lembro que fizeram a diferença no meu dia a dia.

Certo.

E hábitos também de compra.

As opções são muitas, há cada vez mais oferta também nestes produtos mais sustentáveis. Por exemplo, a questão do cotonete é muito interessante, porque é algo que nós às vezes não pensamos à partida.

Exatamente. Eu não consigo deixar de usar e até já fui ao médico especialista, e eu não consigo, de facto, deixar de usar. Cada pessoa tem os seus hábitos, e de vez em quando preciso mesmo de limpar. E então o cotonete fazia-me imensa confusão.

Certo.

Ponto número um, fazia-me confusão pessoas que o colocam, depois de usado, o cotonete normal, numa sanita, isto com hábitos, por exemplo, em férias com amigos, apercebi-me disso, coisa que eu nunca fiz. Por isso é que eu chegava à praia e não conseguia perceber por que tínhamos tantos cotonetes no areal, por exemplo.

Exatamente, é um dos resíduos mais comuns encontrados em praias, são os cotonetes.

E então em convivência com outras pessoas, percebi que algumas pessoas punham na sanita, logo aí fazia-me confusão e depois fazia-me confusão este consumo imediato que nós temos. As coisas mudaram, portanto, foi-nos imposto pelos hábitos. Isto do guardanapo, se formos a ver, é uma coisa que eu agora, há um ano e tal, dois, não é que deixe de comprar, eu tenho aqui em casa guardanapos de papel De papel para quando há visitas, etc. Agora, se eu me lembrar de quando a quando é que compro um pacote de guardanapos de papel, é de muito em muito tempo, porque tenho os meus guardanapos de pano. Não é necessário utilizar uma vez e pôr a lavar, mas quando é para pôr a lavar, meto com a restante roupa, portanto não ocupa muito mais espaço numa máquina e é uma coisa que não custa nada, se formos a ver. Como os panos de limpeza.

Certo. E nas redes sociais, quando é que isto começou a ser mais sério também, e se tem tido também feedback das escolhas que vai fazendo, Carlos? Sinto que já influenciou, de facto, muita gente a mudar aqui hábitos.

Sim, eu não tenho muitos seguidores. Tenho um pequeno grupo de seguidores que são mais fiéis e essa pergunta, por acaso, tem imensa piada, porque como trabalho em publicidade, isto começou a ser um bocadinho fun. Portanto, é uma maneira de eu aprender, testar e poder aplicar em algumas marcas que trabalho e no meu dia a dia. E ao mesmo tempo comecei a me aperceber que com alguns seguidores que tinha conseguia influenciar. E, de facto, é que este tema começou a ser um bocadinho, entre aspas, ficar mais na moda. Porque as pessoas estão muito mais conscientes e procuram mais informações. E tem piada, porque eu tenho dificuldade, às vezes, de falar e partilhar alguns temas, por aquilo que eu estava a dizer. Eu, como tive uma educação muito focada neste tema, há coisas que eu faço que-

É quase instintivo mesmo, não é?

Exatamente. Faz-me confusão estar a dizer às pessoas do género: "O cotonete não é para pôr na sanita." A mim faz-me confusão estar a dizer isso, porque para mim é algo tão incutido e tão natural, que não consigo perceber que isso pode ser relevante para as pessoas. Mas tem sido interessante e o feedback tem sido positivo. Eu, por exemplo, comecei a plantar há dois anos também, ou mais, não sei. Comecei a plantar abacates e na altura comecei a partilhar. E foi engraçado que agora muitas pessoas que me seguem mandam fotografias de abacates que também plantam em casa, portanto comem e depois metem a germinar o caroço. E é superinteressante ver como algumas coisas que fazemos podem ter impacto noutras pessoas e mudar comportamentos. Por exemplo, também tenho seguidores e amigos que eu comecei a incentivar a não comprar fruta em sacos de plástico, por exemplo, um cacho de bananas. Não é necessário um saco de plástico para um cacho de bananas. E depois partilharam comigo a dizer: "Olha, deixei de pôr as bananas num saco de plástico porque tu me disseste." E isso é superinteressante. Como é que podemos influenciar? Eu vejo as redes sociais de uma forma muito positiva. E hoje em dia, e com a pandemia, tornou-se um bocadinho complicado as redes sociais, porque eu vejo muito ódio e muito ódio tóxico nas redes sociais. E eu tento, como trabalho também na área, tento olhar para as redes sociais, acho que é uma coisa superpositiva, podemos todos aprender muito com as redes sociais e porque não partilhar as coisas mais positivas que temos e não aquilo de mais negativo que a sociedade hoje em dia tem para nós.

Ia-lhe perguntar precisamente isso, porque neste contexto de pandemia estamos todos mais ligados também às redes, se sente esse peso da responsabilidade e daquilo que cada um de nós pode fazer para contribuir positivamente para esses conteúdos.

Sim, eu olho para este, vamos chamar, conteúdo digital, marketing de influência, tornou-se um bocado corriqueiro e eu trabalho na área e noto um bocadinho isto. E o que eu costumo dizer, a definição de influenciador, ou o que quer que podemos chamar, toda a gente é influenciador. Os meus amigos, ao lidarem comigo diariamente, a minha família, está a me influenciar os meus comportamentos. Portanto, acho que aqui, sim, pessoas que têm legiões de fãs muito grandes, têm uma responsabilidade muito grande de poder influenciar comportamentos, educar. Viu-se agora em casa que houve conteúdos muito bem produzidos, de fitness, de alimentação, para entreter as pessoas, o próprio entretenimento. Temos um caso de sucesso em Portugal. Portanto, eu acho que há aqui algum peso, sim, não vou dizer que não. Se eu sinto isso? Sim, sinto isso. Sinto que se puder fazer a diferença, e chamar a atenção, não só para estas coisas de impacto ambiental, a parte de entretenimento, o que é que as pessoas podem fazer em casa. Eu, por exemplo, agora estou muito mais ligado às plantas, que era algo que também vinha de trás com a minha mãe, e agora tenho a minha casa que parece quase uma selva, e vejo pessoas também a dizer que estão a começar a comprar plantas porque veem a minha paixão por plantas e que acham piada e pedem-me dicas. E apesar de eu não ser um guru, porque eu também sigo os gurus das plantas, é engraçado ver que podemos, de facto, mudar e tornar as coisas mais positivas. Eu olho as coisas mais por esse prisma.

E Carlos, há pouco falávamos também dessa questão dos guardanapos, por exemplo, eu lembrei-me da questão da roupa, que é um aspeto que nós ainda não falámos, mas que é muito importante também, reutilizar.

Exatamente, sim. Era como eu estava a dizer, lá em minha casa, na casa dos meus pais, éramos muitos e a reutilização da roupa sempre existiu. Além disso, normalmente fazemos escolhas anuais para dar a roupa a pessoas que mais precisam. Que nós, de facto, acumulamos bastante roupa em casa, mas também damos vida a outras novas roupas. Por exemplo, eu tenho bastantes sobrinhos e a roupa passa de uns para outros. Entretanto, também tenho estado mais focado quando faço alguma compra nos materiais e na escolha das marcas que faço, para tentar ser o mais sustentável possível. E a parte de reutilização, ao fim e ao cabo, não é só na roupa, é em tudo o que está em minha casa, por exemplo, eu também faço bastante reutilização de produtos em casa. E isso não vem só da roupa, mas vem um bocadinho em outros materiais. Por exemplo, o vidro pode ser bastante reutilizado em casa e o plástico para darmos nova função a esses produtos que vamos comprando e podemos utilizar de maneira diferente em casa.

Certo, falámos há pouco de plantar coisas. Às vezes aqueles frascos que vêm com-

Exatamente. Eu até falei também do abacate.

Exatamente.

Os frascos de vidro eu utilizo para plantar os abacates. Os frascos de vidro também são os frascos de arrumação e organização na minha despensa. Falámos de plantas e eu, às vezes, tenho que trocar as plantas de vaso por causa do substrato, porque estão a crescer, etc. Os vasos troco de umas para as outras, guardo, os vasos de plástico, para tentar comprar o menos possível. E uma curiosidade, que eu acho giro, eu utilizava bastante velas, porque eu sou louco por uma casa bem cheirosa e agora deixei de utilizar velas, mas engraçado que eu reutilizava os frasquinhos das velas para dar uma nova vida a outra coisa. A título de curiosidade, o meu conjunto de cafés são os copinhos que eram de velas, comprei uns pratinhos de cortiça e o meu conjunto onde eu bebo o café e ofereço o café aos convidados é nesses frascos.

Há soluções bem originais.

Tentar reutilizar sempre. Exatamente.

Exato. E podemos fazer essa mudança, começando por influenciar aqueles que temos à nossa volta, a nossa família, os nossos amigos, como o Carlos aqui também nos explicou. Carlos Melo foi o nosso convidado de hoje, está a influenciar a mudança também no Instagram. Basta seguir a página Charlie CFMS, não é, Carlos?

Exatamente.

Muito bem, foi o nosso convidado de hoje nesta parceria do Observador com a Timberland. Carlos, obrigada, até à próxima.

Obrigado.