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A luzinha, essas várias luzinhas ao fim do túnel.

Uma luz concreta, exata, ao fundo do túnel.

A luz ao fundo do túnel.

Peace and love. While we get this thing kicked off, we just want to thank you for your support of independent artists. Thank you. Thank you, thank you, thank you. We would like to also offer you to donate to Love, New York. Rich Medina. Hold up!

Love, New York. Um festival em tempo de pandemia. Mais de 40 artistas independentes da cidade que nunca dorme, juntaram-se para promover um festival online e assinalar um ano desde que foi decretado o confinamento em Nova York. Quem acompanhou, em formato virtual, foi convidado a deixar doações para os artistas. São duas horas e meia de festival que começam com o set de Rich Medina. Em Nova York, como em todos os Estados Unidos, a vacinação avança a um ritmo acelerado. Esta semana, Joe Biden disse que, no dia 19/04, 90% da população adulta em território norte-americano já vai estar apta a receber a vacina contra a Covid-19. E no dia 01/05, todas as pessoas podem receber este fármaco. Na Europa, com o primeiro trimestre a chegar ao fim, as metas ficaram por cumprir, mas espera-se que nos próximos três meses do ano, o ritmo acelere. Em Portugal, a Task Force garante que até 11/04, todos os grupos prioritários vão estar vacinados. Neste momento, quase meio milhão de pessoas já recebeu as duas doses, sendo que as autoridades portuguesas estão perto de chegar à meta de dois milhões de vacinas já administradas. Se a vacinação acelera, a situação pandémica abranda. Mortalidade muito reduzida e número de novos casos a estabilizar na ordem dos 500 por dia. Nos hospitais, também níveis que permitem um controle da pressão. É nesta realidade que Portugal se prepara agora para a segunda fase do plano de desconfinamento. Dia 05/04 reabrem escolas até ao nono ano, ginásios, museus, lojas até 200 m², feiras e mercados não alimentares e esplanadas. À boleia do sol da primavera que se aproxima, hoje destacamos o setor da restauração e como se prepara o regresso da clientela.

Agora é para a rádio, vem ligar. Não, é preciso pentear.

Sem se pentear e de esplanada ainda despida, Joaquim Sá, da Adega Solar Minhoto, anseia pelo regresso dos clientes.

Já chega de fome.

Já tem saudades agora, ainda por cima com o tempo bom, de ter esta esplanada cheia?

Claro, já tenho muitas saudades de tudo.

Neste restaurante, para já, ainda não há reservas. E ao lado, na pastelaria Charlie, Andreia Silva diz que também não tem marcações, mas os clientes já vão perguntando pelo dia de reabertura.

Na verdade, temos procura, temos muitos clientes a perguntar se de facto vamos abrir e se vamos ter os nossos serviços disponíveis, mas a nível de reservas não estamos a aceitar, porque, na verdade, também não sabemos como é que vai ser a aceitação e vamos fazendo dia após dia. Vamos começando a ver. Se de facto for muito bom, teremos que começar a fazer uma gestão.

Seguimos pelo bairro de Alvalade e com o sol a prometer uma reabertura das esplanadas com clientela. Fernando Martins, da Cervejaria Dot, já tem marcações para segunda-feira.

A expectativa é ter a esplanada cheia. Eu tenho algumas reservas, não posso aceitar tudo. Mas espero que tenha bom tempo também, que é para poder encher e trabalhar um bocadinho.

Quantas reservas já?

Neste momento, tenho duas de três pessoas.

Para o almoço?

Sim, para o jantar também três.

A agenda começa a ficar preenchida e neste restaurante, com esplanada coberta, até já se pensa em colocar mesas no passeio. Mas antes disso, é preciso limpar.

Isto está tudo cheio de pó, tem que se limpar tudo, senão vamos sentar os clientes nas cadeiras cheias de pó. Não, vai ser tudo limpado, desinfetado, que é para segunda-feira. Mas isso é no domingo, que é para segunda-feira estarmos ok para trabalhar.

Na Avenida da Igreja, são muitos os estabelecimentos que já avançam com trabalhos de limpeza das esplanadas. Tudo para receber os clientes da melhor forma na segunda-feira. Junto ao Cinema City, no restaurante Suão, Taberna Asiática, já se usa uma fita métrica para medir as distâncias entre mesas. E o chefe Luís Cardoso assume que até vendeu mais comida com o takeaway, mas que agora anseia pela reabertura e pelo bom tempo.

Para segunda-feira esperamos que não chova, primeiro, e que tenha bom tempo para podermos usufruir da esplanada. Já tenho algumas reservas. Acreditamos que isto vá encher, porque as pessoas estão com vontade de sair de casa. Temos capacidade para cerca de 25 lugares. É o que se pede.

Já têm reservas disso. Quantas reservas já têm?

Para segunda-feira temos cerca de oito pessoas.

Ainda pelo bairro de Alvalade, as pastelarias resistem. Mário Jesus, da Pastelaria Belo, espera por garantias para essa reabertura, para finalmente conseguir vender um galão.

Recupera-se um bocadinho mais, porque as pessoas podem se sentar, já podem beber o seu galãozinho, o seu cafezinho, o seu bolinho. A expectativa é que vai melhorar um bocadinho. Não o suficiente, como é normal. Pronto, o resto, quando abrirmos o espaço interior, talvez se consiga melhorar mais, e aos poucos.

A fechar esta viagem por estabelecimentos de restauração, a dona Fátima, do restaurante Secóia, olha para a rua para nos contar que mal espera por esse dia de reabertura.

Ansiosa, para ver se isto mexe, porque realmente isto tem sido caótico. Temos que ver se a gente se consegue reabrir.

Consegue ter esplanada para quantas pessoas?

A princípio, consigo pôr quatro mesas. Portanto, se ficarem ocupadas, já fico contente.

Já tem alguma reserva para a próxima semana?

Reservas nunca há. De momento, não tenho. É reservas para o cabrito assado, para o borrego, as pessoas vêm cá buscar. Domingo logo se vê como é que a coisa funciona. Ainda pode ser que haja aqui alguém que diga alguma coisa.

Segunda-feira espera o regresso dos clientes rapidamente?

Sim, a maior parte está toda em takeaway. Ou seja, em teletrabalho. E o que acontece? Isto é um bairro em que as pessoas têm uma certa idade, a maior parte das pessoas também come em casa. Vamos ver como é que isto agora vai funcionar.

Ainda vai ser a meio gás.

A meio gás. Sem gás nenhum. Sem gás nenhum, vamos ver. Mas há que ficar com o espírito mais animado, porque qualquer coisa há de se fazer.

Miguel, também acha que vai ficar longe deste meio gás? Concorda com as dúvidas da dona Fátima?

Eu espero que não. Eu acho que temos que estar positivos e acho que estamos todos mortinhos por ir ao restaurante. Acho que os restaurantes já no passado mostraram que eram espaços seguros e que sabiam estar e cumprir as regras de segurança e muitas vezes ir além delas. Portanto, eu estou confiante que as pessoas voltem em força e que dentro da capacidade que os restaurantes vão ter, que é bastante reduzida, que se consigam encher. O problema é como manter um negócio com uma capacidade tão reduzida.

Miguel Peres, é dono do restaurante Pigmeu, em Campo de Ourique, é um dos milhares de espaços por todo este país que espera reabrir na próxima segunda-feira com o regresso das esplanadas. Como é que tem sido essa preparação para a reabertura?

Mesmo sem saber bem como é que vai ser, como é que não vai ser e sem garantias, já avançamos para abrir reservas, já começamos a receber reservas, já começamos a ligar aos nossos clientes a avisar que, em princípio, estaríamos abertos a partir de segunda ao almoço e ao jantar. Falamos com a junta, tentamos aumentar um bocadinho a esplanada. A junta foi um bocadinho flexível para conseguirmos aumentar a esplanada de uma maneira que normalmente não seria possível numa situação normal. Também com a colaboração dos vizinhos, que não se importaram que fossem colocadas mesas à frente do prédio deles. Portanto, há aqui um bocadinho de ajuda, porque o nosso espaço de esplanada é muito pequenino e vamos acabar por conseguir ficar com cinco mesas, o que não é propriamente um negócio viável para uma operação que tem cinco pessoas, mas que já é melhor do que estar fechado.

Conseguem ter apenas cinco mesas nessa esplanada. E disse-me que já tinha reservas. Como é que está esse nível? Reservas apenas para segunda, já para a semana toda?

Já tenho para segunda, já tenho para a semana seguinte também. Já temos algumas reservas para esta semana e já começam a aparecer também algumas para a próxima. Mas nós vamos ter mesas para quatro pessoas. Cada vez que há uma reserva de dois, a capacidade começa a reduzir-se para metade. Cada mesa fica perdida e desperdiçada, porque não há maneira de depois colocar duas pessoas ao lado nesta situação.

E sente que as regras para esta reabertura são claras, sabe perfeitamente em que condições é que vai poder reabrir a nível de distâncias, a nível de que tipo de consumo é que as pessoas podem ter. Recordo-me que no anterior desconfinamento, houve a questão de bebidas alcoólicas a partir de certa hora, apenas acompanhadas de comida. Para alguém que está à frente de um restaurante, estas regras são claras?

Não, acho que as regras não são claras e que ainda há pouca informação neste momento, quando falta bastante pouco tempo para iniciarmos a atividade. Portanto, acho que há falta de informação. Porém, nós estamos a assumir as mesmas regras que aplicamos da última vez e estaremos dispostos a adaptar-nos ao que for necessário, como já fizemos noutras alturas, eu e os outros restaurantes todos, certamente. Nós queremos é abrir, receber os nossos clientes, que foi por isso que abrimos os nossos restaurantes.

Sim. Olhando aqui para este período de paragem, no dia 21 de janeiro, todos os restaurantes tiveram que fechar portas. Estamos a falar de mais de dois meses de paragem. Como é que foi sobreviver este período e se, de facto, o takeaway, que sei que este restaurante também trabalha com esse regime, se acabou por ajudar para manter vivo este negócio?

Ajudou a criar menos dívida, certamente. Nós preparámos ainda durante 2020. No final do verão, começamos a perceber que isto poderia acontecer e começamos a criar um produto especial para takeaway, a desenhar cartas especiais e criamos uma marca mesmo só para delivery e takeaway, com site online, e portanto conseguimos ter algumas vendas. Mas mesmo assim não Nada que seja suficiente, porque não despedimos ninguém, os custos mantêm-se, há muita coisa para pagar, o delivery tem os custos adicionais do transporte, dos estafetas, do site, das embalagens e fica muito aquém daquilo que é necessário.

Olhando agora para este momento de reabertura, já há menu para esse dia de regresso?

Já há menu e vamos ter mais coisas assim que avance um bocadinho no tempo. Vamos começar com uma carta mais curta, para também ser mais fácil de gerir, não ter demasiada matéria-prima ao mesmo tempo. Nós trabalhamos muito com coisas da época, então conforme as coisas forem avançando, vamos também aumentar a carta. Agora vamos começar com uma carta mais reduzida.

Qual é o menu para começar, se posso perguntar?

Nós no Pigmeu trabalhamos o porco de ponta a ponta. Um terço da carta são vegetais, um terço são as miudezas do porco trabalhadas de diferentes maneiras e um terço é a carne do animal que utilizamos de ponta a ponta. A marca que criámos, que é o Reco-Reco, é mais uma marca que utiliza o porco, mas utiliza de uma maneira mais fast food, mas com bons ingredientes. Portanto, sanduíches e snacks. E o que vamos fazer é agora um misto, uma transição entre os dois, ou seja, o Reco-Reco, que foi a marca que criámos para delivery, vai continuar a ser servido na esplanada, vai continuar em delivery e takeaway na mesma, e vamos fazer uma mistura com as sands que servimos durante este tempo no delivery e takeaway e os petiscos do Pigmeu. Portanto, vamos ter os espargos com presunto, uma couve tostada com pimentos, vamos voltar a ter as iscas, vamos ter diferentes coisas, uma grãozada com cabeça fumada. Vai ter um bocadinho dos dois lados. Portanto, o que estávamos a fazer em takeaway e da carta normal do Pigmeu.

Miguel, para fechar aqui na luz ao fundo do túnel, olhamos sempre para o futuro e para aquilo que podem ser os próximos meses, semanas. O que é que espera daqui para a frente?

Eu não espero nada. O melhor é não contar com nada e aquilo que eu me tenho vindo a preparar é para que isto possa ter que voltar atrás, porque ainda não estou preparado para aceitar que isso pode acontecer e acho que nos temos que preparar, porque já percebemos que ainda podemos ter muitas surpresas e não quero estar positivo demais e não quero não estar preparado para caso isso venha a acontecer. Como é óbvio, espero que isso não aconteça. Espero que isto seja direto, sempre abertos, com as pessoas na rua, até para a sanidade mental de toda a gente. Acho que os restaurantes já provaram que conseguem ser espaços seguros e espero que continuemos sempre abertos e que se possa perceber como é que vamos agora ajustar-nos a esta realidade no futuro próximo e perceber como é que é possível ter os negócios a trabalhar e em condições, porque mesmo que os números comecem a aumentar, já sabemos um bocadinho mais sobre isto do que sabíamos no início e temos que começar a pensar como é que metemos a economia a funcionar e controlamos a doença ao mesmo tempo.

Miguel Peres vai preparar a reabertura faseada deste restaurante, mas sem grande expectativa, sem alimentar esperanças, porque se há coisa que este túnel já nos provou, é que há sempre um novo percalço depois dos sinais de luz.

Eu tenho conhecimento que não há falcatruas neste momento.

Vemos agora ao fundo do túnel a possibilidade de vir a abrir e é mesmo tudo o que queremos, como todos os outros pequenos negócios que andam por aí.

Já podem beber o seu galãozinho, o seu cafezinho, o seu bolinho.

Ninguém é habituado costumar a comer gomas na rua ou a comer uma sanduíche no carro.

We must not allow the memories of this crisis to fade and go back to business as usual. The time to act is now.