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A luzinha, essas várias luzinhas ao fim do túnel.
Uma luz concreta, exata, ao fundo do túnel.
A luz ao fundo do túnel.
Uma canção da União de Músicos do Gana. O governo deste país africano, pelo Ministério da Comunicação e com o apoio da UNESCO, decidiu criar esta canção com o objetivo de ajudar a passar mensagens sobre a pandemia de Covid-19. Há avisos sobre os perigos da doença e também sobre os cuidados sanitários que devem ser mantidos. É uma canção em várias línguas, para garantir que não há desculpas para não cumprir todas as regras. O vídeo já foi publicado, foi publicado na semana passada e circula agora pelas redes sociais. A comunicação com as populações tem sido um dos problemas desta crise pandémica, numa altura em que se acumula o cansaço com toda esta situação. Há que ser claro na mensagem e garantir que o comportamento dos cidadãos pode ajudar a controlar esta crise. É também preciso inovar e encontrar soluções que sejam fáceis de aplicar. No Gana, a solução passa pela música. O ritmo da União de Músicos do Gana chega numa altura em que este país africano regista uma média semanal de 66 novos casos por dia. Desde o início da pandemia, já se contam mais de 90 mil infecções e 761 vítimas mortais. Em todo o continente africano, há mais de 4,3 milhões casos e quase 120 mil mortes. É o território menos afetado pela pandemia e é também o continente que continua à margem da vacinação. De todas as doses administradas no mundo, apenas 2% foram em África. A Organização Mundial de Saúde lamenta este valor e diz que isto acontece devido à escassez de vacinas, ao financiamento insuficiente e à falta de pessoal qualificado. No Ocidente, há cenários diferentes, como por exemplo no Reino Unido, onde esta semana houve uma espécie de regresso à normalidade.
Four, three, two, one. Ladies and gentlemen, take your seats. Have your first drinks. Please, come down.
Os britânicos celebram esta semana a reabertura dos pubs e o governo do Reino Unido anunciou também que foi atingida a imunidade de grupo, com mais de 70% da população vacinada. Na União Europeia, ritmo bem mais lento. E na semana em que se esperava mais uma vacina, um novo volte face. O fármaco da Janssen também levantou problemas e com isso foram atrasadas mais entregas. Em Portugal, foram administradas até este momento 2 milhões de vacinas, a maior parte à população mais velha. Nos lares, um dos pontos essenciais deste plano de vacinação, esta semana foi apontada como meta para administrar doses em todos os lares do país. Fica assim garantida a imunidade nestes espaços, mas a normalidade tarda em regressar. Hoje, olhamos para os lares de idosos e para a luz que tarda em aparecer. Nos arredores de Cascais, na zona de Alcobideche, fica o Lar Tres Anjos.
Boa tarde!
Boa tarde. Tudo bem?
Tudo bem. Só passar ali por o nosso detector de metais.
Sim. Só um segundo. O detector de metais é uma máquina que fica à porta deste lar para controlar todas as entradas.
Faça o favor. Se quiser desinfetar aqui as mãos. Aqui fazer a mesma coisa que ele fez. Deixar aqui.
Bem-vindo ao Lar Tres Anjos.
A máquina vai dando instruções.
Aproxime a sua testa à sua temperatura normal.
Medimos a temperatura e depois, dos braços laterais deste aparelho, sai um banho desinfetante. Um aparelho comprado no último ano, juntamente com outros investimentos que foram feitos.
Pode sair. Obrigada.
O que nós quisemos? Quisemos proteger-nos a nós, mas também proteger aqueles que estão aqui dentro. E então investimos, sim, em equipamento de proteção, não só individual, que é as máscaras e o álcool gel e todas essas coisas que são recomendadas, que nós vemos na televisão todos os dias, mas também em equipamentos de grande porte, como são máquinas de desinfeção, e também em pequenas obras que foram possíveis ser feitas, de aproveitamento de zonas que não estavam aproveitadas, que eram varandas que não estavam aproveitadas como zonas de utilização, que foram aproveitadas como zonas de utilização. Para quê? Para expandir a área Ganhámos, por exemplo, na sala de utilização de áreas comuns, quer de refeitório, quer de sala de estar, cerca de mais 30, 40 metros quadrados. O que é muito bom, porque assim podemos dispor as pessoas um bocadinho mais afastadas umas das outras, e o objetivo é esse.
Luís Fonseca é o gerente deste lar. Tem 20 utentes e mais ou menos o mesmo número de funcionários. Em mais de um ano de pandemia, não teve que lidar com nenhum surto e, por isso, já foram todos vacinados. Foi no mês de fevereiro que receberam as duas doses. Ainda assim, a normalidade não chegou.
A nossa esperança era essa, era que realmente viesse a mudar alguma coisa. Dois meses antes de iniciar a vacinação, tínhamos cancelado as visitas, mesmo aquelas feitas na parte do acrílico, no local específico que nós temos, por motivos de segurança. Isto por quê? Porque os casos tinham subido desmesuradamente e, por motivos de segurança, tínhamos cancelado as visitas. E tinham aparecido vários surtos em várias instituições e eu achei por bem, por motivos de segurança, realmente cancelar as visitas. Não sei se por sorte ou não, realmente, aqui manteve-se e, de facto, não apareceu nenhum caso, nenhuma suspeita, conseguimos manter. Feitas depois as vacinas, disseram-nos, com alguma segurança, depois da segunda dose, 15 dias depois, que estávamos imunes e que, medicamente, isto dito pelos médicos, já estaríamos à vontade, que já não teríamos problemas. O que é certo é que, através da associação e através dos outros lares que fui contactando, ainda foram surgindo vários surtos em vários lares. Ou seja, entre aspas, acobardei-me um bocado, porque fizemos as vacinas e estão a surgir novamente surtos em instituições. Em menor escala. Está bem, mas não deixam de ser surtos. As pessoas estão vacinadas e ainda há surtos. Temos que ter cuidado. O que é que mudou? Nada. Não mudou nada.
Pouco mudou. Os utentes e os funcionários sentem mais segurança e as visitas regressaram, mas continuam à distância de um acrílico.
Com as medidas de segurança, máscara para os utentes e para os visitantes, com álcool gel.
E algum limite a essas visitas? O utente tem limite de número de visitas por semana, por exemplo?
Nós tentamos cumprir o que diz a DGS, que é uma visita por semana. Isto também para dar para todos os visitantes, para todos os utentes. Tentamos cumprir e que seja uma hora e meia, pelo menos.
As vacinas não garantiram, para já, um regresso à normalidade. E os utentes compreendem.
Não mudou nada, a não ser a eficiência. A eficiência digamos que se apurou. Podemos falar na mesma, é evidente, podemos conviver. À hora de almoço também convivemos à mesa. Mas não mudou. Não mudou nada, a não ser o bom critério.
O rigor?
O rigor. Sim, senhor. Todos nós temos sido muito rigorosos. Visitas temos tido, sim senhor, lá embaixo, na salinha, que o senhor deve ter tido acesso. E como viu, não há passagem nenhuma, nem sequer se pode tocar com um dedo um no outro. Nada, não há nada. Aqui está perfeitamente isolado.
Fátima Vieira tem 67 anos, vive neste lar há quase oito. Elogia as medidas apertadas que foram definidas no início da pandemia. Medidas que se mantêm e que, para Fátima, devem continuar.
As visitas, enquanto a pandemia não acabar, e eu acho que não vai acabar aí durante mais um ano ou dois, as visitas não devem entrar aqui nas instalações onde estão os utentes, porque nós não sabemos o que é que eles trazem do lado de fora e podem nos estar a contaminar sem querer. E nós falamos com eles lá embaixo, falamos com eles pelo telefone. Tem tios com quem telefono, com quem falo todos os dias, mas eu acho que assim está bem, porque antes entrava toda a gente. Antes disto entrava toda a gente e nós conhecíamos as visitas que eram para cada um, mas agora acho muito bem que não venham.
Ainda tem algum receio?
Tenho. Tenho porque a pandemia não acabou. Sem toda a gente estar vacinada e ter passado um bom período de tempo, eu em perspetiva dou um ano Para voltarmos a ter as pessoas aqui dentro. E não sei se será, porque se haver problemas, claro, nós somos os primeiros a sofrer. As próprias pessoas que vêm contaminadas já estão a sofrer. Mas acho que não há necessidade, porque se nós pudermos ir lá abaixo ter as visitas, ver as visitas e falar com elas, não há necessidade de elas virem aqui. Esperemos que isto tudo acabe. Eu não sei, sinceramente, se será daqui por um ano ou não.
Apesar das regras apertadas que se mantêm, Fátima continua a ver nas vacinas uma luz ao fundo do túnel.
Vejo, porque se a pessoa não tiver a vacina, a pessoa pode mesmo apanhar. E com a vacina, já há um travão. Já há uma barreira que a pessoa está mais protegida e que não é preciso ter um critério tão exigente. Claro que, para nós, é necessário termos em atenção todos aqueles cuidados que nos dizem que devemos ter. Ok, lavar as mãos, desinfetar, fazer essa coisa toda. Pronto. Mas isso já é da nossa responsabilidade. E quem tiver com a cabecinha em condições, tem que fazer isso ou deve fazer isso. Quem não fizer, os outros também dão uma ajudinha e dizem assim: "Então, vão lavar essas mãos!".
As regras sanitárias continuam, é quase tudo igual, e Rute Ferreira, funcionária do lar, diz que nem o contato com os utentes mudou.
Para nós, praticamente nada mudou. Aliás, nós vamos fazer o teste a cada quarta-feira do mês. Nós dividimos a equipa por quatro quartas-feiras do mês e continuamos a fazer uma vez o teste de zaragatão, ali no Estoril, e para nós nada mudou. Tudo igual.
Mesmo a nível de contato com o utente?
Mesmo a nível de contato com os utentes, nada mudou. Para nós continua tudo igual, os cuidados, os contactos, tudo. Continua tudo a ser da mesma maneira.
Como é que vê esta situação a ser resolvida? Ou seja, houve a vacina, pouco mudou. Como é que acha que isto se pode resolver daqui para frente?
Não sei. Sinceramente, não sei como é que se vai resolver. Sei que as pessoas também não ajudam, porque por um lado estão cansadas de estar em casa, por outro veem um bocadinho de bom tempo e querem sair, sem dúvida nenhuma. Eu contra mim falo. Não sei, eu acho que vai ser muito difícil. E acho que isto está longe de chegar ao fim, muito honestamente. Mesmo com a vacina, acho que está muito complicado.
Para uma pessoa que trabalha num lar, continua difícil ver uma luz ao fundo do túnel?
Para mim, sim, continua, sem dúvida nenhuma. Sim, acho que está muito longe de chegar ao fim. Mas não podemos perder a esperança. E temos que lhes dar força a eles e coragem e também não fazer passar isso. Muito pelo contrário, temos que fazer passar que isto está a melhorar e que vai passar, e que rapidamente os familiares vão entrar aqui dentro. Tentar confortá-los de alguma maneira.
Rute não vê fim a este túnel. E Luís Fonseca, o gerente do lar, também não encontra, para já, um fim para esta viagem.
Até agora, não. Até agora ainda não vi nada. Espero, sim, que se calhar, com a tal imunidade de grupo que tanto falam, se calhar, que já se possa circular com um pouco mais à vontade, mas neste momento, é como lhe digo, desde fevereiro que fizemos a vacina, agora até abril, nós estamos praticamente a funcionar da mesma maneira e a trabalhar da mesma forma como trabalhávamos, como se estivéssemos não no pico da pandemia, mas com os mesmos cuidados quando estávamos na pandemia.
No Lar Tres Anjos, a normalidade tarda em regressar. A vacina não resolveu a necessidade de manter o distanciamento, mas os utentes sentem mais segurança, convivem no dia a dia, muitas vezes sem máscara, e desconfiam menos da possibilidade da entrada do vírus neste espaço. Ainda assim, as visitas continuam à distância, o contato continua a ser reduzido e a luz pode apenas ser visível para o momento em que se atingir a desejada imunidade de grupo.
Pensamos estar num bom porto, num bom caminho, a voltarmos aos nossos locais de proximidade, a dar vida às cidades.
Saí, toda a gente tem. Agora, sempre com as precauções e tudo mais, mas para já sente-se que o pessoal está um bocado confiante com esta nova abertura.
Naturalmente que já estivemos perante uma situação epidemiológica mais favorável.
Portugueses, hoje quero, sobretudo, pedir-vos ainda mais um esforço para tornar impossível o termos de voltar atrás.